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Vitória democrata nas eleições de meio de mandato ameaça projeto cripto Clarity Act

Com Congresso dividido, executivos do setor veem chances cada vez menores de aprovação da lei nos moldes atuais, apesar de gastos bilionários de PACs cripto

Vitória democrata nas eleições de meio de mandato ameaça projeto cripto Clarity Act
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O avanço democrata nas eleições de meio de mandato representa mais um obstáculo para o Clarity Act, projeto de lei que busca estabelecer regras claras para o mercado de criptomoedas nos Estados Unidos e que já havia travado em setembro, quando os republicanos ainda controlavam o Congresso. Segundo a CoinDesk, os democratas conquistaram o controle tanto do Senado quanto da Câmara dos Representantes nas eleições realizadas na terça-feira.

A notícia é relevante porque o setor cripto apostou pesado na eleição na expectativa de garantir um arcabouço regulatório favorável. De acordo com números repassados por Anton Golub à CoinDesk, comitês de ação política (PACs) ligados ao setor gastaram cerca de US$ 170,5 milhões no pleito.

Reações do setor ao novo cenário no Congresso

Mati Greenspan, analista de mercado cripto, autodenominado bitcoin maximalist e fundador da Quantum Economics, afirmou à CoinDesk que a vitória democrata pode representar o fim definitivo das chances do Clarity Act. Ele lembrou que o projeto nem conseguiu passar por uma votação procedimental em setembro, quando os republicanos tinham maioria nas duas casas, e que agora o setor pode ter de recomeçar as negociações em um Washington politicamente dividido, classificando o momento como um dia triste para a indústria cripto.

Na mesma linha, Stefan Muehlbauer, chefe de assuntos governamentais nos Estados Unidos da empresa de segurança blockchain CertiK, disse à CoinDesk que o Clarity Act está praticamente inviabilizado em sua forma atual.

O executivo de desenvolvimento de negócios para exchanges na Forte, que também já ocupou cargo de liderança em uma corretora de criptomoedas, afirmou que os republicanos foram destinatários de pelo menos US$ 125,5 milhões do total gasto pelo lobby cripto nesta eleição.

Trump, conflitos de interesse e disputa com os bancos

Mesmo com o controle do Congresso nas mãos dos republicanos e com Donald Trump, presidente favorável ao setor, ocupando a Casa Branca, o Clarity Act não avançou em setembro. Com os democratas retomando as duas casas, segundo Golub, as chances de aprovação do projeto na forma atual ficaram ainda mais reduzidas.

O fundador da Forte avaliou que o projeto está em sérias dificuldades, mas reconheceu que Trump ajudou a mudar a forma como reguladores tratam o setor atualmente. Segundo ele, Trump criou um ambiente mais favorável para empresas cripto, mas o envolvimento de sua família com o setor também deu aos democratas um motivo adicional para resistir a legislações favoráveis à indústria, conforme relatado à CoinDesk.

Um dos pontos de atrito apontados na matéria é a disputa entre bancos e empresas cripto sobre recompensas pagas em stablecoins. Os bancos se opõem a que exchanges paguem recompensas a clientes sobre tokens lastreados em dólar, por temerem que depósitos migrem das contas bancárias tradicionais para esses produtos.

Golub afirmou que os republicanos não conseguiram resolver essa disputa quando tinham controle do Congresso, e que, em sua avaliação, as chances de aprovação do projeto em sua forma anterior praticamente se esgotaram.

Produtos de derivativos cripto seguem em expansão

Apesar do cenário mais adverso para a legislação, Golub disse não esperar que o resultado eleitoral freie a expansão de produtos de negociação cripto. Ele citou a decisão da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), tomada na terça-feira, de autorizar contratos futuros perpétuos de ações individuais em exchanges americanas qualificadas — embora, segundo a CoinDesk, um juiz federal tenha sinalizado no mesmo dia que esses produtos podem não ser permitidos sob as regras da CFTC.

Contratos futuros perpétuos permitem que investidores apostem no preço de um ativo sem precisar possuí-lo diretamente e sem data fixa para encerrar a posição. De acordo com a reportagem, a negociação desses contratos tem crescido à medida que exchanges de criptomoedas avançam sobre ações, commodities e outros ativos tradicionais. Golub afirmou esperar que os futuros perpétuos se tornem uma parte cada vez mais relevante do mercado de derivativos americano, para além do universo cripto, alcançando ações e outros mercados.

Muehlbauer, por sua vez, prevê que os democratas intensifiquem o escrutínio sobre empresas cripto e sobre os negócios de Trump no setor, por meio de audiências e investigações no Congresso, com foco especial em lavagem de dinheiro, cibersegurança e proteção ao consumidor.

Divergências sobre o caminho a seguir

Nem todos no setor compartilham do mesmo pessimismo. Brent Fulfer, cofundador da gestora de venture capital TBV, disse à CoinDesk que, na sua visão, o Clarity Act já havia perdido força em setembro, quando os republicanos ainda comandavam o Senado. Ele destacou que mais de 70 deputados democratas da Câmara já haviam apoiado o projeto anteriormente e argumentou que uma legislação com apoio bipartidário e salvaguardas contra conflitos de interesse teria mais chance de prosperar.

Jason Fernandes, empreendedor cripto de longa data e fundador da AdLunam, adotou um tom mais conciliador, afirmando enxergar uma oportunidade de o setor colaborar com os democratas em vez de entrar em confronto direto. Segundo ele, alguma regulação e fiscalização contra maus atores, ainda que possa gerar apreensão até entre agentes idôneos do setor, tende a beneficiar o mercado como um todo no longo prazo. Fernandes defendeu que as empresas cripto apoiem esforços democratas de saneamento do mercado, desde que os parlamentares adotem uma abordagem equilibrada, sem penalizar todo o setor pelas ações de poucos agentes.

Já Shady El Damaty, cofundador da Human.tech, demonstrou maior ceticismo, afirmando acreditar que os democratas devem aproveitar o novo controle do Congresso para investigar os interesses cripto de Trump, suas doações políticas e os mercados de previsão — uma promessa que, segundo a CoinDesk, já vinha sendo feita pelo partido e vem sendo acompanhada de perto pelo veículo em reportagens anteriores.

El Damaty citou especificamente a Robinhood, que tem investido na oferta de ações tokenizadas, como alvo provável de maior fiscalização. Sua avaliação surge no mesmo momento em que Amazon, Tesla, SpaceX e outras grandes empresas manifestaram objeções a um plano distinto, conduzido pela OKX em parceria com a Intercontinental Exchange, controladora da bolsa de Nova York, para negociar versões tokenizadas de suas ações — objeções que, segundo a reportagem, não se referem diretamente à Robinhood.

Segundo El Damaty, a Robinhood deve enfrentar escrutínio intenso em razão de sua oferta de tokens de ações e de sua estratégia agressiva no mercado cripto, apesar de ele próprio se declarar simpático à empresa.

O que isso significa para o investidor

Para quem investe em ativos digitais ou em empresas ligadas ao setor, o episódio reforça que o ambiente regulatório americano segue incerto, sem data definida para uma legislação específica sobre criptoativos. A divisão de opiniões entre os próprios executivos ouvidos pela CoinDesk — alguns decretando o fim do Clarity Act, outros vendo espaço para uma versão bipartidária mais restritiva — sugere que qualquer novo projeto, se vier, tende a incluir salvaguardas mais rígidas contra conflitos de interesse e maior fiscalização de players específicos, caso de exchanges com forte atuação em ativos tokenizados.

A expansão de produtos como os futuros perpétuos, mencionada por Golub, indica que parte da inovação do setor pode seguir avançando por vias regulatórias distintas da legislação federal ampla, como decisões pontuais de órgãos como a CFTC — ainda que sujeitas a contestação judicial, como mostrou o caso citado na reportagem. Isso significa que investidores expostos a exchanges e plataformas de derivativos cripto devem acompanhar de perto tanto decisões regulatórias pontuais quanto o desfecho de disputas judiciais associadas a elas.

O noticiário político não impediu uma reação positiva do bitcoin no mercado à vista: segundo dados da TradingView coletados em 04/11/2026 às 18h18 BRT, a criptomoeda era cotada a US$ 80.120,44, alta de 3,61% no dia. Essa dissociação entre o clima regulatório mais hostil em Washington e o desempenho do preço reforça que, no curto prazo, o mercado pode continuar precificando outros fatores além da tramitação legislativa — mas investidores com exposição a empresas do setor, como a Robinhood citada na reportagem, fazem bem em monitorar de perto audiências e investigações que os democratas sinalizam promover nos próximos meses.

Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos