O bitcoin devolveu boa parte do avanço registrado após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Segundo o CoinDesk, a criptomoeda caía cerca de 5,2% em 24 horas, para a faixa de US$ 76.100, depois de ter chegado a US$ 76.091,73 em outro ponto da sessão.
O índice CoinDesk 20 (CD20), que reúne os principais ativos digitais, recuava 6,17% no mesmo intervalo, pressionado pelo desempenho negativo de ativos ligados ao tema inteligência artificial.
Contágio vindo das bolsas de ações
O movimento de aversão a risco não ficou restrito ao mercado cripto. O Nasdaq caiu 5,5% na quinta-feira, a pior sessão do índice desde abril de 2025, conforme o CoinDesk. A onda de vendas se espalhou para os mercados asiáticos: o Kospi, da Coreia do Sul, recuou até 8,8%, o que levou a um pregão suspenso por 20 minutos.
Por trás da cautela está a nova composição do Congresso americano. Com os democratas assumindo o controle das duas Casas, cresceu entre investidores o temor de que a oposição ao avanço de data centers ganhe força, freando a expansão de projetos ligados à inteligência artificial. O CoinDesk aponta que essa preocupação atinge diretamente mineradoras de bitcoin, muitas das quais migraram parte de suas operações para computação voltada a IA.
Alavancagem amplifica a queda
A reportagem destaca que mais de US$ 1,27 bilhão em posições de derivativos cripto foram liquidadas nas últimas 24 horas, sendo mais de US$ 1,1 bilhão referentes a apostas de alta. Carlos Guzman, vice-presidente de pesquisa da GSR, descreveu o episódio, nas palavras citadas pelo CoinDesk, como "um recuo no apetite por risco amplificado pela alavancagem".
ETFs não sustentam o preço à vista
A demanda institucional também não tem ajudado a conter a correção. De acordo com o CoinDesk, os ETFs de bitcoin à vista registraram saída líquida de US$ 430,2 milhões na quinta-feira. Analistas da Bitfinex já haviam alertado, segundo a publicação, que sustentar a recuperação de preços exigiria demanda real no mercado à vista.
Olhos no mercado de trabalho americano
O próximo gatilho relevante é o relatório de emprego de outubro nos EUA. Economistas ouvidos pelo CoinDesk projetam criação de 59 mil a 65 mil vagas, ante 29 mil em setembro. O mercado precifica cerca de 70% de probabilidade de alta de juros pelo Federal Reserve em dezembro, o que torna um número forte de emprego um fator adicional de pressão sobre ativos de risco.
Jasper De Maere, trader de balcão da Wintermute, citado pelo CoinDesk, vê US$ 73 mil e US$ 68 mil como possíveis níveis de suporte em caso de aprofundamento da queda. Para ele, o bitcoin precisaria recuperar e sustentar os US$ 80 mil para sinalizar retomada de força.
Outros destaques do dia
A World Liberty Financial, projeto cripto ligado à família Trump, planeja recomprar mais tokens WLFI após queda acumulada de 66% no ano, informou o CoinDesk. A Bloomberg, por sua vez, avalia que Wall Street passou a considerar cenários mais adversos para o chamado trade de inteligência artificial depois que os democratas conquistaram maiorias no Senado, na Câmara e em governos estaduais.
No mercado de petróleo, o CoinDesk cita reportagem da CNBC segundo a qual o Brent recuava 1,38%, a US$ 96,93 o barril, por volta das 4h38 (horário de Nova York), após ter chegado perto de US$ 100 mais cedo na sessão. O WTI caía 1,49%, para US$ 89,17 o barril.
O sinal técnico do dia
O boletim do CoinDesk aponta que o preço do bitcoin perdeu a média móvel exponencial de 50 semanas, em torno de US$ 78,4 mil, e testa o suporte semanal-chave de US$ 75 mil. Um fechamento semanal abaixo dessa média costuma sinalizar uma quebra de tendência de médio prazo. Por outro lado, a ausência de divergências no indicador RSI é apontada como um sinal construtivo dentro do cenário de correção.
O que isso significa para o investidor
Dados do TradingView mostram que, às 6h17 de 7 de novembro de 2026, horário de Brasília, o bitcoin era cotado a US$ 76.039,15, com alta de 0,41% no dia, e o Nasdaq operava a 24.579,42 pontos, avanço de 1,09%. Essa leitura posterior sugere uma tentativa de estabilização após o tombo descrito pelo CoinDesk, mas não elimina os riscos apontados pela reportagem — especialmente o volume elevado de liquidações e a saída de recursos dos ETFs à vista.
Para quem investe em cripto no Brasil, o episódio reforça um ponto recorrente: movimentos de queda rápida tendem a ser amplificados por posições alavancadas, e não necessariamente refletem mudança de convicção dos grandes compradores institucionais. A combinação entre saída de ETFs e ausência de demanda à vista, mencionada pelos analistas da Bitfinex, é um indicador a acompanhar nas próximas semanas, já que sinaliza se o mercado terá fôlego para sustentar níveis acima de US$ 80 mil, patamar citado pela Wintermute como referência de força.
O calendário também pede atenção redobrada: o relatório de emprego dos EUA e a leitura do mercado sobre a trajetória de juros do Federal Reserve em dezembro devem ser catalisadores diretos de volatilidade tanto para ações de tecnologia quanto para criptoativos, dada a correlação observada entre o tombo do Nasdaq e a queda do bitcoin nesta semana. Investidores mais conservadores podem preferir aguardar sinais de estabilização técnica — como a reconquista da média móvel de 50 semanas citada pelo CoinDesk — antes de reforçar posições.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos