As taxas do Tesouro Direto registraram queda generalizada nesta terça-feira (8), após o feriado, com os juros futuros recuando mesmo diante da alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano. O movimento reflete a predominância de fatores domésticos sobre o cenário externo, com investidores voltados para o quadro eleitoral brasileiro e expectativas de arrefecimento da inflação local.
Pesquisa divulgada nesta terça pelo BTG em parceria com a Nexus aponta que dois candidatos da oposição — o senador do PL pelo Rio de Janeiro e um escritor filiado ao Avante — aparecem numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em simulações de segundo turno, embora dentro da margem de erro. A sinalização de mudança no cenário político contribuiu para o alívio nas taxas.
Prefixados lideram o recuo
Entre os papéis prefixados, o Tesouro Prefixado 2032 teve a maior queda, recuando seis pontos-base para 14,17%. O vencimento 2029 cedeu três pontos-base, enquanto o título com Juros Semestrais 2037 aliviou cinco pontos-base, encerrando em 14,23%.
A movimentação nos prefixados reflete apostas de que o Banco Central terá espaço para manter o ciclo de cortes na Selic, com o mercado precificando menor risco de pressão inflacionária à frente.
IPCA+ 2032 no menor nível em quatro meses
Nos títulos indexados à inflação, o destaque ficou com o Tesouro IPCA+ 2032, cujo juro real caiu cinco pontos-base para 7,80%, o patamar mais baixo desde maio. O IPCA+ com Juros Semestrais 2037 recuou de 7,54% para 7,51%.
Já os vencimentos mais longos apresentaram comportamento misto: o IPCA+ 2040 e o IPCA+ com Juros Semestrais 2045 permaneceram estáveis, enquanto o papel mais longo, com vencimento em 2050, registrou leve alta.
A queda nos juros reais acompanha a melhora nas expectativas de inflação, após a prévia do IPCA ter registrado deflação e o PIB divulgado na semana passada ter vindo abaixo das projeções. O IPCA cheio de agosto será conhecido na próxima sexta-feira, com o mercado aguardando confirmação do alívio nos preços.
Expectativa de novo corte na Selic
Diego Barnuevo, analista de mercados da Ebury, avalia que a moderação nos preços deve fornecer argumentos adicionais ao Banco Central para promover mais um corte de 25 pontos-base na taxa básica de juros neste mês. A autoridade monetária se reúne em duas semanas para decidir sobre a Selic, atualmente em patamar que permite continuidade do ciclo de afrouxamento.
No segmento de títulos pós-fixados, o Tesouro Selic 2031 oferecia remuneração de SELIC mais 0,0731%, enquanto o Tesouro Reserva 2036 seguia atrelado à taxa básica sem prêmio adicional.
Exterior pressiona, mas não contamina
Apesar do recuo doméstico, o cenário externo segue desafiador. Os rendimentos dos Treasuries americanos subiram nesta terça, pressionados pela escalada do petróleo, que volta a se aproximar de US$ 100 por barril. A commodity tem sido o principal fator de pressão inflacionária global, elevando preocupações sobre a persistência de juros altos nas economias desenvolvidas.
No entanto, o mercado brasileiro optou por dar maior peso aos desenvolvimentos locais, com a combinação de sinais políticos e dados econômicos mais benignos sobrepondo-se às tensões vindas de fora.
O que isso significa para o investidor
A queda nas taxas do Tesouro Direto amplia a janela de oportunidade para quem busca travar rentabilidades atrativas em renda fixa, especialmente nos papéis prefixados e indexados à inflação com vencimentos intermediários. O IPCA+ 2032, ao menor nível em quatro meses, ainda oferece juro real próximo de 8%, patamar historicamente elevado que pode não se sustentar caso o ciclo de cortes da Selic ganhe tração.
Para investidores com horizonte de médio e longo prazo, a combinação de inflação em desaceleração e possível continuidade do afrouxamento monetário sugere que as taxas atuais podem representar bons pontos de entrada, antes que eventual consolidação do cenário político e econômico provoque nova compressão nos prêmios.
O calendário da semana traz o IPCA de agosto na sexta-feira, conforme destacado pela cobertura anterior do AAR News. Confirmação de arrefecimento nos preços ao consumidor reforçará a tese de corte de 25 pontos-base na Selic, enquanto surpresa altista pode interromper o rali dos títulos públicos. Acompanhar a divulgação e a reação da curva de juros será essencial para calibrar posições.
No front político, novas pesquisas nas próximas semanas definirão se o movimento de hoje representa apenas volatilidade ou início de reprecificação mais estrutural do risco-país. Investidores devem monitorar tanto os levantamentos eleitorais quanto declarações de candidatos sobre política econômica e fiscal, fatores que influenciarão diretamente a trajetória dos juros de longo prazo.
Agregado por AAR News · fonte: InfoMoney
Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos