Uma pesquisa realizada no dia da eleição americana identificou a economia e o estado da democracia no país como as duas preocupações centrais do eleitorado, segundo reportagem da BBC. O levantamento, chamado oficialmente de Voter Poll, ouviu dezenas de milhares de eleitores e é conduzido pela empresa de pesquisa SSRS a pedido de um consórcio de veículos de comunicação.
De acordo com a BBC, a pesquisa funciona como uma amostra representativa do eleitorado americano às vésperas da votação, combinando entrevistas com eleitores que votaram antecipadamente e com quem votou no próprio dia. Os números, segundo o texto, são estimativas e podem ser atualizados à medida que mais dados cheguem.
Economia aparece no topo das prioridades
Do total de mais de 79 mil pessoas ouvidas, 39% apontaram a economia como o tema mais importante, enquanto 33% colocaram o estado da democracia em primeiro lugar. Em seguida veio a imigração, citada como prioridade por 14% dos entrevistados, com saúde, política externa e criminalidade recebendo menções bem menores como principal issue.
A pesquisa também indica que a maior parte dos eleitores tem uma visão negativa da economia nacional: três quartos classificaram a situação como "não tão boa ou ruim", contra um quarto que avaliou como "excelente ou boa". Em relação às finanças da própria família, 44% disseram estar em situação pior do que há dois anos, 38% disseram que está praticamente igual e 18% relataram melhora.
Maioria culpa políticas de Trump pela piora econômica
Segundo o levantamento citado pela BBC, cerca de dois terços dos eleitores (66%) afirmam que as políticas do presidente Donald Trump pioraram as condições econômicas do país. Em contraste, 27% dizem que as políticas melhoraram a situação e apenas 7% consideram que o presidente não teve impacto algum.
Os entrevistados também foram questionados se manifestar apoio ou oposição a Trump foi um dos motivos do voto nas eleições de meio de mandato. 44% disseram que a oposição ao presidente foi um fator, 40% afirmaram que ele não influenciou a decisão, e apenas 16% citaram o apoio a Trump como motivação.
Insatisfação generalizada com os rumos do país
Quase quatro em cada dez entrevistados (39%) disseram estar com raiva do rumo que as coisas tomam nos Estados Unidos atualmente, enquanto outros 37% se declararam insatisfeitos. Apenas 18% disseram estar satisfeitos e 7% se disseram entusiasmados — somando-se os números, a maioria dos consultados demonstra descontentamento com o momento do país, segundo a BBC.
Separadamente, uma ampla maioria de 90% afirmou que a corrupção no governo foi um fator crucial ou importante em sua decisão de voto.
Inflação pesou no bolso da maioria dos americanos
A pesquisa também abordou o impacto da inflação na vida das pessoas. Quase oito em cada dez eleitores (79%) disseram que a inflação causou dificuldades severas ou moderadas para eles e suas famílias no último ano, enquanto 21% afirmaram não ter sofrido nenhum impacto.
A maioria dos eleitores (59%) disse estar "muito preocupada" com o custo da gasolina e do diesel, e a mesma proporção declarou a mesma preocupação em relação ao preço de alimentos e itens de mercado. Mais de seis em cada dez respondentes (63%) atribuíram os preços acima do habitual principalmente às políticas de Trump, enquanto 37% disseram que o fator preponderante estava fora do controle do presidente.
Maioria considera equivocada a decisão sobre o Irã
O levantamento também perguntou sobre a ação militar dos Estados Unidos contra o Irã: cerca de seis em cada dez entrevistados (63%) disseram que a decisão foi errada, contra 37% que a consideraram correta. Três quartos dos eleitores (74%) afirmaram que o conflito foi um fator crucial ou importante em seu voto para o Congresso, enquanto um quarto (26%) disse que teve peso menor ou nenhum peso na decisão.
Padrões de voto variam por idade, gênero e escolaridade
Os dados mostram diferenças relevantes entre grupos demográficos. Em nível nacional, as mulheres teriam votado em candidatos democratas à Câmara por 59% a 40% em relação aos republicanos, enquanto os homens também preferiram os democratas, mas por margem menor, de 50% a 48%.
Por faixa etária, cerca de dois terços dos eleitores com menos de 45 anos disseram ter votado nos democratas. O grupo de 45 a 64 anos apoiou os democratas por 52% a 47% em relação aos republicanos, enquanto os eleitores com mais de 65 anos ficaram divididos de forma equilibrada entre os dois partidos.
Entre eleitores brancos, a divisão entre os dois principais partidos também ficou equilibrada, segundo a pesquisa. Já os demais grupos votaram mais nos democratas, com eleitores hispânicos e latinos apoiando o partido por uma estimativa de 64% contra 34% para os republicanos.
Eleitores sem formação universitária votaram ligeiramente mais nos republicanos nesta eleição, por 50% a 48% em relação aos democratas, enquanto pessoas com diploma universitário apoiaram os democratas por uma estimativa de 63% a 35% para os republicanos. A BBC ressalta que todos esses números refletem o panorama nacional e que os padrões de voto variam de estado para estado.
O que isso significa para o investidor
Os dados da pesquisa reforçam um quadro de desgaste político em torno da administração Trump justamente no tema que mais pesa para o mercado: a percepção econômica do eleitorado. Quando a maioria dos entrevistados associa as próprias dificuldades financeiras e a inflação às políticas do governo, cresce o risco de pressão política por mudanças de rumo em pautas como tarifas, gastos públicos e regulação — temas que historicamente mexem com o apetite por ativos de risco.
Para quem acompanha o mercado americano a partir do Brasil, o recado é de atenção redobrada à volatilidade política nos Estados Unidos nos próximos meses. Um Congresso mais fragmentado, resultado de um eleitorado dividido e insatisfeito, tende a dificultar a aprovação de agendas econômicas amplas, o que pode se traduzir em maior incerteza para o dólar, para os juros americanos e, por consequência, para o fluxo de capital destinado a mercados emergentes como o brasileiro.
Vale observar também o peso dado pelos eleitores à questão da corrupção governamental e ao episódio da ação militar contra o Irã, ambos citados como fatores centrais de voto. Esses elementos sinalizam que a pauta de governança e de política externa seguirá no radar político americano, podendo influenciar decisões futuras do governo Trump com reflexos indiretos sobre preços de commodities, câmbio e apetite por risco global — pontos que investidores brasileiros devem monitorar à medida que novos desdobramentos eleitorais e econômicos forem divulgados.
Agregado por AAR News · fonte: BBC
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