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Ethereum vai permitir pagar taxas de rede sem precisar ter ETH na carteira

Recurso Frame Transactions foi confirmado para o upgrade Hegotá em 2027 e resolve problema de usuários com stablecoins travadas por falta de ether para gas fees

CoinDesk

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Os desenvolvedores do Ethereum agendaram oficialmente a inclusão do recurso Frame Transactions no upgrade Hegotá, previsto para 2027. A funcionalidade permite que aplicativos ou contas paguem as taxas de transação em ether no lugar de outro usuário, eliminando a necessidade de manter a criptomoeda na carteira para movimentar ativos na rede.

A proposta técnica EIP-8141 foi movida para o status Scheduled for Inclusion durante a reunião de desenvolvedores do núcleo do protocolo em 27 de agosto, segundo informou a CoinDesk. Com isso, o recurso deixa de ser apenas candidato e passa a integrar formalmente o roteiro da próxima grande atualização da blockchain.

O problema que a mudança resolve é conhecido: uma carteira pode conter centenas de dólares em stablecoins e ainda assim ficar impossibilitada de movimentá-los. Isso acontece porque a blockchain Ethereum cobra uma taxa, paga em ether, para cada transação. Sem ether na carteira, não há como pagar essa taxa — e os fundos ficam travados.

Vitalik Buterin, cofundador do Ethereum e um dos dez autores da proposta, escreveu no X no final de domingo que muito progresso importante no desenvolvimento dos Frames aconteceu discretamente nos últimos meses. A atualização Hegotá sucederá o upgrade Glamsterdam, previsto para o final deste ano.

Como funcionam as Frame Transactions

O mecanismo dos Frames divide uma transação em etapas separadas. Uma etapa verifica se o usuário autorizou a operação, outra estabelece quem está pagando a taxa e as demais executam as instruções necessárias. A conta que envia o dinheiro e a conta que paga para movimentá-lo deixam de precisar ser a mesma.

Sob a proposta, um aplicativo de pagamentos poderia, por exemplo, cobrir a taxa ele mesmo ou aceitar stablecoins do usuário e liquidar a conta em ether em nome dele. O Ethereum continua sendo pago em ether, mas o usuário final nunca precisa comprar a criptomoeda.

Algumas carteiras já oferecem essa capacidade por meio de serviços separados que agrupam transações e as submetem à rede. Os Frames permitiriam que isso acontecesse através do fluxo ordinário de transações do Ethereum, sem envolver terceiros.

A proposta também agrupa etapas que só fazem sentido em conjunto. Negociar um token hoje frequentemente significa aprovar um aplicativo para gastá-lo e depois submeter a negociação. Os Frames empacotam os dois processos de modo que, se a negociação falhar, a permissão concedida junto com ela seja retirada em vez de ficar ativa.

Proteção contra computação quântica

Cada conta Ethereum é controlada por uma chave privada, uma longa sequência alfanumérica secreta que prova propriedade e não pode ser alterada. Perder essa chave significa perder os fundos, porque a matemática por trás dela é tão complexa que, embora um computador quântico poderoso possa em tese eventualmente conseguir quebrá-la, a tecnologia atual não consegue.

Os Frames permitiriam que uma conta defina suas próprias regras para aprovar transações. Com isso, a chave que a controla poderia ser trocada por uma nova ou por um tipo de chave que nem computadores quânticos conseguiriam quebrar, sem precisar mover nada para um novo endereço.

A especificação ainda é um rascunho e seus detalhes podem mudar antes do Hegotá. Ninguém pode usar os Frames hoje. As mudanças no Ethereum são agrupadas em upgrades a cada ano ou mais, cada um com um codinome. O Glamsterdam está previsto para o final de 2026 e o Hegotá, que incluirá o aprimoramento das Frame Transactions, virá na sequência em 2027.

O que isso significa para o investidor

A inclusão formal das Frame Transactions no roteiro do Ethereum representa um avanço na usabilidade da rede que pode reduzir barreiras de entrada para novos usuários e ampliar casos de uso em finanças descentralizadas. Para quem investe em Ethereum ou em aplicações construídas sobre a rede, a mudança sinaliza que o protocolo está endereçando um dos principais pontos de fricção relatados por usuários: a necessidade de manter ether apenas para pagar taxas, mesmo quando o objetivo é operar com outros ativos.

A possibilidade de aplicativos absorverem o custo das gas fees ou aceitarem pagamento em stablecoins pode acelerar a adoção de carteiras e serviços DeFi por públicos menos familiarizados com criptomoedas. Isso é especialmente relevante em mercados emergentes, onde stablecoins lastreadas em dólar já funcionam como reserva de valor, mas a complexidade de adquirir ether para movimentá-las afasta usuários potenciais.

Do ponto de vista de segurança, a capacidade de trocar chaves privadas sem migrar fundos para novos endereços adiciona uma camada de proteção contra ameaças futuras, incluindo a computação quântica. Embora essa tecnologia ainda esteja distante de representar risco prático, a preparação antecipada do protocolo reforça a tese de longevidade do Ethereum como infraestrutura de contratos inteligentes.

No curto prazo, o ether negociava a US$ 2.493,31 em 07 de setembro de 2026 às 20h50 BRT, com queda de 0,87% no dia, segundo dados da TradingView. O mercado tende a precificar melhorias de usabilidade com antecedência, mas o impacto mais expressivo deve vir da adoção efetiva após o lançamento do Hegotá em 2027. Investidores devem acompanhar o ritmo de testes em redes de desenvolvimento e eventuais ajustes na especificação da EIP-8141 ao longo dos próximos trimestres, além de observar como competidores do Ethereum — que já oferecem modelos de taxas mais flexíveis — reagem à mudança.

Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos