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Dirigente do Fed vê mais aperto monetário após dados fortes de emprego

Mary Daly, do Fed de São Francisco, afirma que novas altas de juros são prováveis, mesmo com mercado de trabalho resiliente nos EUA

Dirigente do Fed vê mais aperto monetário após dados fortes de emprego
CNBC

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A presidente do Federal Reserve de São Francisco, Mary Daly, declarou nesta sexta-feira que considera necessário um novo aperto na política monetária americana, embora o momento e a intensidade dessa decisão ainda estejam em aberto. A informação é da CNBC.

Em entrevista ao vivo ao jornalista Steve Liesman, Daly afirmou que o Fed provavelmente precisará elevar os juros novamente. 'Minha expectativa é que vamos ter que apertar mais a política. Exatamente quando e quanto ainda está por decidir, porque precisamos considerar todas as variáveis que vão surgindo', disse. Ela acrescentou: 'É provável que mais seja necessário, e certamente... estou pronta para fazer isso se for o que a economia pedir'.

Emprego surpreende, mas inflação pesa no bolso

As declarações de Daly vieram no mesmo dia em que o Bureau of Labor Statistics divulgou que a economia americana criou 165 mil vagas de trabalho em outubro, enquanto a taxa de desemprego — variável que mais chama a atenção dos dirigentes do Fed — recuou para 4,1%.

Segundo a CNBC, os números vieram substancialmente acima das expectativas de Wall Street. A criação de empregos, inclusive, ficou próxima do triplo da estimativa de consenso levantada pela Dow Jones.

Daly classificou o relatório como 'boa notícia para os trabalhadores americanos', mas chamou atenção para a pressão que a inflação continua exercendo sobre as finanças das famílias. Os ganhos médios por hora subiram 3,1% na comparação anual em outubro, enquanto a taxa de inflação de setembro, medida pelo índice de preços ao consumidor, foi de 3,7%.

'Eles veem que conseguem emprego, continuam gastando. Não estão fora do jogo, mas estão em uma esteira de inflação alta', afirmou Daly. 'Isso já dura demais, quase seis anos, e estamos realmente começando a sentir esse peso se espalhando por toda parte.'

Preocupação não é crescimento, mas persistência da inflação

A dirigente do Fed disse não estar preocupada, de forma geral, com o crescimento econômico, mas sim com a persistência da inflação. 'O mercado de trabalho permanece estável e sólido, mas não está em expansão acelerada, e você vê os salários reais caindo porque esses ganhos não estão realmente acompanhando a inflação', afirmou Daly. 'Acho que esse é o cerne da questão. Boa notícia na frente do emprego, mas não está claro que os americanos vão ganhar terreno no mercado de trabalho.'

Comitê mantém juros estáveis na última reunião

O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), em setembro, elevou a taxa básica de juros do banco central americano em um quarto de ponto percentual, para uma faixa-alvo entre 3,75% e 4%. Na reunião seguinte, no entanto, o comitê optou por não dar sequência a essa alta, afirmando preferir aguardar 'o acúmulo de mais informações' antes de decidir seu próximo passo.

Daly terá direito a voto no comitê no próximo ano e afirmou que ainda defende uma abordagem gradual. O presidente do Fed de Richmond, Thomas Barkin, já havia dito na quinta-feira que também enxerga juros mais altos pela frente, mas sem clareza sobre o cronograma — avaliação que, segundo cobertura anterior da AAR News, reforça o discurso de cautela entre dirigentes do Fed.

'Eu apoiei totalmente e achei que aquele foi o movimento certo em setembro', disse Daly. 'Também acho que foi bom manter a pausa na última reunião, porque o mundo está cheio de incertezas.'

O que isso significa para o investidor

As falas de Daly reforçam um padrão que já aparece em outras manifestações recentes de dirigentes do Fed, como a de Thomas Barkin, do Fed de Richmond, noticiada pela AAR News em 5 de novembro: a convicção de que juros mais altos ainda podem vir, mas sem pressa definida. Para quem investe em ativos sensíveis a juros americanos — bonds, ações de crescimento, moedas emergentes —, esse discurso sugere que a volatilidade ligada às expectativas de política monetária dos EUA deve continuar presente no curto prazo.

O contraste entre um mercado de trabalho que surpreende positivamente e uma inflação que ainda corrói o poder de compra das famílias é um ponto central a monitorar. Se essa dinâmica persistir, aumenta a chance de o Fed manter uma postura mais dura por mais tempo, o que tende a sustentar o dólar e pressionar ativos de risco, especialmente em mercados emergentes como o Brasil.

Vale observar também o pano de fundo bancário: levantamento do próprio Fed, mencionado em cobertura anterior da AAR News de 5 de novembro, já apontava maior restrição de crédito para pequenas empresas e para o setor imobiliário comercial. Combinado com a sinalização de Daly, esse cenário reforça a leitura de que as condições financeiras nos EUA devem seguir mais apertadas, algo que investidores brasileiros com exposição a ativos dolarizados ou a setores sensíveis a crédito externo devem acompanhar de perto nas próximas semanas.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos