Um ataque hacker contra a Binance resultou na subtração de 18.270 bitcoins, montante avaliado em cerca de US$ 1,4 bilhão, de acordo com reportagem da CoinDesk publicada neste sábado. O volume supera as reservas declaradas pela Tesla e representa mais do que o dobro do que El Salvador mantém em sua carteira nacional.
A firma de inteligência blockchain TRM Labs atribuiu o ataque, com alto grau de confiança, ao grupo TraderTraitor, unidade de hackers ligada ao governo norte-coreano. A Binance, por sua vez, ainda não identificou publicamente os responsáveis pela invasão.
Segundo a CoinDesk, a exchange informou que cerca de US$ 3 bilhões dos aproximadamente US$ 6,3 bilhões subtraídos em diferentes criptomoedas já foram congelados. A empresa também afirmou ter reservado mais de US$ 6,34 bilhões para cobrir eventuais perdas, enquanto os saques permanecem suspensos na plataforma.
Os números em perspectiva
Os 18.270 BTC roubados se comparam aos 11.509 BTC declarados pela Tesla e a cerca de 7.820 BTC registrados nas carteiras de reserva publicadas pelo National Bitcoin Office de El Salvador até sexta-feira. Considerando uma cotação de US$ 78.500 por moeda, citada pela CoinDesk, o montante subtraído equivale a aproximadamente US$ 1,4 bilhão.
O volume também chega perto dos 18.712 BTC declarados pela SpaceX, ficando a uma diferença de 442 BTC. Ambas as empresas divulgaram suas posições em relatórios trimestrais referentes a 30 de setembro, publicados neste mês.
El Salvador iniciou suas compras de bitcoin em setembro de 2021. Segundo a reportagem, o volume retirado da Binance equivale a aproximadamente 2,3 vezes a reserva atual do país, em transferências confirmadas em um único bloco da rede.
A TRM Labs relacionou o episódio ao mesmo grupo que o FBI responsabilizou pelo roubo de US$ 1,5 bilhão contra a exchange Bybit, ocorrido em fevereiro de 2025. A CoinDesk descreve que os fundos deixaram a carteira de movimentação diária da Binance na tarde de quinta-feira, sendo enviados a um novo endereço por meio de 11 transações, conforme registros do serviço mempool.space.
O endereço que recebeu os recursos distribuiu o valor entre 19 carteiras diferentes. Dezessete delas ficaram com exatamente 1.000 BTC cada, enquanto as outras duas retiveram cerca de 833 BTC e 438 BTC. Até a madrugada de sexta-feira, nenhuma dessas carteiras havia movimentado os valores recebidos.
Além dos bloqueios
De acordo com a Binance, cerca de US$ 3 bilhões do total subtraído em diferentes ativos já foram congelados na própria rede blockchain. Parte relevante dessa contenção partiu de emissoras de stablecoins, como Tether e Circle, cujos tokens atrelados ao dólar contam com mecanismos que permitem bloquear transferências de endereços específicos.
Exchanges e custodiantes também têm a capacidade de impedir movimentações de ativos roubados quando estes são depositados em suas plataformas, o que abre uma janela para que investigadores intercedam no momento em que os responsáveis tentam negociar ou converter os fundos em outras moedas.
A explicação da Binance sobre como o ataque ocorreu segue em elaboração. A investigação inicial apontava para o comprometimento do notebook de um engenheiro da empresa, mas uma atualização divulgada na sexta-feira revelou que outros pontos de entrada foram identificados. A exchange afirmou não ter encontrado evidências de vazamento das chaves privadas das carteiras.
A companhia reforçou que destinou mais de US$ 6,34 bilhões em recursos próprios para cobrir o episódio, dos quais US$ 5 bilhões já estavam mantidos nas próprias criptomoedas afetadas pelo roubo. O restante estaria sendo adquirido por meio de operações de mercado e negociações privadas, segundo a CoinDesk.
O que isso significa para o investidor
O episódio reacende a discussão sobre o risco de custódia em exchanges centralizadas, tema já abordado pela cobertura do AAR News ao noticiar que a Next Technology Holding, listada na Nasdaq, autorizou a venda ou o empréstimo de parte de seus 5.833 BTC citando justamente falhas de segurança em exchanges como fator de risco. Investidores expostos a ativos digitais via plataformas de terceiros devem reavaliar a concentração de custódia e considerar alternativas de autocustódia ou distribuição entre diferentes provedores.
O fato de o volume roubado superar reservas corporativas e soberanas de peso, como as de Tesla e El Salvador, também ilustra a escala que ataques a infraestrutura cripto já alcançam, mesmo com mecanismos de congelamento via stablecoins reduzindo parte do impacto. Para quem acompanha o mercado, o desfecho das investigações sobre os pontos de entrada da invasão pode influenciar a percepção de risco sobre grandes exchanges nas próximas semanas.
Em termos de preço, o bitcoin era negociado a US$ 78.102,64 às 21h51 (horário de Brasília) de 1º de novembro de 2026, recuo de 0,20% no dia, segundo dados do scanner TradingView — patamar próximo ao valor de referência usado pela CoinDesk para estimar o montante roubado. Investidores devem monitorar se novos desdobramentos do caso, incluindo eventuais recuperações de fundos congelados, pressionam a cotação no curto prazo.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos
