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CVS Health anuncia divisão em duas empresas e ação cai mais de 12%

Companhia planeja separar rede de farmácias do negócio de seguros e do gestor de benefícios farmacêuticos Caremark até o primeiro semestre de 2028

CVS Health anuncia divisão em duas empresas e ação cai mais de 12%
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A CVS Health informou nesta quarta-feira que pretende se dividir em duas empresas de capital aberto até o primeiro semestre de 2028, em uma das maiores reestruturações corporativas já anunciadas no setor de saúde. A decisão desfaz, na prática, a lógica por trás da aquisição da seguradora Aetna, negócio de US$ 78 bilhões fechado para criar um conglomerado verticalizado de saúde em 2018.

O plano prevê separar a operação de cerca de 9.000 farmácias de varejo da área de seguros e do Caremark, um dos três maiores gestores de benefícios farmacêuticos (PBM, na sigla em inglês) do país. As ações da CVS fecharam o pregão com queda superior a 12%.

A decisão veio depois de uma revisão estratégica abrangente conduzida pelo conselho de administração da empresa, segundo comunicado oficial. O movimento representa uma reviravolta para uma companhia que passou duas décadas tentando se transformar em um destino único para serviços de saúde.

A reestruturação ocorre em meio a um plano de recuperação conduzido pelo CEO David Joyner, que inclui corte de US$ 2 bilhões em custos, fechamento de lojas, mudanças na liderança e esforços para conter custos do programa Medicare Advantage.

Em entrevista à CNBC, Joyner afirmou que a decisão de dividir a empresa parte de "uma posição de força", citando a recuperação do negócio de Medicare da Aetna e o desempenho sólido da farmácia de varejo. Segundo ele, a solidez atual do negócio é que permite à companhia tomar "as decisões estratégicas certas para o futuro" da empresa.

Desde que Joyner assumiu o comando em outubro de 2024, as ações da CVS acumulam alta de cerca de 70%, levando o valor de mercado da companhia a US$ 117 bilhões.

Como ficará a nova estrutura

As duas empresas resultantes da divisão serão negociadas publicamente. A unidade de seguros e PBM manterá o nome CVS Health e continuará sob comando de Joyner. A outra, batizada CVS Pharmacy, será liderada por Prem Shah, atual presidente de grupo da CVS Health. Cargos de liderança adicionais e composição dos conselhos devem ser anunciados posteriormente, segundo a empresa.

Os atuais acionistas da CVS passarão a deter ações das duas novas companhias após a separação. O jornal Financial Times havia antecipado os planos de divisão na terça-feira, um dia antes do anúncio oficial.

Os números do negócio

Segundo a CVS, a divisão de farmácias registrou US$ 37,66 bilhões em vendas em 2025, enquanto a unidade de seguros somou US$ 36,29 bilhões em receita e o segmento de serviços de saúde gerou US$ 51,24 bilhões.

A empresa também divulgou nesta quarta-feira resultados do terceiro trimestre acima das expectativas do mercado, com receita total de US$ 108,40 bilhões, ante US$ 102,87 bilhões no mesmo período do ano anterior. O avanço foi puxado pelo crescimento anual nos segmentos de benefícios de saúde e serviços de saúde, enquanto a receita da área de serviços farmacêuticos recuou na comparação anual.

O que compõe cada empresa

De acordo com o anúncio, a unidade de seguros e PBM incorporará também a operação de atenção primária Oak Street Health, o serviço de visitas domiciliares Signify Health e o negócio de medicamentos especializados da CVS. A companhia afirma que a separação permitirá a cada empresa seguir uma agenda estratégica mais focada, com maior capacidade de inovar, adotar tecnologia e ganhar eficiência.

Não é a primeira vez que a CVS avalia esse tipo de divisão. Em outubro de 2024, a empresa já havia contratado consultores para uma revisão estratégica que considerava separar as operações de farmácia de varejo e seguros. Na época, segundo Joyner, a companhia estava em meio a um processo de reestruturação e não tinha flexibilidade, posição de caixa nem desempenho de negócio suficientes para executar a divisão.

Avaliação de analistas e pano de fundo regulatório

Em entrevista, o analista Michael Cherny, da Leerink Partners, disse que a divisão reflete a estabilidade do negócio de farmácias, que vem ganhando participação de clientes frente a concorrentes e observando estabilização nas margens brutas graças ao CostVantage, novo modelo de reembolso de farmácia introduzido pela CVS no ano passado e apresentado pela empresa como mais transparente.

Segundo Cherny, o negócio de farmácias hoje é "muito diferente" do que era há três, cinco ou dez anos, período em que enfrentava uma série de obstáculos que não conseguia superar, segundo suas declarações à CNBC.

Uma preocupação apontada para investidores é se a farmácia de varejo perderá a vantagem competitiva de estar diretamente ligada a um PBM, responsável por negociar preços de medicamentos e administrar benefícios de prescrição em nome de seguradoras e empregadores. Joyner respondeu a analistas que as sinergias entre os dois negócios serão preservadas por meio de acordos comerciais entre as organizações, afirmando que a integração operacional entre elas não é necessária.

Cherny também observou que a decisão pode estar relacionada ao escrutínio crescente de legislaturas estaduais sobre o grau de integração vertical da companhia. A eventual separação ocorre em meio a uma pressão bipartidária crescente em Washington e em diversos estados sobre os PBMs. Tennessee e Arkansas aprovaram leis que proíbem a propriedade conjunta de PBMs e farmácias, normas que já foram contestadas judicialmente pela CVS e por outras empresas do setor.

Os PBMs têm sido alvo de críticas por práticas de precificação pouco transparentes, pelo crescimento de seu poder de mercado e por potenciais conflitos de interesse quando pertencem a grupos que também controlam seguradoras e farmácias.

O que isso significa para o investidor

A reação do mercado, com queda superior a 12% nas ações da CVS logo após o anúncio, sinaliza ceticismo imediato sobre os benefícios da separação, mesmo com a empresa descrevendo o movimento como decisão tomada a partir de uma posição de força financeira e operacional. Para o investidor, vale observar se essa queda reflete apenas ajuste de curto prazo ou dúvida mais estrutural sobre o valor combinado das duas empresas resultantes frente ao conglomerado atual.

Um ponto central a acompanhar é a manutenção das sinergias comerciais entre a futura CVS Pharmacy e a CVS Health (seguros e PBM) por meio de acordos contratuais, sem integração operacional direta. Esse arranjo será testado ao longo do processo, que deve se estender até o primeiro semestre de 2028, e pode impactar diretamente a competitividade de preços e margens de ambas as companhias.

O pano de fundo regulatório também merece atenção redobrada: leis estaduais que restringem a copropriedade entre PBMs e farmácias, como as já aprovadas no Tennessee e no Arkansas, e o escrutínio bipartidário em Washington sobre práticas dos PBMs, podem influenciar tanto o desenho final da separação quanto o ambiente competitivo das duas novas empresas depois de concluída a cisão.

Por fim, investidores expostos à CVS devem monitorar os próximos anúncios sobre composição de conselhos e lideranças adicionais das duas companhias, além dos resultados trimestrais subsequentes, para avaliar se a tese de que o negócio de farmácias está em posição mais sólida — como defendido por analistas como Michael Cherny — se confirma ao longo da implementação do plano.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos