A corretora brasileira Mercado Bitcoin interrompeu depósitos e saques nesta segunda-feira depois que carteiras ligadas à plataforma foram drenadas em pelo menos dez redes blockchain distintas. Empresas de segurança estimam que as perdas superam US$ 40 milhões.
O episódio ocorre dias depois de o grupo norte-coreano TraderTraitor, segundo atribuição do FBI, ter roubado mais de US$ 6 bilhões da Binance — o maior roubo cripto já registrado.
Como o ataque foi identificado
Pablo Sabbatella, fundador da empresa de segurança cripto Opsek, divulgou um relatório segundo o qual as maiores saídas de recursos ocorreram entre 06h19 e 06h53 UTC. Nesse intervalo, carteiras espalhadas por diversas redes relevantes do ecossistema cripto — entre elas as que sustentam os principais tokens e plataformas de contratos inteligentes do mercado — enviaram a maior parte de seus fundos para endereços recém-criados.
De acordo com esse mesmo levantamento, o invasor passou a controlar cerca de 2.852 ETH, 106 BTC, 10.700 SOL, 6,7 milhões de XLM e 77 mil AVAX, além de mais de 200 outros tokens. As transferências teriam sido operações simples, sem exploração de contrato inteligente — ou seja, não houve falha de código a ser explorada, mas sim movimentação direta de ativos. Ainda não se sabe como o atacante obteve acesso às chaves de assinatura das carteiras.
Resposta da exchange
Em comunicado publicado no X, o Mercado Bitcoin afirmou ter identificado e contido rapidamente o incidente de segurança, garantindo que não houve prejuízo a clientes nem vazamento de dados. Depósitos e saques seguem suspensos como medida preventiva enquanto as equipes investigam o caso, rastreiam os ativos desviados e atuam em conjunto com as autoridades.
A corretora divulgou posteriormente os endereços de destino identificados em redes como as que sustentam contratos EVM, além de Bitcoin, Solana, Stellar e Tron, com o objetivo de ajudar terceiros a rastrear o destino dos recursos roubados.
Até o momento, nenhuma autoria foi atribuída publicamente ao ataque, e não há evidência pública que vincule o incidente ao assalto sofrido pela Binance.
Paolo Ardoino, fundador da Tether, confirmou o congelamento de US$ 4,5 milhões em USDT associados ao hack.
O que isso significa para o investidor
O episódio reforça um padrão observado pelo AAR News na cobertura do hack da Binance: ataques de grande escala ao setor cripto têm se tornado mais frequentes e mobilizam rapidamente tanto emissoras de stablecoins quanto investigadores independentes na tentativa de rastrear e congelar fundos. O congelamento parcial de USDT citado por Ardoino mostra que parte da resposta ao crime ocorre fora do controle das exchanges atacadas.
Para quem opera no mercado brasileiro, a suspensão de saques no Mercado Bitcoin é um lembrete prático de que risco de custódia não é teórico: mesmo sem indícios de vazamento de dados de clientes, a imobilização temporária de recursos já afeta liquidez e planejamento de quem mantém posições na corretora. Vale acompanhar se a exchange restabelece prazo para retomada das operações e se há comunicação adicional sobre reembolsos.
A proximidade temporal com o hack bilionário da Binance, coberto anteriormente pelo AAR News, também alimenta um cenário de maior cautela regulatória e de mercado: compradores de proteção via opções de bitcoin já reagiram ao caso anterior, segundo rastreamento citado pela CoinDesk, e novos episódios como este tendem a reforçar demanda por hedge. Às 16h30 BRT de 02/11/2026, o bitcoin era cotado a US$ 76.953,84 (−1,67% no dia) e o ethereum a US$ 2.250,69 (−0,96% no dia), segundo scanner da TradingView — números que ajudam a dimensionar o apetite ao risco do mercado no momento em que esses incidentes se acumulam.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos