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Gundlach: Fed deveria ter subido juros em 0,50 ponto para conter inflação

Fundador da DoubleLine critica alta de apenas 0,25 ponto e diz que mercado de Treasuries já precificava ajuste maior

Gundlach: Fed deveria ter subido juros em 0,50 ponto para conter inflação
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O Federal Reserve deveria ter elevado os juros em meio ponto percentual na reunião de quarta-feira, e não apenas um quarto de ponto, segundo Jeff Gundlach, fundador da gestora DoubleLine. Em entrevista à CNBC, o investidor disse que um ajuste de 0,50 ponto teria sido um movimento de "atordoar e encerrar" — uma variação da expressão "one and done", usada por analistas que acreditam que o Fed fará apenas uma ou duas altas antes de pausar.

Gundlach, um dos gestores de renda fixa mais influentes do mercado, afirmou que a alta de 0,50 ponto teria promovido um "ajuste de verdade" na taxa básica americana. Ele destacou que o rendimento do Treasury de dois anos estava mais de 100 pontos-base acima da taxa de fundos federais, segundo suas observações. O título de dois anos, que reflete as expectativas de curto prazo para a política monetária, subiu cerca de 7 pontos-base na tarde de quarta-feira.

O gestor manifestou preocupação de que o problema inflacionário nos Estados Unidos possa não estar sendo "totalmente respeitado" pelas autoridades. "Eu teria simplesmente feito os 0,50 ponto e depois veria o que os dados mostram", declarou Gundlach à CNBC.

Ele reconheceu que já defendeu aumentos maiores do que os implementados pelo Fed em ocasiões anteriores. Gundlach reforçou sua tese de que o Treasury de dois anos "lidera" as decisões do banco central, hipótese que, segundo ele, foi comprovada correta na quarta-feira.

Reação do mercado e críticas a Warsh

Gundlach disse não ter se surpreendido ao ver as ações caírem durante a coletiva de imprensa do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, após o anúncio da decisão. O índice Dow Jones Industrial Average recuou 700 pontos no fim da tarde, com as perdas se acelerando durante e depois da fala de Warsh.

"Achei o conteúdo bastante raso", afirmou Gundlach sobre a coletiva do presidente do Fed. Mais adiante, ele acrescentou que o chefe do banco central foi "opaco" em suas declarações.

O fundador da DoubleLine também criticou a iniciativa de Warsh de criar forças-tarefa para avaliar diversos aspectos-chave das operações do Fed. "É como uma empresa que está com problemas e quer contratar consultores", comparou Gundlach. "Os consultores sempre querem descobrir o que as pessoas da empresa realmente querem ouvir, e então dizem a elas o que elas querem ouvir."

O que isso significa para o investidor

A crítica de Gundlach reflete uma tensão crescente entre o mercado de renda fixa e a condução da política monetária pelo Fed. Quando o Treasury de dois anos negocia mais de 100 pontos-base acima da taxa básica, o mercado está sinalizando que espera juros substancialmente mais altos — e que o banco central pode estar atrasado no ciclo de aperto.

Para quem investe no Brasil, a dinâmica importa por dois canais. Primeiro, juros americanos mais altos tendem a fortalecer o dólar e pressionar moedas emergentes, incluindo o real. Segundo, se o Fed precisar acelerar o ritmo de alta para recuperar credibilidade no combate à inflação, a volatilidade nos mercados globais deve aumentar, afetando fluxos para ativos de risco.

A postura "opaca" de Warsh, apontada por Gundlach, adiciona incerteza. Investidores preferem clareza sobre a trajetória dos juros; comunicação confusa ou percepção de que o Fed está atrás da curva pode amplificar oscilações tanto em Treasuries quanto em bolsas. Vale acompanhar os próximos dados de inflação nos EUA e se o banco central ajustará o tom — ou o tamanho dos próximos passos — nas reuniões seguintes.

A leitura do gestor da DoubleLine é que o mercado já precifica um Fed mais agressivo do que o banco central tem demonstrado ser. Se essa divergência persistir, episódios como a queda de 700 pontos no Dow na quarta-feira podem se repetir, especialmente em dias de decisão e coletiva.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos