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Payward, dona da Kraken, aposta bilhões para virar infraestrutura financeira

Co-CEO Arjun Sethi diz que empresa unifica negociação, pagamentos, gestão de ativos e serviços institucionais numa única plataforma

Payward, dona da Kraken, aposta bilhões para virar infraestrutura financeira
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A Payward, controladora da corretora de criptomoedas Kraken, está deixando de se comportar apenas como uma exchange para se posicionar como uma camada de infraestrutura financeira mais ampla. Segundo reportagem da CoinDesk, a empresa sediada em Wyoming gastou bilhões de dólares em aquisições nos últimos dois anos, ampliando sua atuação para futuros, derivativos, ações tokenizadas e capacidades bancárias adicionais nos Estados Unidos e na Europa.

O objetivo declarado é transformar a Payward em uma plataforma financeira unificada, na qual negociação, atividades bancárias, gestão de patrimônio e serviços prestados a outras empresas operem sobre a mesma base tecnológica. Em entrevista à CoinDesk, o co-CEO Arjun Sethi resumiu a visão: "Não somos uma holding", afirmou, descrevendo a estrutura como "uma plataforma, um balanço, uma pilha regulatória".

No centro dessa estratégia está o que Sethi chama de 'razão única' (one ledger), um sistema que permite que dinheiro e ativos circulem entre os produtos da empresa sem depender da rede de intermediários que hoje sustenta boa parte das finanças tradicionais. Segundo a reportagem, Sethi também afirmou que a Payward é lucrativa e não tem pressa para abrir capital em bolsa enquanto expande a plataforma.

Um mercado disputado por gigantes

A Payward não é a única companhia do setor buscando um modelo de plataforma abrangente. De acordo com a CoinDesk, a Coinbase constrói o que chama de 'Everything Exchange', reunindo criptomoedas, ações, derivativos e mercados de previsão, enquanto a Binance combina negociação, pagamentos, investimentos e produtos de rendimento em uma única plataforma.

A consultoria de investimentos em ativos digitais Architect Partners, citada na reportagem, avalia que a Payward segue um caminho distinto do da Coinbase: em vez de concentrar todos os produtos sob a marca Kraken, a empresa está construindo uma infraestrutura capaz de sustentar múltiplas marcas e ser usada por outras companhias financeiras. "A Payward parece estar escolhendo uma camada de agregação diferente: a pilha de infraestrutura regulada que pode viabilizar produtos financeiros em múltiplas marcas, segmentos de clientes e canais de parceiros", disse a Architect Partners, acrescentando que a empresa estaria ajudando a definir uma evolução além da 'Everything Exchange', batizada de modelo de 'Everything Financial Infrastructure'.

Em termos de volume, a Kraken segue menor que suas rivais. Dados da CoinGecko citados pela CoinDesk mostram que a exchange registrou média diária de cerca de US$ 1,1 bilhão em negociação à vista nos primeiros quatro meses de 2026, enquanto a Binance controlou 38,7% do volume à vista entre as dez maiores exchanges centralizadas no segundo trimestre, e a Coinbase reportou participação de 8,6% no volume geral de negociação de criptomoedas no primeiro trimestre.

Uma razão única, quatro negócios

A tese da Payward, segundo a reportagem, é de que boa parte do sistema financeiro tradicional continua limitada por tecnologia e convenções de mercado com décadas de existência: títulos levam tempo para liquidar, mercados fecham à noite e nos fins de semana, e bancos, corretoras, custodiantes e câmaras de compensação mantêm registros separados que precisam ser reconciliados.

Cada uma dessas fronteiras cria mais um intermediário, um atraso e uma taxa, disse Sethi. Na visão dele, sistemas baseados em blockchain oferecem uma alternativa ao permitir que ativos funcionem simultaneamente como investimento, colateral e instrumento programável sobre uma infraestrutura compartilhada.

A Payward organiza essa visão em quatro pilares: negociação via Kraken, atividades bancárias, gestão de ativos e a divisão Payward Services, voltada a infraestrutura para outras empresas. Segundo Sethi, a Kraken tem cerca de 6,6 milhões de contas com fundos, somando entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões em ativos, espalhadas por mais de 190 países e territórios.

Para reforçar a visão de plataforma unificada, a Payward vem adicionando serviços em torno dessas contas, incluindo cartões, crédito, derivativos e ações tokenizadas, além de produtos que permitem a clientes tomar empréstimos usando ativos como garantia ou aplicá-los em protocolos de finanças descentralizadas. A Kraken Financial, instituição depositária de propósito específico licenciada em Wyoming, também compõe essa estrutura.

Construir, comprar ou fazer parcerias

Essa mesma tese orienta as decisões de aquisição da empresa. Enquanto constrói internamente algumas capacidades, a Payward compra outras que levariam anos para serem replicadas e faz parcerias com instituições cuja posição de mercado não pode simplesmente ser adquirida.

A empresa pagou US$ 1,5 bilhão pela aquisição da NinjaTrader para montar uma corretora de futuros nos Estados Unidos, incorporando tecnologia e autorizações regulatórias que, segundo Sethi, seriam caras e demoradas de desenvolver do zero. Na sequência, fechou um acordo de US$ 550 milhões pela Bitnomial, somando infraestrutura regulada de derivativos, incluindo uma exchange, uma câmara de compensação e uma corretora de futuros.

A companhia também está "prestes a comprar um banco na Europa", disse Sethi, sem revelar o alvo. A CoinDesk lembra que a agência Bloomberg noticiou em julho que a Payward planejava adquirir um banco lituano como parte da estratégia de expansão no continente europeu.

Segundo a reportagem, a empresa não mantém uma lista de compras nem solicita propostas amplamente de bancos de investimento. Em vez disso, usa uma estrutura quantitativa para avaliar se um alvo preenche uma lacuna de infraestrutura e oferece capacidades demandadas pelos clientes, afirmou Sethi.

Nem tudo, porém, pode ser comprado. Alguns dos movimentos mais relevantes da Payward envolveram parcerias com as próprias instituições tradicionais que a tecnologia blockchain, em tese, prometia substituir. A Nasdaq concordou neste mês em investir US$ 100 milhões na Payward, ampliando o trabalho conjunto em torno dos Nasdaq Equity Tokens e de tecnologia de vigilância de mercado. As empresas esperam lançar os tokens no segundo trimestre de 2027, com a Payward fornecendo distribuição, negociação e infraestrutura pós-negociação.

Já a London Stock Exchange firmou parceria separada com a Payward para explorar ações públicas tokenizadas. Sujeito à aprovação regulatória, o plano é listar os xStocks — representações tokenizadas de ações negociadas publicamente — na futura plataforma LSE 24, em 2027.

Para a Payward, essas relações refletem o reconhecimento de que a infraestrutura blockchain não elimina tudo o que as bolsas estabelecidas construíram ao longo de décadas. "Confiança é a moeda delas", disse Sethi, argumentando que a Payward pode complementar, em vez de substituir, a infraestrutura de listagem e regulação dessas bolsas tradicionais.

A empresa também não está esperando que os legisladores abram caminho primeiro. Sethi não vê a legislação cripto travada nos Estados Unidos como obstáculo: a Payward apoiou o Clarity Act e passou anos educando formuladores de política, mas, segundo ele, a legislação formaliza indústrias em vez de criá-las. "O Bitcoin existe há 17 anos sem uma lei de estrutura de mercado", disse. "Direitos vêm primeiro, leis vêm depois, e a legislação vem a jusante."

Infraestrutura aberta a outras empresas

A Payward também está transformando em negócio próprio a infraestrutura originalmente construída para a Kraken. A divisão Payward Services oferece a bancos, fintechs, corretoras e plataformas cripto acesso a um conjunto comum de APIs. Segundo Sethi, ao menos 25 empresas já estão construindo produtos sobre essa infraestrutura e devem lançá-los ainda este ano; a Hyperliquid está entre os parceiros.

Essa divisão nasceu da infraestrutura que a própria Payward já havia construído para si mesma, incluindo custódia, liquidez, compliance, gestão de risco, pagamentos e liquidação. Agora, esses recursos são empacotados para empresas externas por meio de uma única integração.

Segundo a Architect Partners, isso pode dar à Payward um canal de distribuição que não depende de levar clientes diretamente à Kraken: bancos, fintechs, corretoras e outras companhias podem usar a infraestrutura da Payward dentro de produtos com suas próprias marcas. "O modelo da Payward pode funcionar mesmo quando o cliente final nunca interage diretamente com a Kraken", disse a consultoria. Essa estratégia abre outra fonte potencial de receita além da negociação na própria Kraken, mas também coloca a empresa em concorrência com o número crescente de firmas cripto que vendem infraestrutura para bancos e fintechs.

Gestão de ativos rumo ao blockchain

A reportagem indica que a Payward está adotando movimento semelhante na área de produtos de investimento, levando sua abordagem de infraestrutura compartilhada também para a gestão de ativos — passo que, segundo a empresa, completa o desenho dos quatro pilares de seu modelo de negócio.

O que isso significa para o investidor

Para quem acompanha o setor cripto no Brasil, o movimento da Payward reforça uma tendência de consolidação em que exchanges deixam de competir apenas por volume de negociação e passam a disputar espaço como provedoras de infraestrutura financeira para terceiros — um modelo que, se bem-sucedido, pode gerar receitas mais estáveis e menos dependentes da volatilidade do mercado cripto.

As parcerias com Nasdaq e London Stock Exchange são um sinal a observar: bolsas tradicionais estão dispostas a investir e cooperar com infraestrutura cripto para tokenizar ações, o que pode ampliar o universo de ativos tokenizados disponíveis a investidores globais nos próximos anos, ainda sujeito a aprovações regulatórias que não têm prazo garantido.

Vale lembrar que esses movimentos ocorrem num pano de fundo de mercado que, conforme cotação da TradingView referente a 26/09/2026 às 15h37 BRT, mostrava o Bitcoin em US$ 84.039,52, com variação de −0,04% no dia, e o Nasdaq em 27.068,72 pontos, alta de 0,48% no dia — sinais de estabilidade que contrastam com o ritmo acelerado de aquisições e parcerias anunciado pela Payward.

Para o investidor brasileiro, o ponto de atenção é acompanhar se a estratégia de 'infraestrutura para todos' da Payward efetivamente se traduz em receita recorrente e se as parcerias com bolsas tradicionais avançam dentro dos prazos anunciados, como o lançamento dos Nasdaq Equity Tokens previsto para o segundo trimestre de 2027 e a listagem de xStocks na LSE 24 no mesmo ano. Esses marcos servirão de termômetro para avaliar se o modelo de negócio consegue, de fato, romper as fronteiras entre finanças tradicionais e cripto sem depender de uma legislação específica nos Estados Unidos.

Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos