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Venda de ações de IA some com US$ 2,5 tri e contagia bolsas da Ásia e Europa

Após pregão de quinta-feira marcado por forte retração em papéis ligados à inteligência artificial, mercados asiáticos e europeus amargaram perdas na sexta; Wall Street tentava reagir

Venda de ações de IA some com US$ 2,5 tri e contagia bolsas da Ásia e Europa
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Uma onda de vendas concentrada em ações ligadas à inteligência artificial apagou cerca de US$ 2,5 trilhões em valor de mercado em Wall Street, segundo reportagem da CNN. O movimento, iniciado na quinta-feira, perdeu força na sexta-feira, mas não antes de atingir com intensidade os mercados da Ásia e da Europa.

Na abertura do pregão de sexta-feira, o Nasdaq subia 1,3% e o S&P 500 avançava 0,4%, enquanto o Dow Jones seguia na direção oposta, com queda de 0,9%. Segundo a CNN, esse tipo de recuperação parcial após fortes vendas costuma ocorrer quando parte dos investidores volta a comprar ações a preços mais baixos.

Nvidia e SpaceX lideram a recuperação parcial

Entre os papéis mais castigados na véspera, os ligados ao tema de IA mostravam sinais de reação. A Nvidia operava com alta de 5,5% e a SpaceX subia 4% na sexta-feira, depois de ambas as companhias terem recuado mais de 9% na quinta-feira. Para a Nvidia, segundo a CNN, tratou-se do pior dia desde janeiro de 2025.

Ásia tem o dia mais duro, Europa também recua

Antes da reação em Wall Street, os mercados asiáticos fecharam a sexta-feira em forte baixa. O índice Kospi, da Coreia do Sul, e o Nikkei 225, do Japão, encerraram o dia com quedas de 6% cada. Em Taiwan, o índice de referência Taiex terminou o pregão com recuo de 4,5%.

A reportagem associa esses movimentos a uma retração de investidores em relação a algumas das apostas mais aquecidas do ano. Empresas asiáticas de tecnologia, que ocupam papel central na cadeia global de eletrônicos, vinham sendo impulsionadas pela demanda por componentes como chips semicondutores usados na construção de grandes data centers de IA.

Os mercados europeus, com peso menor em tecnologia, também recuaram, ainda que de forma mais moderada. O índice de referência regional Stoxx 600 caía 1,7% pouco depois das 9h (horário de Nova York), enquanto o francês CAC 40 e o alemão DAX operavam com quedas de 1,9% e 2,4%, respectivamente.

A ação da ASML, fabricante holandesa de equipamentos para produção de chips e maior empresa europeia ligada ao setor de IA, despencou 6,6% na quinta-feira. Na tarde de sexta-feira, porém, o papel já havia revertido parte das perdas e operava com alta de 3,9%.

Eleições de meio de mandato nos EUA no centro da incerteza

Segundo a CNN, as oscilações da semana expõem uma incerteza crescente entre investidores sobre o que os resultados das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos significam para o chamado "AI trade". Muitos temem que as vitórias expressivas dos democratas possam travar um ciclo de investimentos em inteligência artificial que, segundo a reportagem, vem sustentando tanto a economia quanto os mercados ao longo do ano.

Um estudo da Columbia Business School, citado pela CNN, estima que os investimentos em infraestrutura ligada à IA respondiam por quase a totalidade do crescimento observado do PIB americano até o fim do ano passado.

Ao mesmo tempo, a reação contrária ao impacto ambiental e comunitário de novos data centers transformou os gastos com IA em tema central das eleições de meio de mandato. Os democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, além de terem virado a disputa em diversos assentos estaduais contestados.

Essa vitória ampla alimentou o receio de que representantes democratas possam agora barrar ou desacelerar os gastos com nova infraestrutura de IA. Segundo a CNN, essas preocupações ganharam força plena na quinta-feira, quando o Nasdaq recuou 5,5%, seu pior dia desde abril de 2025, mês em que o presidente Donald Trump havia anunciado tarifas amplas sobre praticamente todos os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos.

Volatilidade reacende debate sobre sustentabilidade do boom de IA

A reportagem destaca que a volatilidade recente se soma a um ano de oscilações acentuadas nos mercados asiáticos, em especial no Kospi, à medida que investidores questionam a sustentabilidade do boom de IA e a rentabilidade final de investimentos tão elevados.

Jung In Yun, fundador e CEO da Fibonacci Asset Management Global, afirmou à CNN que a venda de ativos observada na sexta-feira foi provavelmente motivada por investidores reavaliando expectativas em torno de investimentos e políticas públicas ligadas à IA.

Ainda assim, ele avalia que a demanda por poder computacional deve continuar crescendo, assim como a necessidade por chips de memória, como os fabricados pela Samsung Electronics e pela SK Hynix, as duas maiores empresas de capital aberto da Coreia do Sul.

"O mercado de tecnologia sul-coreano, fortemente concentrado, está particularmente exposto a mudanças de humor, então podemos ver mais oscilações antes que a confiança se estabilize", disse Jung In Yun, segundo a CNN.

Governos do Japão e da Coreia do Sul reagem

Autoridades de governo no Japão e na Coreia do Sul reconheceram publicamente a volatilidade recente em seus respectivos mercados acionários nesta sexta-feira. A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou estar ciente de que "os preços das ações, particularmente dos setores de IA e chips, estão caindo fortemente", acrescentando que o governo acompanha de perto os desdobramentos do mercado e que o foco será em medidas para fortalecer a economia, segundo a CNN.

Na Coreia do Sul, o ministro de Finanças e Economia, Lee Hyoung-il, conduziu uma reunião na sexta-feira sobre o impacto das eleições de meio de mandato americanas na economia do país. Segundo o ministério, as autoridades avaliaram que um impacto sobre os mercados globais "não pode ser descartado" e que medidas seriam formuladas de forma proativa para evitar reações exageradas no mercado acionário coreano.

Correlação crescente entre mercados de tecnologia

A reportagem observa que ações de tecnologia ao redor do mundo têm se mostrado sensíveis a mudanças súbitas de humor ao longo deste ano, com investidores de varejo e institucionais reagindo a cada novo dado ou desenvolvimento ligado à IA.

"Se nos concentrarmos apenas nas ações relacionadas à IA no mercado, eu diria que houve exagero demais no início deste ano", afirmou Theodore Shou, sócio da gestora Yiyi Capital, em Hong Kong, à CNN. Para ele, o mercado está simplesmente se ajustando.

Shou também destacou que, à medida que o entusiasmo com a IA cresceu, as ações de tecnologia asiáticas passaram a se correlacionar mais intensamente do que nunca com suas equivalentes americanas. Ele acrescentou que parte dos participantes do mercado pode estar apostando que um Congresso liderado pelos democratas desacelere o ritmo de alta de juros, reduzindo o custo do crédito e beneficiando tanto ações de tecnologia quanto papéis de outros setores.

Mercados à espera da posse dos eleitos

Enquanto aguardam a posse dos vencedores das eleições de meio de mandato, prevista para o início do próximo ano, analistas ouvidos pela CNN avaliam que os mercados globais devem permanecer sensíveis a mudanças de política tecnológica e monetária.

"O que os mercados realmente não gostam é da incerteza. E o que eles estão dizendo é: não temos certeza do que vai acontecer em janeiro", disse Andrew Sullivan, que escreve sobre ações asiáticas no boletim Asian Market Sense, à CNN. Segundo ele, a reação natural é recuar, colocar parte dos recursos em caixa e esperar a poeira assentar antes de voltar a investir.

O que isso significa para o investidor

Para quem acompanha o mercado brasileiro, o episódio reforça um padrão conhecido: choques em ações de tecnologia nos Estados Unidos tendem a se propagar rapidamente para bolsas emergentes e também para ativos de risco no Brasil, dada a interligação crescente entre os mercados de IA ao redor do globo. Conforme o scanner da TradingView, em 06/11/2026 às 12h19 (horário de Brasília), o S&P 500 era cotado a 7.414,44 pontos, com alta de 0,83% no dia, e o Nasdaq a 24.730,74 pontos, com avanço de 1,71% — números que sugerem que, passado o susto relatado pela CNN, parte da confiança nos ativos de tecnologia já havia sido recomposta.

O investidor brasileiro exposto a fundos globais, ETFs de tecnologia ou ações de empresas ligadas à cadeia de semicondutores deve monitorar de perto os desdobramentos políticos em Washington, já que, segundo a própria reportagem, a incerteza sobre o rumo da política de investimentos em IA sob um Congresso de maioria democrata é hoje o principal fator de risco citado por analistas. Decisões sobre gastos em infraestrutura de dados e eventuais mudanças na condução da política de juros têm potencial de mover não apenas papéis de tecnologia, mas o apetite de risco de forma mais ampla.

Vale ainda observar a dinâmica distinta entre praças: enquanto bolsas de peso tecnológico elevado, como Coreia do Sul, Japão e Taiwan, sofreram perdas mais acentuadas, mercados menos concentrados em tecnologia, como os europeus, tiveram recuos mais contidos. Essa diferença de sensibilidade é um parâmetro relevante para quem pensa em diversificação geográfica de carteira diante de novos episódios de volatilidade ligados ao tema de inteligência artificial.

Agregado por AAR News · fonte: CNN

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos