Os contratos futuros dos principais índices norte-americanos operavam praticamente estáveis na noite de quinta-feira, enquanto operadores aguardam a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de agosto, prevista para esta sexta-feira. Futuros do S&P 500 registravam leve alta, enquanto os do Dow Jones recuavam apenas 11 pontos e os do Nasdaq 100 subiam menos de 0,1%.
No pregão regular de quinta, o Dow Jones caiu mais de 300 pontos, equivalente a 0,6%, enquanto o S&P 500 perdeu 0,6% e o Nasdaq Composite recuou 0,7%. Foi o quarto dia consecutivo de perdas para os três principais índices. Na semana, o Dow caminha para uma queda de 2,5%, enquanto S&P 500 e Nasdaq apontam para perdas de 1,6% cada.
Petróleo acima de US$ 100 pressiona ações e eleva juros
As ações foram pressionadas pela disparada dos preços do petróleo, com os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI) saltando acima de US$ 100 por barril. Tanto o petróleo norte-americano quanto o Brent internacional registraram os maiores preços de fechamento desde 19 de maio, em meio à continuidade do conflito entre Estados Unidos e Irã pelo sétimo mês consecutivo.
Os juros subiram em paralelo ao petróleo, com o rendimento da nota de 10 anos superando 4,95% e atingindo o nível mais alto desde outubro de 2023. O movimento reflete preocupações do mercado com pressões inflacionárias derivadas da escalada energética e suas implicações para a política monetária do Federal Reserve.
Inflação no atacado acelera em agosto
Operadores também digeriram na quinta-feira o índice de preços ao produtor (PPI) de agosto, que mede a inflação no atacado. A métrica subiu 0,4% na base mensal e avançou 5,4% na comparação anual, sinalizando pressões de custo que podem se transmitir aos preços finais.
Todas as atenções agora se voltam para a leitura do CPI de agosto, que será divulgada nesta sexta-feira. Economistas consultados pela Dow Jones antecipam alta de 0,4% na base mensal e taxa anual de 3,4%. O relatório será peça central na decisão do Federal Reserve sobre juros marcada para 16 de setembro.
Contratos futuros de Fed funds indicam cerca de 71% de probabilidade de alta de juros, segundo a ferramenta FedWatch do CME Group. O resultado do CPI será determinante para definir se o Fed mantém as taxas ou promove novo aperto na semana que vem, afirmou Christopher Hodge, economista-chefe para os Estados Unidos da Natixis CIB Americas.
Segundo Hodge, uma leitura em linha com o consenso representaria o quarto mês consecutivo de dados encorajadores de inflação e aliviaria a pressão por alta de juros pelo Fed em setembro. Porém, se a inflação vier acima do consenso, a expectativa é de alta na reunião da próxima semana.
Oracle supera expectativas no trimestre fiscal
As ações da Oracle saltaram mais de 4% após a companhia superar as projeções de receita e lucro por ação em relação ao consenso da LSEG. No primeiro trimestre fiscal, a empresa reportou lucro ajustado de US$ 1,92 por ação, enquanto analistas consultados pela LSEG esperavam US$ 1,74 por ação.
A receita da Oracle atingiu US$ 19,35 bilhões, comparada ao consenso de US$ 19,14 bilhões da LSEG. Em briefing com jornalistas, o diretor financeiro da companhia afirmou que a orientação de gastos de capital para o ano fiscal completo permanece inalterada.
Movimentos no after hours
Diversas ações registraram movimentos expressivos no pregão estendido, conforme empresas divulgaram seus mais recentes resultados trimestrais. A Oracle liderou os ganhos, com alta de 6% após superar as expectativas de Wall Street no primeiro trimestre fiscal. A gigante de software registrou lucro ajustado de US$ 1,92 por ação e receita de US$ 19,35 bilhões, acima dos US$ 1,74 por ação e US$ 19,14 bilhões esperados por analistas da LSEG.
A Adobe recuou 2% após divulgar orientação para o trimestre atual aproximadamente em linha com as estimativas. A fabricante do Adobe Creative Cloud projeta lucro ajustado entre US$ 6,30 e US$ 6,35 por ação, versus consenso da LSEG de US$ 6,32 por ação. A receita para o período deve ficar entre US$ 6,80 bilhões e US$ 6,85 bilhões, comparada ao consenso de US$ 6,85 bilhões.
O que isso significa para o investidor
O CPI de sexta-feira se tornou o evento mais relevante da semana para quem investe em ativos norte-americanos. Com o petróleo acima de US$ 100 e o PPI mostrando aceleração, o risco de uma leitura quente de inflação ao consumidor aumentou — e com ela a probabilidade de o Fed subir juros pela primeira vez em meses, revertendo o ciclo de cortes iniciado em 2024. Segundo dados da TradingView de 10 de setembro de 2026 às 20h28 (horário de Brasília), o S&P 500 fechou em 7.591,70 pontos, queda de 0,58% no dia, e o Nasdaq em 26.081,72 pontos, baixa de 0,65%.
A combinação de juros de 10 anos no maior nível em quase três anos e petróleo em máximas desde maio cria um ambiente desafiador para ações, especialmente setores sensíveis a custo de capital e energia. Se o CPI vier em linha ou abaixo do consenso de 3,4% anual, o mercado pode interpretar como espaço para o Fed pausar, aliviando a pressão sobre múltiplos de valuation. Leitura acima de 3,4%, por outro lado, reforçaria o cenário de aperto e poderia estender a sequência de perdas dos índices.
Para investidores brasileiros com exposição a ações americanas ou fundos internacionais, vale acompanhar não só o número headline do CPI, mas também o núcleo (que exclui alimentos e energia) e a reação dos juros futuros. A trajetória do dólar e dos Treasuries nas próximas sessões definirá o apetite por risco em mercados emergentes. Empresas de tecnologia como Oracle mostram que resultados sólidos ainda conseguem sustentar valorização mesmo em ambiente macro adverso — um lembrete de que seleção continua importando mais que timing de mercado em ciclos voláteis.
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