O Bitcoin subiu mais de 1% nas últimas 24 horas e ultrapassou US$ 77.800 nesta segunda-feira, enquanto ações de tecnologia e inteligência artificial recuaram no pré-mercado americano. O Ethereum também avançou 1%, negociado a US$ 2.500, em movimento contrário ao das big techs e dos metais preciosos.
A divergência ocorre após líderes da indústria de IA renovarem no fim de semana preocupações sobre o ritmo de desenvolvimento da tecnologia. Dario Amodei, CEO da Anthropic, pediu que o setor desacelere para permitir que medidas de segurança acompanhem os avanços. Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, cuja xAI desenvolveu o Grok, manifestaram concordância com a posição.
A Anthropic teria escolhido a Nasdaq para sua oferta pública inicial, segundo relatos de mercado. Altman, por sua vez, confirmou que a OpenAI não abrirá capital em 2026.
Tecnologia sob pressão na Ásia e nos EUA
O índice Kospi da Coreia do Sul caiu 3% na sessão asiática. A SK Hynix, fabricante de chips de memória usados por empresas de IA, recuou 6%. Nos Estados Unidos, o ETF Invesco QQQ, que replica o Nasdaq 100, perdeu 1,5% no pré-mercado.
Provedores de nuvem especializados em IA também sofreram. A Nebius caiu 6% e a CoreWeave recuou 5% antes da abertura. Entre fabricantes de chips, Sandisk e Intel registraram perdas de 5% cada.
A pressão sobre ações de tecnologia ocorre em meio à alta do petróleo. O Brent subiu mais de 3% e ultrapassou US$ 107 por barril, enquanto o WTI negociava acima de US$ 103. Os rendimentos dos Treasuries de prazos mais longos recuaram levemente, com o título de 10 anos logo abaixo de 5% e o de 30 anos a 5,355%.
Metais preciosos acompanham queda
Ouro e prata também recuaram nesta segunda-feira. O ouro caiu quase 1%, negociado em torno de US$ 4.300 a onça. A prata registrou queda de 1,5%.
O movimento nos metais preciosos contrasta com a resiliência das criptomoedas, que historicamente apresentam correlação variável com ativos de proteção em momentos de volatilidade nos mercados de risco.
O que isso significa para o investidor
A alta do Bitcoin enquanto ações de tecnologia recuam sugere que parte do mercado cripto está se descolando da narrativa de risco puro atrelada ao Nasdaq. Nos últimos trimestres, a correlação entre BTC e índices de tecnologia oscilou conforme o apetite por ativos especulativos, mas episódios de divergência como o de hoje podem sinalizar busca por diversificação dentro do universo digital.
Para quem investe no Brasil com exposição a criptomoedas, o cenário pede atenção ao comportamento do petróleo e dos juros americanos de longo prazo. Petróleo acima de US$ 100 historicamente pressiona inflação global e pode endurecer o tom de bancos centrais, o que tende a pesar sobre ativos de risco — incluindo cripto — em horizontes mais longos. Por ora, o Bitcoin se beneficia da cautela pontual em ações de IA, mas a sustentação depende de sinais mais claros sobre política monetária e crescimento.
Segundo dados do scanner TradingView de 14 de setembro de 2026 às 21h04 (horário de Brasília), o Bitcoin negociava a US$ 78.173,05, alta de 0,02% no dia, e o Ethereum a US$ 2.513,17, queda de 0,03%. O ouro estava cotado a US$ 4.286,69, recuo de 0,28%, e o Nasdaq em 26.186,41 pontos, baixa de 0,56%. Nos próximos dias, vale acompanhar desdobramentos das declarações dos CEOs de IA — sobretudo se houver anúncio formal de moratória ou regulação setorial — e o comportamento do petróleo, que pode ditar o tom de curto prazo para todos os ativos de risco.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
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