O preço do diesel nos Estados Unidos atingiu máxima histórica de cerca de US$ 6,31 por galão na quarta-feira, segundo dados da AAA divulgados pela CNBC. O combustível, essencial para caminhões e trens que movimentam a economia americana, acumula alta superior a 70% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Analistas atribuem a escalada à interrupção de oferta provocada pela guerra dos EUA com o Irã. O choque de preços levou empresas de transporte — setor que adicionou US$ 1,9 trilhão ao PIB americano em 2024, equivalente a mais de 6% do total — a emitir alertas sobre impactos nos resultados e na atividade econômica.
Transportadoras projetam queda de lucros
Brad Delco, diretor financeiro da transportadora J.B. Hunt, afirmou em conferência do setor organizada pelo Morgan Stanley que a companhia registrou "algumas das oscilações mais radicais e anormais nos preços de combustível que já vimos", segundo a CNBC.
Delco projetou recuo de 5% a 10% nos lucros entre o segundo e o terceiro trimestre em função dos custos mais elevados. As ações da J.B. Hunt caíram mais de 13% no pregão de quarta-feira, caminho para um dos piores desempenhos desde a abertura de capital da empresa em 1983.
O índice Dow Jones Transportation Average, que reúne empresas do setor incluindo transportadoras, companhias aéreas e aplicativos de mobilidade, recuou mais de 2% no meio da sessão de quarta-feira. A J.B. Hunt foi a maior queda do indicador.
Preços podem chegar a US$ 8 no meio-oeste
Patrick De Haan, chefe de análise de petróleo da plataforma de rastreamento de preços GasBuddy, alertou que as pressões relacionadas ao diesel devem se intensificar nos próximos dias, conforme reportado pela CNBC.
De Haan estimou que a média nacional pode ultrapassar US$ 6,50 por galão nos próximos dois dias. Estados do meio-oeste como Michigan, Ohio e Illinois podem ver o diesel tocar US$ 7 por galão em breve, de acordo com suas projeções.
Na Califórnia, a AAA registrou que o preço médio do galão de diesel já superou US$ 8. Os valores subiram quase 20% apenas no último mês, segundo dados da associação de clubes automotivos.
"Estamos falando de diesel a US$ 6, mas aqui é diesel a US$ 8, como notamos no caminho, o que parece ficção científica", disse Claude Elkins, diretor comercial da operadora ferroviária Norfolk Southern, na terça-feira durante a conferência do Morgan Stanley realizada em Laguna Beach, Califórnia, conforme citado pela CNBC.
Executivos temem arrasto sobre consumidor
Elkins afirmou que mantém "um olhar muito cauteloso" e tem conversas sobre o que esses patamares de preços "significarão para a economia". O setor de serviços de transporte representou US$ 1,9 trilhão da economia americana em 2024, mais de 6% do produto interno bruto aprimorado total do país, segundo o Bureau of Transportation Statistics citado pela reportagem.
"Isso certamente é algo para o qual temos de manter os olhos abertos", disse Elkins. "No fim das contas, ao longo de algum período de tempo, isso vai ser um peso sobre o consumidor."
As vendas no varejo subiram 1,2% de julho para agosto apesar das pressões inflacionárias relacionadas à energia, segundo dados mencionados pela CNBC. Excluindo gastos com automóveis e postos de gasolina, as vendas cresceram no maior ritmo em mais de um ano.
Impacto na safra e cadeia de alimentos
Ainda assim, a alta recorde do diesel coincidindo com a temporada de colheita de outono significa que os custos vão disparar para produtores de culturas como milho e trigo, de acordo com Jacob Aiken-Phillips, chefe de pesquisa de consumo e varejo da Melius Research, citado pela CNBC.
Economistas alertaram que insumos mais caros podem resultar em choque de preços para americanos ao fazer compras no supermercado ou comer fora. Mas Aiken-Phillips disse que essas pressões inflacionárias relacionadas ao combustível devem ser absorvidas primeiro por agricultores, transportadores e varejistas antes de serem repassadas aos consumidores na forma de aumentos de preços.
George Gianarikas, analista da Canaccord Genuity, disse a clientes na quarta-feira que a alta dos preços de combustível pode ajudar a impulsionar a demanda no setor de transporte por caminhões autônomos e ofertas de frete elétrico, segundo a CNBC.
O que isso significa para o investidor
A escalada do diesel para níveis recordes nos Estados Unidos representa um risco material para a rentabilidade de transportadoras e para a dinâmica inflacionária da maior economia do mundo. Empresas como J.B. Hunt já sinalizam compressão de margens na casa de um dígito, e o índice setorial Dow Jones Transportation Average — historicamente visto como termômetro antecedente da atividade econômica — acumula perdas que refletem a preocupação do mercado.
Para investidores com exposição a ações americanas, o movimento exige atenção a dois vetores. Primeiro, o impacto direto sobre companhias de logística, ferrovias e transporte rodoviário, que enfrentam custos crescentes num momento em que a capacidade de repasse ao cliente pode estar limitada pela sensibilidade do consumidor. Segundo, o efeito indireto sobre cadeias produtivas: a colheita de outono pressionada por combustível caro tende a elevar custos de alimentos, ampliando o risco de nova rodada inflacionária mesmo com vendas no varejo ainda resilientes.
O cenário também abre espaço para teses de longo prazo em tecnologias de transporte alternativo — veículos elétricos de carga e automação —, segmentos que podem ganhar tração conforme a volatilidade do petróleo torna a eletrificação mais atrativa economicamente. No curto prazo, monitorar os dados semanais de estoque de diesel e as declarações do Federal Reserve sobre inflação de energia será essencial para calibrar expectativas de juros e avaliar a sustentabilidade da recuperação do consumo americano.
Agregado por AAR News · fonte: CNBC
Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos
