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Regulador europeu questiona acesso de Polymarket e Kalshi à UE

ESMA alerta que plataformas de mercados preditivos operam sem autorização necessária e aponta risco de contágio cripto em eventual venda de ações de tecnologia

Regulador europeu questiona acesso de Polymarket e Kalshi à UE
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A Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA) alertou nesta quinta-feira que as principais plataformas de mercados preditivos, incluindo Polymarket e Kalshi, não possuem a autorização geralmente exigida para atender usuários da União Europeia. O regulador divulgou relatório de risco apontando lacunas na fiscalização dessas plataformas e destacando a crescente vulnerabilidade dos ativos cripto a uma possível liquidação no setor de tecnologia.

Segundo a ESMA, a comercialização e venda de contratos de eventos na UE normalmente requer autorização europeia, que as maiores plataformas de mercados preditivos atualmente não detêm. Mercados preditivos permitem que usuários negociem contratos sobre eventos futuros — desde eleições e esportes até preços de criptomoedas e indicadores econômicos. Os contratos costumam pagar um valor fixo se determinado resultado ocorrer e nada caso contrário.

Ambas as plataformas proíbem negociações de alguns países da UE, mas deixam outros de fora de suas listas de jurisdições restritas, observou o regulador. A ESMA questionou por que nem todos os Estados-membros da União Europeia estão incluídos nas listas de territórios bloqueados, citando riscos de serviços não autorizados e violações das restrições existentes para investidores de varejo. O órgão também levantou dúvidas sobre a capacidade das plataformas de fiscalizar efetivamente o uso de redes privadas virtuais (VPNs) que podem ser empregadas para ocultar a localização dos usuários.

Diversos países dentro e fora da UE já se moveram para bloquear mercados preditivos. Em julho, a França ordenou que provedores de internet do país bloqueassem o acesso ao Polymarket, somando-se a bloqueios anteriores da Suíça, Polônia, Singapura, Bélgica, Portugal, Espanha, Brasil e outros.

Enquadramento regulatório depende do tipo de contrato

As regras aplicáveis dependem da natureza do contrato. Contratos de eventos podem se qualificar como instrumentos financeiros sob as normas europeias de valores mobiliários, enquadrar-se na estrutura de Mercados de Criptoativos (MiCA) do bloco se baseados em tecnologia de registro distribuído e não forem instrumentos financeiros, ou contar como jogos de azar sob legislação nacional, acrescentou o relatório.

Quando os contratos se qualificam como instrumentos financeiros, geralmente se enquadram nas medidas nacionais existentes sobre opções binárias que proíbem sua comercialização, distribuição e venda a investidores de varejo, afirmou a ESMA. As regras europeias de abuso de mercado podem abordar má conduta apenas quando os contratos se enquadram no perímetro regulatório financeiro, completou o regulador.

Bolha de IA e risco de contágio para cripto

Separadamente da questão dos mercados preditivos, grandes empresas de tecnologia estão tomando empréstimos pesados para financiar gastos com inteligência artificial, elevando avaliações e aumentando o risco de uma bolha de IA, alertou a ESMA. Se os investimentos em IA decepcionarem ou pressões de dívida desencadearem uma venda generalizada de ações de tecnologia, grandes investidores podem liquidar posições mais arriscadas e líquidas, incluindo criptomoedas, para levantar caixa.

Pablo Hernandez, chefe do Banco de Compensações Internacionais (BIS), na quinta-feira não chegou a prever uma bolha de IA, mas comparou o boom atual ao boom das pontocom do final dos anos 1990. Todos atraíram mais capital do que os retornos eventuais poderiam justificar, disse ele.

Criptomoedas estão mais expostas a esse tipo de choque do que em ciclos de mercado anteriores porque ETFs de bitcoin à vista, tokens emitidos por bancos e custódia institucional vincularam ativos digitais mais estreitamente às finanças tradicionais, afirmou o regulador europeu.

As ações se recuperaram após a escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã, mas cripto ainda não se recuperou, disse a ESMA. O órgão também observou que o bitcoin caiu 35% no primeiro semestre de 2026, enquanto tokens menores perderam até 61%. ETFs de bitcoin à vista dos EUA registraram mais de US$ 5,5 bilhões em saídas, e fundos de ether à vista perderam quase US$ 2 bilhões. A ESMA afirmou que uma liquidação no setor de tecnologia poderia provocar novas vendas de cripto.

O que isso significa para o investidor

O alerta da ESMA sobre mercados preditivos reforça o aperto regulatório global sobre plataformas que operam em zonas cinzentas jurídicas. Para quem investe em criptomoedas no Brasil, a questão central não é o acesso a Polymarket ou Kalshi — ambos já bloqueados em diversos países —, mas o precedente: reguladores estão mapeando sistematicamente serviços cripto que atendem usuários sem licença local. A tendência é de fiscalização mais rigorosa também por aqui, especialmente após a entrada em vigor de marcos regulatórios como o da Lei 14.478.

O segundo ponto do relatório — a vulnerabilidade de cripto a uma liquidação em ações de tecnologia — merece atenção redobrada. Segundo dados da TradingView de 10 de setembro de 2026 às 20h28 (horário de Brasília), o bitcoin operava a US$ 76.755,12, recuo de 1,96% no dia. A queda de 35% no primeiro semestre mencionada pela ESMA e as saídas bilionárias de ETFs à vista mostram que o mercado cripto está mais correlacionado com risco macro do que muitos investidores gostariam de admitir.

A integração de cripto às finanças tradicionais — via ETFs, custódia bancária e tokenização — trouxe liquidez e legitimidade, mas também expôs o setor a choques sistêmicos. Se grandes gestores precisarem levantar caixa rapidamente em meio a uma correção de ações de tecnologia infladas por gastos em IA, bitcoin e altcoins tendem a ser vendidos junto com outros ativos de risco. Investidores brasileiros expostos a cripto devem monitorar indicadores de estresse no setor de tecnologia dos EUA, fluxos de ETFs e sinais de alavancagem excessiva no mercado cripto.

Por fim, vale acompanhar desdobramentos regulatórios na Europa: decisões da ESMA costumam influenciar autoridades de outros mercados emergentes. O debate sobre enquadramento de contratos de eventos — se instrumento financeiro, criptoativo sob MiCA ou jogo de azar — pode servir de referência para futuras normas no Brasil, especialmente à medida que produtos derivados de cripto ganham tração local.

Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos