O barril de petróleo Brent — referência global para precificação — ultrapassou US$ 100 (cerca de £74) nesta quarta-feira, após nova rodada de ataques entre Estados Unidos e Irã e ofensivas do movimento houthi contra instalações sauditas. É a primeira vez que a commodity atinge esse patamar desde julho, segundo a BBC.
A escalada mais recente ocorreu depois que forças americanas atingiram cinco petroleiros iranianos na terça-feira, em resposta a um ataque de Teerã contra um navio de guerra dos EUA. Paralelamente, os houthis — apoiados pelo Irã no Iêmen — atacaram instalações petrolíferas na Arábia Saudita e seguem mirando embarcações no Mar Vermelho. O Brent chegou a recuar para US$ 99,90 o barril, mas analistas alertam que novos confrontos na região podem empurrar os preços ainda mais para cima.
O ciclo de retaliações entre Washington e Teerã se intensificou na última semana, mais de seis meses depois do início do conflito em 28 de fevereiro, quando EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã. Desde então, as cotações do petróleo oscilam de forma acentuada, com a instabilidade regional ampliando a pressão sobre a oferta global.
Fechamento do Estreito de Ormuz pressiona oferta
Antes do conflito, o Brent era negociado em torno de US$ 70 (£52) o barril. A guerra levou ao fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, passagem responsável por 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) transportados no mundo, conforme reporta a BBC.
Os ataques americanos de terça-feira atingiram quatro petroleiros no Golfo de Omã ligados ao Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) e outro próximo à Ilha de Kharg. Em resposta, Teerã lançou mísseis contra uma base dos EUA na Jordânia — a maioria interceptada — e afirmou ter atacado dois navios americanos e oito petroleiros no Estreito de Ormuz.
A Ilha de Kharg, alvo de um dos ataques americanos, abriga o principal terminal de exportação de petróleo do Irã. Cerca de 90% do óleo cru do país passa pela ilha no Golfo Pérsico, transportado por oleodutos desde o continente. O ataque com drones e mísseis causou incêndios em instalações petrolíferas e levou à paralisação temporária das operações, segundo os ministérios militar e de energia da Arábia Saudita.
Houthis e Arábia Saudita retomam confrontos
Os houthis e a Arábia Saudita também voltaram a trocar ataques desde julho, após o colapso de um cessar-fogo informal. Na segunda-feira, os houthis acusaram os sauditas de bombardear uma prisão em al-Hazm, matando 11 pessoas. No dia seguinte, autoridades sauditas informaram que os houthis atingiram alvos civis e econômicos nas cidades de Abha, Khamis Mushait, Jazan e Najran.
A mais recente escalada começou quando o Irã mirou um navio de guerra americano com mísseis balísticos. O Comando Central dos EUA (Centcom) informou que os projéteis foram "evitados com sucesso" e que nenhum militar americano ficou ferido nos ataques.
Washington justifica ataques a 'rede sombra' iraniana
Em resposta, os Estados Unidos afirmaram que os cinco petroleiros iranianos atacados "fazem parte de uma rede sombra multibilionária que financia o IRGC e seus aliados regionais". Um dos navios atingidos, o M/T Riesco, afundou no Golfo de Omã, segundo o Centcom, que publicou um vídeo da embarcação danificada na plataforma X.
Questionado por repórteres sobre as retaliações entre EUA e Irã, o secretário de Estado americano Marco Rubio disse na terça-feira que a situação é "bastante direta". "O Irã continua tentando atingir navios da Marinha dos EUA. E, cada vez que fizerem isso ou tentarem fazer isso, vão perder petroleiros. E acho que vocês verão isso de novo hoje", declarou Rubio durante viagem à Colômbia.
Irã alega captura de drone submarino americano
Os ataques dos EUA na terça-feira ocorreram horas depois de a Marinha iraniana afirmar ter capturado um submarino não tripulado americano no Estreito de Ormuz. O capitão Tim Hawkins, porta-voz do Centcom, informou que o "drone submarino operado por forças dos EUA apresentou mau funcionamento há mais de um dia" e era usado para monitorar águas regionais "em apoio a operações em andamento".
Segundo Hawkins, o drone defeituoso era "um modelo mais antigo que não coletou dados sensíveis nem carregava equipamento classificado de sonar ou radar". Ele acrescentou que as operações americanas nas águas regionais continuam normalmente. A reportagem da BBC contou com colaboração adicional de Peter Hoskins.
O que isso significa para o investidor
A volta do Brent à marca de US$ 100 o barril reacende o alerta de inflação global e pressiona bancos centrais que vinham sinalizando cortes de juros. Petróleo mais caro encarece combustíveis, fretes e insumos industriais, com impacto direto sobre índices de preços ao consumidor — especialmente em economias emergentes como o Brasil, onde o diesel e a gasolina pesam na cesta básica e na logística.
Para carteiras expostas a commodities, o cenário traz oportunidade e risco. Produtoras de petróleo e empresas de exploração tendem a se beneficiar de preços elevados, mas a volatilidade exige gestão ativa: qualquer sinal de desescalada no Oriente Médio pode derrubar as cotações rapidamente. Fundos de energia e ETFs de petróleo devem seguir oscilando conforme o noticiário geopolítico.
O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz — por onde passa um quinto do petróleo e do GNL mundial — é o fator estrutural mais preocupante. Enquanto a passagem estiver bloqueada ou sob risco, a oferta global permanece restrita e os preços tendem a sustentar patamares elevados. Investidores devem acompanhar declarações do Centcom, movimentações navais iranianas e posicionamento da OPEP, que pode ou não aumentar produção para compensar a escassez.
No curto prazo, o mercado reagirá a cada rodada de ataques e retaliações. A postura linha-dura de Marco Rubio sugere que Washington não pretende recuar, o que mantém o risco de novos choques de oferta. Para quem investe no Brasil, vale monitorar o repasse da Petrobras nas refinarias e o impacto sobre o IPCA — pressão inflacionária pode adiar cortes da Selic e pesar sobre renda variável doméstica.
Agregado por AAR News · fonte: BBC
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