Nesta quarta-feira, as ações das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos dispararam depois que o Partido Democrata obteve uma vitória expressiva nas eleições de meio de mandato, conquistando a maioria tanto na Câmara quanto no Senado, segundo a CNBC. O movimento reacendeu o apetite por risco em Wall Street, especialmente entre as chamadas hyperscalers — os grandes provedores de nuvem com capacidade financeira para sustentar investimentos pesados em infraestrutura de inteligência artificial.
Durante o pregão de quarta-feira, a Amazon avançou 8%, a Alphabet (Google) subiu mais de 6%, a Microsoft ganhou 4% e a Meta registrou alta de 3%. A Apple, que havia sido alvo das tarifas impostas pelo governo Trump e recentemente recebeu reembolsos relacionados a essa política, saltou quase 7%, segundo a reportagem.
Governo dividido e menor incerteza
David Kelly, estrategista-chefe global da JPMorgan Asset Management, afirmou em entrevista ao programa "Squawk on the Street" que os resultados da terça-feira retiram uma camada de incerteza do mercado. Segundo ele, um governo dividido tende a produzir "moderação no crescimento, moderação na inflação, menos incerteza", fatores que, em sua avaliação, ajudaram as ações a subir no pregão seguinte.
Data centers de IA sob pressão regulatória
Nem todas as ações ligadas à tecnologia se beneficiaram do resultado eleitoral. Papéis associados a Elon Musk, assessor de Trump, e companhias expostas à construção de data centers voltados para IA recuaram na quarta-feira. A Tesla caiu 2%, a SpaceX perdeu 3% e a Nvidia, fabricante dos chips usados na maioria desses projetos, cedeu pouco mais de 1%.
Segundo a CNBC, parte da reação negativa decorre do resultado de 41 plebiscitos locais realizados na terça-feira sobre restrições ou liberação para a instalação de data centers de IA — os eleitores se posicionaram contra os projetos em 40 dessas votações. Uma pesquisa da própria CNBC com eleitores (CNBC Voter Poll) apontou que 56% dos entrevistados consideraram o tema dos data centers um fator crucial ou importante em sua decisão de voto.
Analistas citados pela reportagem destacaram que candidatos democratas que defenderam moratórias para data centers venceram disputas pelo governo estadual no Texas, na Geórgia e em Ohio, o que ampliou o receio de que novos projetos possam enfrentar entraves regulatórios ou bloqueios políticos. Paul Golding, analista do Macquarie, observou em nota divulgada na quarta-feira que questões como emissões de geradores de backup, zoneamento, uso de água, conexão à rede elétrica e tributação costumam estar sob supervisão de reguladores estaduais.
Hyperscalers como incumbentes beneficiados
Para Laura Martin, analista da Needham, o aumento das barreiras regulatórias tende a favorecer quem já está estabelecido no setor. Em nota divulgada na quarta-feira, ela escreveu que barreiras mais altas "entrincheiram os incumbentes" e elevam os riscos — e o retorno sobre capital investido exigido — para novos entrantes, classificando as hyperscalers como as incumbentes do setor de IA.
Enquanto isso, as chamadas neoclouds, provedores menores de nuvem voltados para IA, sofreram mais no pregão. A CoreWeave recuou 10%. Analistas do Baird classificaram o resultado eleitoral como um "vento contrário de sentimento" (sentiment headwind) para essas empresas, segundo a nota citada pela CNBC.
Golding, do Macquarie, disse manter uma visão construtiva sobre infraestrutura de IA, avaliando que operadores bem capitalizados e de maior qualidade são os que mais tendem a se beneficiar caso projetos em alguns estados percam ritmo. Segundo ele, as neoclouds podem precisar pagar mais para alugar estruturas energizadas destinadas a contratos de GPU como serviço (GPUaaS) e repassar esses custos, enquanto hyperscalers e laboratórios de IA podem intensificar a disputa por uma oferta de capacidade ainda mais limitada.
Nem todo o país deve desacelerar
Chris Miglino, CEO da Axe Compute, ponderou em declaração por e-mail à CNBC que o resultado eleitoral pode sinalizar restrições a novos desenvolvimentos de data centers em alguns estados, mas isso não significa necessariamente uma desaceleração em escala nacional da construção desses projetos. Segundo ele, empresas continuam captando capital, companhias seguem gastando e a demanda por mais capacidade de processamento permanece.
Miglino afirmou ainda que o aumento da regulação em algumas regiões pode levar investidores e clientes a analisar com mais cuidado diferentes provedores de computação em nuvem, priorizando aqueles com capacidade comprovada de entregar capacidade ou que ofereçam inferência de IA voltada a nichos específicos de indústria. Segundo ele, quem já garantiu fornecimento de energia, tem financiamento estruturado e sabe operar infraestrutura de computação de forma eficiente está em posição mais sólida do que concorrentes ainda em fase de estruturação.
O que isso significa para o investidor
O movimento desta quarta-feira confirma um padrão que a cobertura do AAR News já vinha acompanhando: a Apple segue no centro das atenções do mercado, tendo estado entre as ações mais negociadas no after-hours em 2 de novembro e no radar de apostas via opções antes de seus balanços, conforme notas anteriores do AAR News. A reação de quase 7% de alta após o resultado eleitoral reforça como a ação segue sensível a notícias de política comercial e tarifária, além dos próprios fundamentos de resultado.
Para quem investe em tecnologia nos EUA, a divisão entre hyperscalers e neoclouds que emergiu no pregão é um dado relevante para a composição de carteira. A tese defendida por analistas como Golding e Martin — de que a regulação mais rígida tende a beneficiar operadores já estabelecidos e penalizar entrantes menores — sugere que investidores expostos a provedores de nuvem de menor porte, como a CoreWeave, podem enfrentar maior volatilidade enquanto o quadro regulatório estadual se desenha.
Vale acompanhar, nos próximos meses, como estados que elegeram governadores favoráveis a moratórias de data centers (Texas, Geórgia e Ohio, segundo a reportagem) tratam projetos já em andamento, e se essa pressão regulatória se espalha para outras unidades da federação. O resultado dos 41 plebiscitos locais mencionados pela CNBC — com rejeição em 40 deles — é um indicador a ser monitorado por quem detém posições em fornecedores de energia, infraestrutura de data centers e nos próprios fabricantes de chips como a Nvidia, que já sentiu o impacto inicial no pregão de quarta-feira.
Agregado por AAR News · fonte: CNBC
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