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Staking institucional cresce mesmo com remuneração em queda

Ethereum e Solana somaram mais tokens travados no terceiro trimestre, mas rendimentos recuaram; acesso via custódia e ETFs sustenta demanda, segundo CoinDesk

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A quantidade de tokens comprometidos em staking continua subindo em redes como Ethereum e Solana, mesmo com a remuneração por essa prática em trajetória de queda. O movimento sugere que fatores estruturais — como facilidade de acesso via custodiantes e produtos institucionais — estão pesando mais do que o retorno marginal na decisão de travar criptoativos, segundo reportagem da CoinDesk.

Staking é o processo pelo qual investidores comprometem seus tokens para ajudar a validar transações e proteger uma blockchain, recebendo recompensas em troca. Para quem já detém esses ativos, é uma forma de ampliar o saldo ao longo do tempo sem necessariamente comprar mais tokens.

Segundo Kam Benbrik, responsável pela pesquisa onchain da Bitwise, a rede Ethereum nunca teve tanto capital protegendo-a: 43,8 milhões de ETH estão em staking, equivalentes a 35,9% da oferta total do token, afirmou ele à CoinDesk. No caso da Solana, o volume ativo em staking chegou a 440,5 milhões de SOL, de acordo com o relatório trimestral da Bitwise referente ao quarto trimestre.

Apesar do avanço no volume travado nas duas redes, os rendimentos brutos anualizados de staking recuaram em ambas, o que levanta a questão sobre o que de fato motiva os investidores a continuar nessa prática e se o crescimento da atividade nas blockchains é suficiente para compensar a queda nos retornos vindos da emissão de novos tokens.

John Zettler, diretor sênior de produto da Payward Services — braço voltado a empresas da Payward, controladora da Kraken — descreveu essa dinâmica como contracíclica. Segundo ele, em condições de mercado mais fracas, o comportamento de comprar e manter ativos tende a aumentar, o que eleva a demanda por staking e pressiona os rendimentos para baixo. Em mercados de alta, o cenário pode se inverter: taxas de transação mais elevadas podem elevar as recompensas, enquanto a preferência dos investidores por liquidez tende a reduzir a participação em staking, empurrando os rendimentos de volta para cima.

Acesso facilitado impulsiona adoção

Além das forças cíclicas de mercado, executivos do setor apontam para uma mudança mais duradoura: o staking está se consolidando como parte padrão de se deter criptoativos. Um porta-voz da Coinbase disse à CoinDesk que fundos negociados em bolsa (ETFs) de staking e tesourarias de ativos digitais estão ampliando o acesso à prática. Segundo o porta-voz, em vez de movimentar saldos com base em oscilações de curto prazo, investidores de varejo e institucionais estão buscando os benefícios de longo prazo de colocar seus criptoativos em staking à medida que surgem mais oportunidades.

Zettler afirmou que os clientes da Payward costumam colocar em staking ativos que já possuem, com as decisões de investimento e custódia vindo antes da busca por recompensas adicionais. Segundo ele, uma vez que os ativos estão depositados em uma plataforma, os clientes passam a considerar serviços adicionais, como o staking, com as escolhas sobre quais ativos manter e onde custodiá-los vindo primeiro. Ele acrescentou que o histórico operacional do staking em Ethereum também ajudou a consolidar a aceitação da prática entre investidores institucionais.

Kean Gilbert, responsável pelas relações institucionais da Lido Ecosystem Foundation, disse que as conversas com instituições hoje giram cada vez mais em torno da execução prática. Segundo ele, as instituições já estão bem informadas e querem discutir estratégia: o grau de diversificação do conjunto de validadores, quem audita o código e qual parcela de um fundo está, de fato, em staking. A Lido é um protocolo de staking líquido que permite a investidores colocar ether em staking e receber em troca o stETH, um token negociável que representa os ativos travados e as recompensas acumuladas.

Gilbert destacou ainda o papel central dos custodiantes na abertura desse acesso, permitindo que instituições participem por meio de relações que já utilizavam anteriormente. Segundo ele, a partir do momento em que os custodiantes passaram a oferecer suporte ao staking, as instituições puderam adotá-lo dentro da própria estrutura em que já confiavam.

Mais capital, rendimentos menores

A Ethereum registrou entradas líquidas de staking de 1,99 milhão de ETH no terceiro trimestre, marcando o sexto trimestre consecutivo de fluxo positivo. A Bitwise atribuiu parte desse movimento à participação institucional, incluindo a posição crescente da empresa de tesouraria Bitmine.

