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Binance revela que hack de US$ 6,3 bi usou entrevistas de emprego falsas

Exchange diz que engenheiro foi atraído por processo seletivo fraudulento e que ferramenta interna de IA comprometida ajudou a espalhar o ataque, segundo a BBC

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A Binance, operadora da maior exchange de criptomoedas do mundo, divulgou nesta semana as primeiras conclusões sobre o roubo recorde de US$ 6,3 bilhões sofrido pela plataforma. Segundo a empresa, os invasores recorreram a entrevistas de emprego falsas e a uma ferramenta interna de inteligência artificial comprometida para executar o ataque, conforme apurou a BBC.

De acordo com o relatório inicial publicado pela companhia, os hackers tiveram acesso aos sistemas da Binance por meio de uma campanha descrita como 'sofisticada e em múltiplos estágios'. A empresa afirma que foram usadas diversas técnicas, incluindo o download de softwares maliciosos, para comprometer computadores de engenheiros e obter controle sobre ferramentas que permitiram drenar carteiras com bilhões de dólares em criptoativos.

A Binance classificou o episódio como um 'incidente de segurança sério e altamente sofisticado' e pediu desculpas publicamente, afirmando que 'isso não deveria ter acontecido'.

Engenharia social e entrevistas falsas

Em publicação na rede X, a Binance detalhou que os invasores miraram engenheiros da empresa usando técnicas de engenharia social — abordagens como phishing, que buscam induzir pessoas a revelar dados sensíveis ou pessoais, posteriormente usados para tentar acessar contas e sistemas.

Segundo a companhia, um de seus engenheiros foi contatado por meio de uma plataforma legítima de busca de empregos e convidado para entrevistas fraudulentas com supostos representantes de empresas. Os responsáveis pelo ataque teriam usado métodos 'mais avançados e enganosos' para construir confiança com o profissional, inclusive compartilhando perfis de redes sociais com imagens pessoais.

Ainda conforme o relato da Binance, o engenheiro foi instruído a baixar um arquivo apresentado como 'tarefa' durante uma segunda entrevista. Esse arquivo continha código malicioso com técnicas de ofuscação capazes de driblar sistemas de detecção.

A partir do computador comprometido desse profissional, os invasores teriam utilizado também uma ferramenta interna de inteligência artificial da empresa para obter controle sobre os laptops de outros dois engenheiros, dando sequência às próximas etapas do ataque.

Suspensão de saques e reabertura

O incidente levou a Binance a suspender globalmente os saques de clientes, impedindo a retirada de criptoativos da plataforma até o restabelecimento do serviço no domingo. Após a reabertura, usuários retiraram bilhões de dólares em ativos.

'Pedimos desculpas pela preocupação, pela disrupção e pela incerteza causadas a nossos usuários, parceiros e ao setor como um todo', afirmou a empresa, segundo a BBC.

A Binance informou ter adotado uma série de medidas após o ataque, incluindo a colaboração com autoridades policiais para rastrear e congelar ativos afetados. A empresa disse ainda ter reservado mais de 100% dos fundos necessários para cobrir o prejuízo e que 98% dos ativos em tokens impactados já haviam sido 'repostos' até sábado.

O episódio é considerado, até o momento, o maior hack de criptomoedas já registrado.

Suspeita sobre a Coreia do Norte

Agências de investigação dos Estados Unidos, incluindo o FBI e o Secret Service, têm auxiliado a Binance a rastrear os criptoativos retirados das carteiras da própria exchange. Segundo essas agências e analistas de cibersegurança, o ataque apresenta características semelhantes a invasões anteriores atribuídas à Coreia do Norte.

Pyongyang rebateu as acusações nesta terça-feira. Kim Yo Jong, alta funcionária norte-coreana e irmã do líder Kim Jong Un, classificou as acusações como mais uma 'tentativa sinistra' dos Estados Unidos de prejudicar a imagem pública do país. A Coreia do Norte tem negado sistematicamente envolvimento em diversos ciberataques de grande porte atribuídos a ela nos últimos anos.

O grupo conhecido como TraderTraitor, também identificado como Lazarus Group, foi responsabilizado por um hack então recorde de US$ 1,5 bilhão contra a exchange Bybit em 2025.

A Binance anteriormente não havia respondido a questionamentos da BBC sobre a suposta participação norte-coreana no ataque. Nesta terça-feira, porém, a empresa escreveu em sua publicação na rede X que 'as informações mais recentes divulgadas pelo Federal Bureau of Investigation indicam que a República Popular Democrática da Coreia é responsável por este incidente'.

Medidas de reforço de segurança

Como parte dos esforços de segurança após o ataque, a Binance afirmou que vai ampliar investimentos em ferramentas de inteligência artificial voltadas à detecção de ameaças, além de contratar especialistas externos em cibersegurança para conduzir uma revisão completa do incidente.

A empresa disse também que buscará estabelecer um fundo de pesquisa em segurança e trabalhar com empresas líderes em IA e segurança digital em iniciativas direcionadas.

O que isso significa para o investidor

A cobertura da AAR News já havia registrado, em 2 de novembro, a suspensão de transações pela Binance logo após o ataque, então atribuído a um grupo ligado à Coreia do Norte, e, em 4 de novembro, a reabertura das operações com saques de US$ 3,6 bilhões e uma cobertura declarada de 95% dos ativos roubados. O novo patamar de 98% informado pela empresa sugere avanço no processo de reposição, mas o episódio como um todo reforça um ponto estrutural para quem investe em cripto: a segurança operacional das exchanges depende tanto de infraestrutura técnica quanto do fator humano, e falhas em processos internos — como contratações e verificação de identidade — podem ter impacto financeiro direto sobre usuários.

Para investidores expostos a ativos digitais custodiados em exchanges centralizadas, o caso é um lembrete de que a concentração de fundos em uma única plataforma, por maior e mais consolidada que seja, carrega risco de contraparte. Vale acompanhar se a Binance manterá o ritmo de reposição de ativos, como evoluirá a cooperação com FBI e Secret Service no rastreamento dos fundos desviados, e se novas exchanges passarão a adotar controles mais rígidos de verificação em processos de contratação após a divulgação desses detalhes.

A atribuição do ataque à Coreia do Norte, caso se confirme nas investigações em curso, também tende a manter o tema sob monitoramento de reguladores e agências internacionais, com possíveis desdobramentos sobre sanções e compliance no setor cripto — fator que investidores institucionais costumam observar de perto antes de ampliar exposição a ativos digitais.

Agregado por AAR News · fonte: BBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos