Economia · Estados Unidos

Goldman Sachs liga queda na confiança do consumidor americano a 'menos felicidade'

Banco diz que pessimismo social, e não só a economia, explica por que sentimento do consumidor segue fraco mesmo com atividade sólida

CNBC

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A confiança do consumidor nos Estados Unidos despencou para mínimas recordes em 2025, mesmo com indicadores econômicos tradicionais mostrando desempenho sólido. Para o Goldman Sachs, parte da explicação está em algo que vai além de dados econômicos convencionais: uma queda estrutural na felicidade da população americana, segundo reportagem da CNBC.

O índice de sentimento do consumidor calculado pela Universidade de Michigan recuou 13% na comparação anual em setembro, com uma queda de quase 8% apenas entre agosto e setembro. O tombo reacende uma pergunta que economistas vêm fazendo desde a pandemia: por que a confiança segue deprimida mesmo com a economia funcionando bem no papel.

O diagnóstico do Goldman Sachs

Em nota a clientes citada pela CNBC, o economista do Goldman Sachs Joseph Briggs afirmou que os baixos níveis de sentimento econômico refletem, provavelmente, uma avaliação mais profunda e pessimista sobre o estado do mundo, e não propriamente sobre a economia. Segundo ele, essa leitura ajuda a explicar por que a confiança do consumidor está descolada de outros indicadores de desempenho econômico, como o crescimento do Produto Interno Bruto e o desempenho do mercado de ações, que apresentam um quadro mais favorável.

Briggs pondera que pressões inflacionárias seguem pesando sobre a confiança dos consumidores. Ainda assim, para ele, a 'queda na felicidade' de forma mais ampla ajuda a explicar parte desse descolamento persistente entre percepção e realidade econômica, de acordo com a CNBC.

Os números da felicidade

Para sustentar sua tese, o economista do Goldman recorreu a dados da Pesquisa Social Geral da Universidade de Chicago, que mostram que a felicidade dos americanos nunca se recuperou totalmente da queda registrada durante a pandemia. A parcela de entrevistados que se disseram 'muito felizes' caiu para 23% em 2024, ante 31% em 2016, segundo os dados da pesquisa citados pela CNBC. No mesmo período, o percentual dos que responderam estar 'não muito felizes' subiu de 13% para 20%.

Segundo a análise de Briggs sobre esses dados, a felicidade geral registrou um declínio mais acentuado do que a satisfação financeira, outro item acompanhado pela mesma pesquisa.

Confiança nas instituições também caiu

Briggs não é o único economista a apontar a queda na felicidade como fator relevante. Joanne Hsu, diretora da pesquisa de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, disse à CNBC ainda no início do ano que a tendência de queda na confiança acompanha leituras que mostram tanto menos felicidade quanto menor confiança nas instituições públicas.

O economista do Goldman também traçou uma conexão entre a queda na felicidade geral e a diminuição da confiança em instituições. Segundo ele, a menor confiança nessas instituições foi responsável por uma 'parcela desproporcional' da queda líquida de felicidade observada nos últimos anos.

Diante dessa conexão com variáveis que não são estritamente econômicas, Briggs avalia que as leituras de sentimento do consumidor podem não melhorar mesmo que a economia americana continue em expansão. Como consequência, segundo ele, o indicador de sentimento do consumidor tende a se tornar um preditor menos útil da dinâmica econômica.

O que isso significa para o investidor

A leitura do Goldman Sachs traz um alerta metodológico relevante para quem acompanha os Estados Unidos a partir de indicadores de confiança: se o descolamento entre sentimento e atividade econômica tem raízes em fatores sociais e institucionais, e não apenas em inflação ou emprego, o indicador de Michigan perde parte de seu valor preditivo tradicional para antecipar consumo e crescimento.

Para investidores brasileiros expostos a ativos americanos, a mensagem prática é de cautela na interpretação de dados de sentimento isoladamente. Se a confiança segue fraca mesmo com PIB e mercado de ações em trajetória mais favorável, como aponta a nota de Briggs, decisões de alocação apoiadas apenas nesse indicador podem levar a leituras equivocadas sobre a real saúde do consumo americano.

Vale acompanhar se essa dissociação entre sentimento e fundamentos econômicos se aprofunda nos próximos meses, e se outros bancos e institutos de pesquisa passam a adotar interpretações semelhantes à do Goldman Sachs. Caso a tese de Briggs se confirme, o mercado pode gradualmente reduzir o peso dado a esse tipo de pesquisa em suas leituras sobre o ciclo econômico americano, dando mais espaço para dados de atividade real, como vendas no varejo e mercado de trabalho, na formação de expectativas.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

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