O aumento da participação, no entanto, pressiona os retornos para baixo, já que as recompensas passam a ser divididas entre um volume maior de capital travado. O rendimento bruto anualizado de staking da Ethereum ficou em média em 2,63% no período, ante 2,81% no segundo trimestre. Do total, a emissão de novos ETH contribuiu com 2,53 pontos percentuais, o equivalente a 96,3% do rendimento, enquanto taxas de prioridade e pagamentos ligados à ordenação de transações responderam pelo restante, segundo a Bitwise.

A origem dessas recompensas importa: taxas vêm de usuários pagando para transacionar, enquanto a emissão cria tokens adicionais e dilui a participação proporcional dos detentores, a menos que seja compensada por mecanismos de queima de tokens. A rede Ethereum processou 199,3 milhões de transações no terceiro trimestre, alta de 35,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, a receita diária média com taxas de rede e ordenação de transações somou 198 ETH, queda de 40,2% em relação ao trimestre anterior — reflexo de uma capacidade ampliada que reduziu custos para os usuários sem, até agora, gerar maior arrecadação em taxas.

A Solana apresentou uma combinação diferente de fatores, mas com resultado semelhante: atividade e taxas aumentaram, porém o rendimento bruto de staking caiu para cerca de 6%, ante 6,38% no segundo trimestre. A menor emissão de tokens, somada a uma base maior de capital em staking, superou a melhora observada em outras fontes de recompensa. Quase 90% do rendimento bruto de staking da rede ainda veio da emissão, segundo a Bitwise.

Esses números brutos também diferem do que os clientes efetivamente recebem após descontadas as taxas cobradas pelos provedores. Zettler afirmou que a Payward retém uma parcela pequena das recompensas para cobrir custos operacionais e de infraestrutura, sem especificar o percentual exato. Ele disse esperar nova compressão nos rendimentos da Ethereum, projetando que, para a rede, os rendimentos de staking devem continuar caindo à medida que uma proporção maior de ETH for colocada em staking, até eventualmente atingir um equilíbrio ditado pela própria estrutura de recompensas do protocolo. A Coinbase, por sua vez, evitou projetar rendimentos para os próximos dois anos, citando diferenças entre protocolos e a natureza mutável da atividade nas redes.

Gerenciando o descasamento de liquidez

Para instituições, a capacidade de acessar os ativos rapidamente pode pesar tanto quanto a remuneração obtida. Gilbert explicou que um fundo precisa honrar resgates de cotistas em um ou dois dias, enquanto o processo de retirar ETH do staking pode levar semanas — o que leva fundos que utilizam a prática a manter parte dos recursos fora do staking, justamente para preservar liquidez. Segundo sua estimativa, o produto europeu médio do setor mantém apenas entre 50% e 60% de seus ativos efetivamente em staking.

O que isso significa para o investidor

Os números levantados pela Bitwise e citados pela CoinDesk mostram um padrão relevante para quem acompanha ativos digitais no Brasil: o crescimento da base de capital em staking não garante, por si só, manutenção de retorno — pelo contrário, tende a diluí-lo, já que a maior parte da recompensa em Ethereum e Solana ainda vem da emissão de novos tokens, e não de taxas geradas por uso real da rede. Isso reforça a importância de olhar não apenas para a taxa anunciada de staking, mas para a composição dessa taxa.

A cotação do Ethereum, negociado a US$ 2.271,64 no scanner da TradingView às 21h51 de 1º de novembro de 2026 (variação de −0,04% no dia), serve de referência para dimensionar o tamanho do mercado afetado por essa compressão de rendimentos — ainda que a reportagem não traga projeções de preço, apenas de yield.

Para investidores institucionais e gestores de fundos que avaliam exposição a produtos de staking — incluindo ETFs mencionados pela Coinbase —, o alerta de Gilbert sobre o descasamento entre prazos de resgate e prazos de unstaking é um ponto prático a monitorar: produtos que prometem alta liquidez podem reter apenas metade a 60% dos ativos efetivamente travados, com o restante funcionando como colchão para atender saques.

No cenário descrito por Zettler, a expectativa de compressão adicional nos rendimentos da Ethereum até um ponto de equilíbrio sugere que investidores que buscam staking primariamente pela remuneração devem recalibrar expectativas, enquanto aqueles que já mantêm os ativos por convicção de longo prazo — o público que a Coinbase diz estar crescendo — tendem a ser menos sensíveis a essa queda marginal de yield.

Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos