A Apple apresenta nesta segunda-feira, após o fechamento do mercado, os resultados do quarto trimestre fiscal, em um evento que marca a primeira participação relevante do novo CEO John Ternus diante de analistas de Wall Street. A teleconferência está marcada para as 17h (horário do leste dos Estados Unidos), segundo a CNBC.
De acordo com projeções da LSEG citadas pela emissora, a expectativa é de receita 11% maior do que os US$ 102,5 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. As vendas de iPhone são estimadas em US$ 56,59 bilhões para o trimestre.
O desempenho da linha de iPhones é acompanhado de perto porque o balanço cobre apenas oito dias de comercialização do novo iPhone 18 Pro. O modelo mais aguardado pela empresa, o iPhone Duo, só chegou às lojas depois do encerramento do trimestre, e a Apple não lançou um iPhone 18 de entrada neste ciclo. A companhia também elevou em US$ 100 o preço dos iPhones, o que, segundo a reportagem, pode ter afetado a demanda no período.
Investidores devem questionar Ternus sobre os planos da Apple na China, após a aprovação do software de inteligência artificial da empresa no país, além dos recentes lançamentos de produtos e da forma como a companhia está lidando com a escassez global de memória e armazenamento flash.
Barclays mantém cautela e recomendação abaixo da média
Em relatório divulgado no fim de semana, analistas do Barclays afirmaram manter postura cautelosa em relação à ação, citando incertezas sobre o ciclo do iPhone, monetização limitada da inteligência artificial e temores renovados em torno da App Store, segundo a CNBC.
O banco mantém recomendação underweight para os papéis e avalia que os benefícios de preço que a Apple vinha obtendo no cenário de memória, graças à sua escala e condições preferenciais de compra, estão perdendo força.
Preocupação com margem bruta
O analista Wamsi Mohan, do Bank of America, disse na sexta-feira que sua equipe adotou uma visão conservadora para o balanço em razão de preocupações com margem bruta e com os aumentos de preço praticados pela empresa.
Segundo Mohan, a margem bruta da Apple no trimestre encerrado em setembro deve ser beneficiada por um impacto positivo relacionado a reembolsos de tarifas, mas pode recuar nos trimestres seguintes. A empresa havia reportado margem bruta de 49,3% no trimestre de junho, mas alertou que o indicador ficaria entre 47,5% e 48% no período de setembro.
Em nota citada pela CNBC, o analista afirmou que o foco dos investidores deve recair sobre a inflação nos custos de componentes, a durabilidade da margem bruta e o crescimento da receita de serviços. O Bank of America mantém recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de US$ 370.
Mercado de smartphones e PCs sob pressão da escassez de memória
A Apple compete em um mercado de smartphones e computadores pessoais descrito como o pior já visto pelo analista Ryan Reith, da IDC, em entrevista à CNBC. Segundo ele, empresas de eletrônicos de consumo em geral enfrentam alta nos preços de componentes, incluindo memória e armazenamento flash usados em praticamente todo smartphone e notebook.
A reportagem lembra que a Intel teve na sexta-feira seu pior dia na bolsa desde a década de 1970, com queda de 29%, depois de citar fraqueza no mercado de PCs ao divulgar uma previsão decepcionante.
Diversas empresas do setor responderam à escassez de componentes elevando preços ou reduzindo especificações de produtos atuais. Consumidores, por sua vez, têm mantido seus equipamentos antigos por mais tempo, o que pressiona as vendas para baixo. Segundo a IDC, o mercado de smartphones deve recuar cerca de 17% neste ano em termos de embarques, enquanto o de PCs pode cair 11%.
A Apple não está imune a esse cenário: a empresa elevou preços em quase todos os seus produtos depois que executivos alertaram, ainda no verão americano, que o mercado vivia uma situação descrita como uma enchente histórica.
Sem vendas do iPhone Duo no trimestre, mas com estreia parcial do iPhone 18
O novo smartphone dobrável da Apple, vendido a US$ 2.000, não contribuiu com nenhuma venda no trimestre encerrado no mês passado. Embora a empresa e Ternus tenham apresentado os novos iPhones em 9 de setembro, o modelo Duo só chegou às lojas em 23 de outubro, um mês depois do fechamento do período avaliado no balanço.
Segundo a CNBC, alguns analistas especulam que consumidores mais fiéis à marca podem ter adiado a compra de um novo iPhone justamente para aguardar o lançamento do Duo. Ainda assim, o trimestre contabiliza algumas semanas de vendas do iPhone 18 Pro e do iPhone 18 Pro Max, que chegaram ao mercado em 18 de setembro.
A rotina intensa de Ternus desde a posse
Clientes e investidores ainda estão conhecendo melhor John Ternus, mas desde que assumiu o cargo de Tim Cook, em 1º de setembro, o novo CEO tem adotado um papel de maior exposição pública como rosto da empresa de iPhones.
Sua primeira grande aparição ocorreu nove dias após assumir o cargo, quando apresentou o iPhone Duo na sede da Apple. Uma semana depois, esteve no tapete vermelho do Emmy. Em seguida, viajou a Nova York para a abertura de uma loja da marca por ocasião do lançamento do novo iPhone Pro. Também foi a Austin, no Texas, neste mês, para o início das vendas do iPhone Duo, com passagens por uma escola de ensino fundamental e por uma corrida de Fórmula 1.
Segundo a CNBC, a agenda de mídia de Ternus também tem sido intensa, incluindo uma capa na revista Time. Na semana passada, ele deu continuidade a um novo estilo de apresentação de produtos ao revelar o primeiro MacBook com tela sensível ao toque, usando um formato que já havia testado na primavera americana, quando a Apple lançou o MacBook Neo, de custo mais baixo. Na ocasião, discursou por cerca de cinco minutos diante de jornalistas e analistas, intercalando a fala com vídeos curtos.
A teleconferência desta segunda-feira será a primeira oportunidade de investidores avaliarem Ternus em profundidade. Ele já participou das últimas chamadas de resultados, mas sem fazer comentários extensos, deixando a maior parte das respostas a cargo de Cook.
Ação preferida entre as gigantes de tecnologia
Às vésperas do balanço, a Apple se consolidou como a ação preferida de Wall Street entre as megacaps de tecnologia. Segundo a CNBC, os papéis acumulavam alta de 27% no ano até o fechamento de sexta-feira, desempenho muito superior ao das principais concorrentes do setor.
A empresa também é a última do grupo, à exceção da Nvidia, que divulga resultados no mês que vem, a apresentar balanço trimestral. Nas últimas duas semanas, investidores reagiram com cautela aos resultados das chamadas hyperscalers, questionando o volume elevado de despesas e a redução no fluxo de caixa dessas companhias.
A Apple está em uma posição diferente, já que a fabricante de iPhones evitou acumular grandes gastos de capital, adotando uma abordagem mais comedida em seus investimentos em inteligência artificial, segundo a reportagem.
O que isso significa para o investidor
O balanço da Apple chega em um momento sensível para o mercado de tecnologia, como já vinha sendo sinalizado pela própria cobertura da AAR News: o comentarista Jim Cramer havia alertado, em 30/10/2026, que balanços de big techs, dados de emprego e o calendário eleitoral americano poderiam manter a volatilidade elevada nas semanas seguintes. O resultado da Apple, justamente por ser o último grande nome do setor a reportar antes da Nvidia, tende a funcionar como termômetro para o apetite de risco em tecnologia.
Para quem acompanha a ação no Brasil, os pontos de atenção levantados por analistas como Barclays e Bank of America são concretos: a sustentabilidade da margem bruta, hoje pressionada pelo custo de componentes e por aumentos de preço que podem não compensar integralmente a inflação de insumos, e o ritmo de vendas do iPhone em um trimestre sem o novo modelo dobrável nas prateleiras. A ausência de receita do iPhone Duo no período cria uma lacuna que só deve aparecer nos números do próximo trimestre, o que pode gerar reações distintas conforme o mercado avalie se a demanda foi adiada ou simplesmente perdida.
Outro ponto a observar é a própria mudança de liderança. Com Ternus assumindo pela primeira vez um papel de protagonismo em uma teleconferência de resultados, o tom e o nível de detalhe de suas respostas sobre China, inteligência artificial e cadeia de suprimentos podem influenciar a percepção de continuidade estratégica da empresa, especialmente em um momento de escassez de memória que já afetou negativamente outras fabricantes do setor, como mostrou o tombo da Intel citado na reportagem da CNBC.
Por fim, vale lembrar que o desempenho de 27% acumulado pela ação da Apple no ano, segundo a CNBC, ocorre em um contexto de maior resiliência relativa frente a outras megacaps de tecnologia que enfrentaram crítica por gastos elevados. Investidores devem monitorar se essa preferência relativa se mantém após o balanço, ou se as dúvidas sobre margem e vendas do iPhone no próximo trimestre reequilibram a comparação com os pares do setor.
Agregado por AAR News · fonte: CNBC
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