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Binance registra saques de US$ 3,6 bi após maior hack da história cripto

Exchange reabriu operações no domingo e diz ter coberto 95% dos ativos roubados, enquanto rastreamento de fundos ligados ao ataque de US$ 6,3 bi continua

Binance registra saques de US$ 3,6 bi após maior hack da história cripto
BBC

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A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, viu clientes retirarem US$ 3,6 bilhões em ativos no domingo, dia em que a plataforma voltou a operar normalmente depois de suspender transações em razão do que é considerado o maior roubo já registrado no setor de criptoativos, segundo reportagem da BBC.

O incidente atingiu US$ 6,3 bilhões em ativos digitais. A empresa afirma já ter reposto cerca de 95% do montante subtraído, mas reconhece que a parcela remanescente pode levar mais tempo para ser recomposta. Desde o início da crise, a Binance vem repetindo que arcará integralmente com as perdas ligadas ao ataque.

O volume movimentado na reabertura

Em comunicado publicado na rede X, a Binance detalhou a movimentação do dia: entre 6h e 15h30 no horário de Greenwich, a corretora processou US$ 4,649 bilhões em saques e US$ 1,01 bilhão em depósitos, resultando em uma saída líquida de aproximadamente US$ 3,64 bilhões.

Segundo a empresa, houve um pico inicial de retiradas que depois recuou, com os números se estabilizando dentro do esperado. A Binance ressaltou que o volume de saques líquidos do domingo representa pouco mais de 2% dos US$ 171 bilhões em ativos sob sua gestão. A corretora havia informado, na semana anterior, ter reservado mais de US$ 6,3 bilhões em fundos para lidar com as consequências do ataque.

A empresa também informou que os saques de mais de duas dezenas de criptomoedas relevantes, como Bitcoin e Ethereum, já foram retomados, e que outros serviços voltarão a funcionar em etapas conforme avancem as checagens de segurança.

Lavagem de fundos segue ativa

Segundo Alec Zebrick, gerente sênior de serviços globais da Chainalysis — empresa que atua junto à Binance e a governos na tentativa de recuperar os recursos roubados —, os fundos ligados ao ataque continuam sendo movimentados de forma a dificultar o rastreamento. Em entrevista ao programa Today, da BBC, ele afirmou que os recursos vêm sendo lavados de maneira bastante ativa, com os invasores fracionando as quantias em milhares de endereços e depósitos.

No sábado anterior, o FBI divulgou uma lista de endereços de carteiras de criptomoedas associados ao grupo responsável pelo ataque e pediu que parceiros do setor ajudassem bloqueando transações vinculadas a esses endereços. A própria Binance também se mobilizou para pedir a emissores de criptoativos que congelassem os fundos afetados.

Como o ataque teria começado

De acordo com a Binance, verificações preliminares indicam que o episódio pode ter começado a partir do comprometimento do notebook de um engenheiro da empresa, o que teria aberto caminho para que os invasores realizassem transações não autorizadas. O ataque atingiu a Binance.com, a plataforma global centralizada da exchange, enquanto a unidade voltada ao mercado americano informou não ter sido afetada.

A corretora disse ter reposto os ativos dos clientes recorrendo a uma combinação de fontes, incluindo sua tesouraria corporativa, além dos fundos de seguro de futuros e de reserva de emergência. Em nota, a empresa reafirmou o compromisso de cobrir integralmente o impacto financeiro dos recursos roubados no episódio.

A Binance foi fundada na China e hoje soma centenas de milhões de usuários registrados em todo o mundo. Criptomoedas são ativos digitais negociados em corretoras como a Binance e, diferentemente do dinheiro físico, existem apenas em formato eletrônico, geridos por computadores, smartphones e outros dispositivos.

O que isso significa para o investidor

Os detalhes divulgados pela Binance ganham contorno mais preocupante à luz da cobertura recente do AAR News, que mostrou a exchange atribuindo a origem do ataque a um grupo ligado à Coreia do Norte, que teria comprometido funcionários por meio de um processo seletivo falso antes de explorar um mecanismo do Ethereum, com apoio de uma ferramenta interna de inteligência artificial comprometida. O episódio já teve efeito concreto no mercado brasileiro: dias após o hack, a exchange nacional Mercado Bitcoin precisou suspender depósitos e saques depois que carteiras em pelo menos dez blockchains foram esvaziadas.

Para quem investe em criptoativos, o episódio reforça um ponto estrutural: mesmo a maior exchange do setor, com capacidade de repor rapidamente bilhões em ativos, continua vulnerável a falhas de segurança operacional, e não apenas a brechas técnicas de blockchain. A velocidade da reposição de fundos pela Binance é um sinal positivo de solidez financeira, mas a persistência da lavagem dos recursos roubados, segundo a Chainalysis, indica que a recuperação integral do dinheiro ainda está longe de ser garantida.

Vale observar que o mercado cripto não reagiu ao episódio com aversão a risco generalizada: de acordo com dados do scanner TradingView, em 4 de novembro de 2026 às 18h18 (horário de Brasília), o Bitcoin era cotado a US$ 80.120,44, com alta de 3,61% no dia, e o Ethereum a US$ 2.420,06, com valorização de 6,55% no mesmo período — movimento que sugere que o episódio, até o momento, não abalou de forma duradoura a confiança nos ativos em si, concentrando o risco percebido nas plataformas de custódia.

O investidor com exposição a criptoativos deve acompanhar os desdobramentos regulatórios e de segurança, especialmente o avanço das investigações do FBI sobre os endereços associados ao grupo responsável pelo ataque, além de eventuais replicações do incidente em exchanges menores, como já ocorreu no Brasil. A escolha de plataformas com histórico de transparência e reservas robustas para cobrir eventuais perdas segue sendo o principal fator de mitigação de risco disponível ao investidor de varejo neste momento.

Agregado por AAR News · fonte: BBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos