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Bolsas de NY recuam com petróleo acima de US$ 100 e temor de alta de juros

WTI ultrapassou a marca de três dígitos pela primeira vez em meses; rendimento do Treasury de 10 anos atingiu maior nível desde novembro de 2023

Bolsas de NY recuam com petróleo acima de US$ 100 e temor de alta de juros
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As bolsas norte-americanas operaram em queda nesta quinta-feira depois que os preços do petróleo nos Estados Unidos ultrapassaram US$ 100 por barril, intensificando temores de inflação mais alta em meio à guerra prolongada no Oriente Médio. O movimento pressionou os rendimentos dos títulos do Tesouro e levou investidores a reduzir exposição em ações de tecnologia.

O Dow Jones Industrial Average recuou 195 pontos, ou 0,4%. O S&P 500 caiu 0,6%, enquanto o Nasdaq Composite registrou baixa de 0,9%. A sessão marca o quarto dia consecutivo de perdas para os principais índices, segundo a CNBC.

Petróleo volta a superar US$ 100 com escalada no conflito

Os preços do petróleo subiram 4% nesta quinta-feira após a intensificação dos combates entre Estados Unidos e Irã nesta semana, com a guerra entrando no sétimo mês sem perspectiva de encerramento. O West Texas Intermediate (WTI) para entrega em outubro avançou 4,4% e atingiu US$ 100,27 por barril às 8h57 (horário de Nova York), de acordo com dados da CNBC.

O Brent, referência internacional para novembro, subiu 4% e alcançou US$ 105,24 por barril. A marca de três dígitos para o WTI representa o maior patamar em meses e reacende preocupações sobre pressão inflacionária derivada de energia.

O salto nos preços do petróleo empurrou o rendimento do Treasury de 10 anos acima de 4,9%, o nível mais alto desde novembro de 2023. O título de referência para hipotecas, financiamentos de veículos e cartões de crédito operava em alta de mais de 2 pontos-base, a 4,8589%, segundo a fonte.

O rendimento do Treasury de 2 anos, mais sensível às decisões de curto prazo do Federal Reserve sobre juros, avançou 1 ponto-base para 4,4404%. Já o título de 30 anos, que tende a refletir riscos geopolíticos mais amplos, subia mais de 2 pontos-base para 5,3092%.

Ações de chips lideram perdas com temor de desaceleração

Papéis de semicondutores de alto beta, que lideraram o mercado de alta, operaram em queda diante do receio de que juros mais altos e petróleo caro possam desacelerar a economia. Intel recuou 3% e Micron Technology caiu 2%, conforme reportado pela CNBC.

Mineradoras de cobre também figuraram entre as maiores baixas no pré-mercado. Freeport-McMoRan e Southern Copper tombaram cerca de 7% cada, acompanhando a queda nos preços do metal.

Inflação no atacado vem em linha, mas não acalma mercado

Um relatório de inflação no atacado dentro do esperado não foi suficiente para dissipar os temores em torno de juros mais altos e preços do petróleo. O índice de preços ao produtor (PPI) de agosto, que mede a inflação no atacado, subiu 0,4% com ajuste sazonal no mês, em linha com o consenso Dow Jones, segundo a CNBC.

Na base anual, o PPI ficou em 5,4%, ainda bem acima da meta de inflação de 2% do Federal Reserve. O dado antecede a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) nesta sexta-feira, aguardado com atenção pelo mercado.

Ambos os números alimentam o principal indicador de inflação do Fed, o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), que só será divulgado após a votação sobre juros do banco central marcada para 16 de setembro.

"A divulgação do PPI em si foi inconclusiva, no sentido de que não ajuda realmente a resolver a questão de 'alta ou não' do Fed na semana que vem, mas os preços do petróleo WTI voltando acima de US$ 100 e os rendimentos do Treasury atingindo novas máximas certamente estão elevando as apostas para os investidores antes do relatório crucial do CPI de amanhã", escreveu Stephen Coltman, chefe de macro da 21shares, citado pela fonte.

Contratos futuros de fed funds precificavam 74% de probabilidade de alta de um quarto de ponto percentual após a conclusão da reunião da semana que vem, de acordo com a ferramenta CME FedWatch Tool.

Tesouro amplia recompra de dívida de longo prazo

Os principais índices vinham de três dias consecutivos de queda, após o Departamento do Tesouro anunciar que recomprará até US$ 6 bilhões em títulos de dívida de prazo mais longo — o triplo do valor usual. Há menos de um mês, o Tesouro havia informado que mais do que dobraria o tamanho de suas recompras de dívida pública, que eram de US$ 2 bilhões, segundo a CNBC.

A medida busca gerenciar a oferta de títulos longos no mercado, mas a ampliação do programa ocorre em momento de pressão sobre os rendimentos e preocupação com a trajetória fiscal.

Ações em destaque no pré-mercado

Entre os papéis com maior movimentação antes da abertura, Meta Platforms subiu 1,3% após upgrade do JPMorgan. O banco vê "potencial de alta significativo" à medida que a Meta implementa seus modelos e produtos de inteligência artificial, conforme reportado pela CNBC.

A farmacêutica suíça Novartis ganhou quase 2% depois que a Reuters informou que um grande acionista pediu uma reformulação do conselho da empresa para melhorar a governança corporativa. As ações haviam caído no início da semana após a companhia registrar três reveses em testes clínicos de medicamentos.

Macy's recuou mais de 2% no pré-mercado, mesmo após a varejista superar as expectativas no segundo trimestre fiscal e elevar sua projeção. A empresa reportou lucro ajustado de 40 centavos por ação, embora não tenha ficado imediatamente claro se o número era comparável aos 37 centavos esperados por analistas consultados pela LSEG. A receita de US$ 4,87 bilhões superou os US$ 4,83 bilhões projetados.

A Macy's está próxima do fim de um plano de reestruturação de três anos sob o CEO Tony Spring, que visa estimular crescimento e investir em localizações de bom desempenho em meio a um cenário desafiador para lojas de departamento.

Apple sobe após lançamento do iPhone dobrável

As ações da Apple avançaram 1% no pré-mercado nesta quinta-feira, enquanto investidores digeriam as novidades do maior evento de lançamento do ano da companhia — incluindo a estreia do iPhone Duo dobrável, com preço de US$ 2.000, segundo a CNBC.

A empresa também apresentou o iPhone 18 Pro, Airpods 5 e Apple Watch Series 12 na quarta-feira durante evento realizado em sua sede corporativa, o Apple Park, em Cupertino, Califórnia.

O que isso significa para o investidor

A volta do petróleo acima de US$ 100 reacende o debate sobre estagflação — crescimento fraco com inflação persistente — e coloca o Federal Reserve em posição delicada. Dados da TradingView às 10h57 (horário de Brasília) de 10 de setembro de 2026 mostravam o S&P 500 a 7.601,34 pontos, queda de 0,46% no dia, e o Nasdaq a 26.049,66 pontos, baixa de 0,78%, em linha com a cobertura anterior do AAR News sobre a pressão do petróleo sobre os índices.

A probabilidade de alta de juros na reunião de 16 de setembro subiu para três quartos, mas o cenário permanece incerto. Se o CPI de sexta-feira vier acima do esperado, o Fed pode optar por apertar ainda mais a política monetária, mesmo com sinais de desaceleração econômica. Se vier benigno, a autoridade monetária ganha espaço para pausar — mas o petróleo caro limita a margem de manobra.

Para investidores brasileiros com exposição a ações norte-americanas, o momento pede cautela com setores sensíveis a juros, como tecnologia de crescimento e small caps. Papéis de energia e commodities podem se beneficiar no curto prazo, mas o risco de recessão induzida por petróleo caro pesa sobre a tese de longo prazo. Fundos cambiais e posições em dólar tendem a se valorizar se a aversão ao risco persistir.

O dado do CPI desta sexta-feira será decisivo para calibrar expectativas. Até lá, a volatilidade deve permanecer elevada, com investidores atentos a qualquer sinal de desescalada no Oriente Médio — improvável no horizonte imediato — ou de alívio nos preços de energia. A janela entre o CPI e a decisão do Fed na semana que vem será o período mais crítico para posicionamento tático.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos