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Governo prorroga imposto sobre exportação de petróleo até fim de 2026

Camex renova alíquota de 12% e eleva percepção de risco regulatório; JPMorgan e Goldman veem PRIO como a mais exposta ao tributo

Governo prorroga imposto sobre exportação de petróleo até fim de 2026
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O governo decidiu manter, até o encerramento de 2026, a cobrança de 12% sobre as vendas externas de petróleo bruto. A medida foi referendada pela Camex na quinta-feira, a pedido do Ministério da Fazenda, com o argumento de garantir o fornecimento interno de combustíveis e sustentar recursos para subsidiar derivados.

Segundo avaliação do JPMorgan, assinada pela equipe liderada por Milene Clifford Carvalho, a prorrogação já era esperada por parcela relevante dos investidores, de modo que o efeito sobre as projeções de lucro das companhias tende a ser limitado. Ainda assim, o banco pondera que a manutenção da cobrança reforça um ambiente de maior incerteza regulatória para o setor de óleo e gás.

Origem do tributo e disputa jurídica

A taxação foi instituída no início deste ano por meio de uma medida provisória, como parte de um conjunto de ações do governo para amenizar os efeitos de uma escalada nos preços internacionais do petróleo associada a tensões geopolíticas no Oriente Médio. Depois que a validade daquele instrumento se esgotou, o Executivo passou a renovar a cobrança por meio de sucessivas resoluções da própria Camex, em meio a questionamentos judiciais sobre a legalidade do mecanismo.

PRIO é a mais exposta, Petrobras tem folga relativa

De acordo com o JPMorgan, a PRIO (PRIO3) é a companhia que mais sente o peso do tributo, seguida pela Brava Energia (BRAV3). A Petrobras (PETR3; PETR4) aparece em situação comparativamente mais confortável diante da cobrança.

A vulnerabilidade da PRIO decorre do fato de praticamente toda sua receita estar atrelada à venda de petróleo bruto ao exterior. No terceiro trimestre deste ano, a empresa contabilizou US$ 120 milhões em despesas vinculadas ao imposto, valor que correspondeu a cerca de 8% da receita FOB informada no período.

A Brava Energia ocupa a segunda posição de maior exposição: entre 30% e 40% de sua produção — concentrada nos campos de Atlanta e Parque das Conchas — segue para o mercado externo. Já a Petrobras tem fatia menor sujeita ao tributo, com aproximadamente 20% das receitas ligadas a exportações de petróleo. No caso da PetroReconcavo (RECV3), o impacto é considerado pouco expressivo, já que a companhia tem maior peso em gás natural e atuação voltada ao mercado interno.

Geração de caixa ainda sustenta teses de investimento

Mesmo diante do tributo, o JPMorgan avalia que a capacidade de geração de caixa das petroleiras continua sendo o principal pilar das recomendações para o setor. Em um exercício de cenário adverso — com a alíquota de 12% mantida ao longo de todo 2027 e o Brent estacionado em US$ 82 por barril —, o banco projeta rendimento de fluxo de caixa de 27% para a PRIO e de 15% para a Petrobras. Caso o imposto deixasse de existir, esses percentuais subiriam para 32% e 19%, respectivamente.

Com base nesses números, o JPMorgan diz que manteria postura compradora em ações da PRIO em eventuais quedas motivadas pela notícia, por entender que, mesmo sendo a mais penalizada pelo tributo, a empresa segue com geração de caixa robusta.

Risco de novas medidas tributárias preocupa mais que o impacto atual

Para os analistas do JPMorgan, o ponto mais sensível não é o efeito imediato da cobrança, mas o sinal que ela envia ao mercado. A combinação entre petróleo caro, necessidade de bancar subsídios ao diesel e pressão por arrecadação tem levado investidores a temer que o governo recorra a novos tributos sobre o setor no futuro.

O relatório também chama atenção para a falta de clareza sobre o que ocorrerá com o imposto depois de 31 de dezembro, o que pode intensificar a percepção de risco regulatório e, eventualmente, esfriar o apetite por novos projetos de exploração e produção, além de reduzir o interesse de empresas que ainda não atuam no país.

Mesmo com essas ressalvas, o JPMorgan mantém recomendação overweight — equivalente à compra, com exposição acima da média do mercado — para PRIO (PRIO3) e Petrobras (PETR3; PETR4), enquanto classifica Brava Energia (BRAV3) e PetroReconcavo (RECV3) como neutras.

Goldman Sachs e Bradesco BBI reforçam leitura negativa, mas sem surpresa

O Goldman Sachs também classifica a decisão como desfavorável, embora sem representar uma surpresa relevante. Segundo o banco, conversas recentes com clientes já indicavam que a maioria contava com a prorrogação da sobretaxa, dado o patamar elevado dos preços do petróleo. A instituição afirma que seu cenário-base já previa a manutenção dos impostos sobre exportação até o fim do ano e observa que o governo pode usar essa receita para compensar, ao menos em parte, o custo fiscal dos subsídios ao diesel. Na avaliação do Goldman, PRIO, Petrobras e Brava são as companhias mais expostas à cobrança.

Já o Bradesco BBI enxerga um lado positivo da prorrogação para as distribuidoras de combustíveis, incluindo as três maiores do setor, já que os subsídios governamentais ajudam a preservar margens mais altas para empresas com maior exposição aos preços domésticos de combustíveis, em comparação a postos sem bandeira. Em contrapartida, o banco vê cenário desafiador para companhias dedicadas exclusivamente à exploração e produção, com destaque para a PRIO, que destina toda sua produção ao mercado externo. O Bradesco BBI afirma trabalhar com a expectativa de que os subsídios sejam mantidos ao menos até maio de 2027.

O que isso significa para o investidor

A prorrogação do tributo confirma um padrão que o mercado já vinha precificando: o governo trata a tributação sobre exportação de petróleo como instrumento recorrente de política fiscal e energética, não como medida pontual. Para quem investe em PRIO3 e BRAV3 — companhias com maior dependência de receita externa —, o fator a acompanhar não é mais o impacto financeiro direto do tributo atual, já incorporado aos preços, mas o risco de novas rodadas de taxação enquanto o Brent permanecer em patamar elevado e os subsídios ao diesel continuarem pressionando as contas públicas.

No pregão de 6 de novembro, por volta das 18h18 (horário de Brasília), PRIO3 operava em queda de 2,23%, a R$ 60,17, segundo dados do TradingView, movimento que dialoga com a cautela destacada pelos bancos. BRAV3 recuava 1,14%, a R$ 15,58, enquanto PETR3 caía 1,18%, a R$ 51,17, e PETR4 perdia 1,48%, a R$ 45,27 — reforçando que o setor de óleo e gás como um todo reagiu negativamente à notícia, ainda que de forma mais contida para os papéis da Petrobras.

Vale notar que esse recuo ocorre em meio a um cenário já de pressão para as ações da Petrobras: cobertura anterior do AAR News registrou queda de mais de 3% em PETR4 em 3 de novembro, associada à oscilação dos preços internacionais do petróleo. A combinação entre volatilidade do Brent e incerteza regulatória tende a manter a Petrobras — ainda que menos exposta ao tributo de exportação — sob maior escrutínio dos investidores nas próximas semanas.

Para o investidor de perfil mais conservador, a recomendação overweight do JPMorgan para PRIO e Petrobras sinaliza que a geração de caixa dessas empresas continua sendo vista como resiliente mesmo em cenários de estresse fiscal. Já para quem busca exposição a distribuidoras de combustíveis, a leitura do Bradesco BBI sugere que a manutenção dos subsídios pode favorecer margens até pelo menos maio de 2027 — um horizonte que vale monitorar de perto, dado o histórico de prorrogações sucessivas via resoluções da Camex.

Agregado por AAR News · fonte: InfoMoney

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos