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Vitória democrata nos EUA reacende esperança do Canadá por trégua tarifária

Resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos pressiona Casa Branca a avançar em acordo comercial com Ottawa, segundo a BBC

Vitória democrata nos EUA reacende esperança do Canadá por trégua tarifária
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O resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, na terça-feira, foi recebido com entusiasmo por parte da classe política canadense, que via nas tarifas impostas por Donald Trump a aliados comerciais próximos um dos temas de fundo da disputa. Segundo a BBC, o avanço democrata é interpretado em Ottawa como um sinal de desgaste da política tarifária da Casa Branca.

O premier de Ontário, Doug Ford, descreveu a reação com entusiasmo, afirmando que estava "fazendo estrelinhas pela rua" na manhã de quarta-feira e chamando o resultado de "uma vitória para o Canadá", de acordo com a reportagem.

Ainda assim, a BBC pondera que o resultado eleitoral dificilmente trará alívio tarifário imediato ao Canadá. A expectativa, segundo a reportagem, é de que as mudanças políticas criem um ambiente mais favorável para Ottawa negociar um acordo melhor, já que as conversas comerciais entre os dois países voltaram a acontecer.

Tarifas pesaram em disputas decisivas

De acordo com o material, o tema das tarifas teve peso significativo em disputas acirradas em estados como Maine e Michigan. No Maine, a senadora republicana Susan Collins, que buscava a reeleição, entrou em confronto com a Casa Branca por causa das tarifas.

Collins conseguiu, segundo a BBC, pressionar com sucesso para que algumas tarifas que afetavam diretamente o estado fossem removidas, incluindo sobre sal para estradas, equipamentos de refrigeração e algas marinhas. Ainda assim, ela acabou derrotada pelo democrata Troy Jackson.

Situação parecida ocorreu em Michigan, estado cuja indústria automobilística está profundamente ligada à do Canadá, segundo a reportagem. Ali, o candidato democrata Abdul El-Sayed derrotou o republicano Mike Rogers.

A BBC observa que lideranças democratas como Hakeem Jeffries e Chuck Schumer vêm defendendo, nos últimos meses, a contenção das tarifas sobre o Canadá, e agora ganham mais força política após o resultado das urnas.

Controle democrata do Congresso tem limites

Apesar do avanço, o controle democrata do Congresso pode não alterar muito o rumo das tarifas, de acordo com a reportagem, já que as medidas de Trump foram, em grande parte, implementadas por meio de ordens executivas, sem necessidade de aprovação do Congresso.

Em entrevista à Fox News na noite de terça-feira, Trump destacou seu "poder máximo" de veto para barrar projetos de lei aprovados pelo Congresso dos quais discorde, segundo o material.

A BBC também lembra que alguns parlamentares democratas já apoiaram certas tarifas no passado como forma de proteger empregos na indústria manufatureira americana, e poderiam defender a manutenção de algumas delas.

Camadas de tarifas em vigor

Segundo a reportagem, existem atualmente várias camadas de tarifas sobre o Canadá, incidindo principalmente sobre setores como automóveis, aço, alumínio e produtos florestais.

Após o colapso das negociações comerciais entre Ottawa e Washington em agosto, o governo Trump impôs uma tarifa adicional de 50% sobre US$ 20 bilhões (£ 15 bilhões) em diversos produtos canadenses, incluindo laticínios, cosméticos e móveis, de acordo com a BBC.

Os Estados Unidos também declararam uma proibição total de importação de motocicletas, proteína do soro de leite (whey protein) e bebidas alcoólicas provenientes do Canadá, segundo o material.

Em retaliação, o Canadá aplicou suas próprias tarifas de 50% em esquema "dólar por dólar" contra os EUA. A maioria das províncias canadenses também proibiu a venda de bebidas alcoólicas americanas como resposta, conforme relata a reportagem.

A BBC acrescenta que Trump havia ameaçado anteriormente escalar ainda mais a guerra comercial com o Canadá, elevando tarifas sobre setores como a indústria automobilística a partir de 1º de janeiro.

Sinais de aproximação antes da eleição

Segundo o material, havia sinais de que o governo Trump havia se tornado mais sensível à repercussão de suas tarifas sobre o Canadá no período que antecedeu a eleição. Poucos dias antes da votação, Trump disse a jornalistas que um acordo comercial estava "muito próximo" após conversar com o primeiro-ministro Mark Carney.

Na noite de terça-feira, Carney afirmou a jornalistas que, nas discussões recentes, os negociadores americanos "estão pedindo menos e oferecendo mais", segundo a reportagem.

Reações em Ottawa

Já na quarta-feira, o ministro canadense do Comércio com os Estados Unidos, Dominic LeBlanc, disse que o resultado das eleições de meio de mandato não mudará nada no curto prazo. Ele descartou especulações sobre o que o novo Congresso poderia fazer quando for empossado no início do próximo ano, chamando o debate de "uma discussão interessante em um almoço de clube universitário", de acordo com a BBC.

"Nossa abordagem não vai mudar e não pretendemos especular sobre a abordagem adotada pelos americanos", afirmou LeBlanc, segundo o material.

O líder dos Conservadores canadenses, Pierre Poilievre, disse na quarta-feira que "ninguém controla Donald Trump". Ainda assim, segundo ele, o resultado das eleições de meio de mandato mostra que o Canadá tem "uma vantagem enorme", já que as tarifas são amplamente impopulares.

"Temos que usar essa boa vontade para pressionar por um comércio livre de tarifas", disse Poilievre, conforme a reportagem.

Janela de oportunidade até janeiro

Colin Robertson, ex-diplomata canadense e pesquisador do Canadian Global Affairs Institute, avaliou que Trump pode sentir mais pressão para fechar um acordo com o Canadá agora que os eleitores americanos expressaram claramente sua frustração, segundo a BBC.

"Isso vai mudar a opinião de Trump? Pode ser, porque ele sofreu uma derrota tão grande nas urnas", disse Robertson, de acordo com o material. Ele ponderou, no entanto, que ainda é preciso observar como Trump vai reagir após a derrota contundente nas eleições de meio de mandato.

Segundo Robertson, o Canadá tem uma janela ideal entre agora e janeiro, quando os novos parlamentares democratas tomam posse, para fechar um acordo. Depois disso, Trump deve ficar mais distraído com investigações abertas por democratas sobre a família e as finanças do presidente e sobre membros de seu governo, segundo o especialista citado pela BBC.

A reportagem também menciona que o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou anteriormente neste ano ter a ambição de firmar acordos provisórios com Canadá e México em torno do tratado de livre comércio norte-americano, conhecido como USMCA nos Estados Unidos e CUSMA no Canadá, antes do fim do ano.

Embora Carney tenha adotado um tom mais otimista nos últimos dias sobre o estágio atual das negociações comerciais entre Canadá e Estados Unidos, ele também disse ao site Politico no mês passado que estava preparado para esperar por um novo presidente americano, caso necessário, para fechar um acordo com os EUA, segundo a BBC.

O que isso significa para o investidor

Para quem acompanha ativos ligados ao comércio entre Canadá e Estados Unidos, o episódio reforça que a política tarifária americana segue concentrada no Executivo, o que limita o alcance imediato de uma eventual maioria democrata no Congresso sobre setores como autos, aço, alumínio e produtos florestais. A sinalização de que as negociações estão mais avançadas, com Trump falando em acordo "muito próximo" e Carney descrevendo contrapartidas americanas mais favoráveis, é o dado mais concreto para monitorar nas próximas semanas.

A janela até janeiro, citada por Robertson, funciona como um marco temporal relevante: setores expostos à relação bilateral — como a cadeia automotiva integrada entre Michigan e o Canadá, laticínios, cosméticos, móveis, bebidas alcoólicas e proteína do soro de leite, todos mencionados entre os produtos já tarifados ou banidos — tendem a reagir a qualquer sinal de avanço ou recuo nas tratativas até a posse dos novos parlamentares democratas.

Ao mesmo tempo, a cautela expressa por LeBlanc, de que a abordagem canadense não mudará no curto prazo, e a ressalva de Poilievre de que "ninguém controla Donald Trump" indicam que o mercado deve evitar precificar uma resolução rápida apenas com base no resultado eleitoral. A disposição de Carney de esperar por um novo presidente americano, se necessário, sugere que o horizonte de normalização comercial entre os dois países pode se estender além do curto prazo, o que mantém a incerteza como fator relevante para ativos ligados ao comércio bilateral.

Agregado por AAR News · fonte: BBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos