O XRP, token nativo do XRP Ledger e quinto maior criptoativo por valor de mercado, segue cotado muito abaixo do pico atingido em janeiro de 2018, mesmo enquanto bitcoin, ether e diversos outros criptoativos relevantes já superaram suas máximas daquele ciclo. A informação é da CoinDesk, que ouviu analistas de mercado para entender por que o token ficou para trás.
Segundo a reportagem, o XRP é negociado atualmente perto de US$ 1,33, patamar 62,5% inferior ao pico de US$ 3,55 registrado no início de janeiro de 2018. Na prática, quem comprou o token no topo daquele ciclo ainda está no prejuízo quase nove anos depois. A CoinDesk observa que o XRP chegou a superar brevemente sua antiga máxima, alcançando US$ 3,66 em julho de 2025, antes de recuar com força.
Para efeito de comparação, a reportagem cita que o bitcoin está 314% acima de seu pico de dezembro de 2017, de US$ 19.804. O dogecoin está 322% acima de sua máxima de janeiro de 2018, e o BNB cerca de 2.800% acima. O ether acumula alta de 66% sobre seu pico de então, e o zcash, de 38%. Já o tron está levemente abaixo de sua máxima, com queda de cerca de 4%. A solana, lembra a CoinDesk, só foi lançada em 2020, o que a deixa fora dessa comparação histórica. Mesmo após recuos acentuados em relação aos topos de 2025, bitcoin, ether e outros tokens permanecem muito acima de seus picos de 2017, diferentemente do XRP.
Oferta em circulação cresceu bem mais que o valor de mercado
O primeiro fator citado pelos analistas consultados pela CoinDesk é o crescimento expressivo da oferta de tokens em circulação. Nicolai Sondergaard, analista sênior de pesquisa da Nansen, afirmou à publicação que a oferta circulante saltou 63%, de 38,7 bilhões de tokens em 2017 para 63,1 bilhões atualmente, enquanto o valor de mercado total do XRP recuou apenas cerca de 3% no período. Segundo ele, mais tokens em circulação significam que cada unidade passa a representar uma fatia menor de um valor total praticamente estável.
Oliver Carding, chefe de marketing da Tesseract Group — gestora institucional de ativos digitais com mais de US$ 500 milhões sob gestão —, pondera que o XRP aparece em situação mais favorável quando medido pelo valor de mercado total, e não pelo preço unitário. Segundo ele, o ativo efetivamente recuperou valor nesse critério: com cerca de 63% mais tokens em circulação do que no pico, a mesma capitalização de mercado implicaria um preço aproximadamente 39% menor do que naquele momento, nas palavras de Carding à CoinDesk.
Captação em fundos e atividade de rede mais fracas
A reportagem destaca que os ETFs listados nos Estados Unidos abriram caminho para investidores institucionais ganharem exposição a criptoativos, mas o desempenho dos fundos ligados ao XRP ficou muito aquém do observado em bitcoin e ether. Paul Howard, diretor sênior da market maker Wincent, disse à CoinDesk que a adesão a ETFs de XRP também foi modesta se comparada à de BTC e ETH.
De acordo com dados da SoSoValue citados pela reportagem, os fundos de XRP captaram até agora US$ 1,80 bilhão desde sua estreia, há quase um ano. Em contraste, a CoinDesk nota que os ETFs de bitcoin costumam atrair mais de US$ 1 bilhão em um único dia. Os dados da Nansen reproduzidos na matéria também mostram enfraquecimento na atividade de negociação do XRP: o volume à vista caiu 53,5%, o volume de contratos perpétuos recuou 44% e o número de endereços ativos diminuiu 10,7%.
Foco da Ripple em pagamentos deixou XRP fora de narrativas em alta
A Ripple, empresa de pagamentos ligada ao XRP, concentrou esforços em soluções de pagamentos transfronteiriços em vez de buscar setores como DeFi, inteligência artificial e memecoins, que atraíram mais capital e maior integração com as finanças tradicionais, segundo a CoinDesk. Howard afirmou à publicação que a Ripple tem trabalhado na construção de infraestrutura de pagamentos, no RLUSD e em produtos de financiamento de comércio em torno do uso do ledger e do token, o que teria tirado parte do foco do XRP em si.
Howard também apontou que os investidores hoje têm mais opções disponíveis, e que o papel do DeFi como tese de investimento para ativos como ether, solana e HYPE se tornou uma narrativa nova da qual o XRP ficou de fora, segundo suas declarações à CoinDesk.
Disputa regulatória de anos pesou sobre a demanda
A CoinDesk lembra que o embate jurídico da Ripple com reguladores americanos também contribuiu para o desempenho fraco do token. A Securities and Exchange Commission (SEC) processou a Ripple e dois de seus executivos em dezembro de 2020, alegando que a empresa havia captado cerca de US$ 1,3 bilhão com a venda de XRP sem registrar o ativo como valor mobiliário.
Segundo a reportagem, a Justiça americana decidiu em 2023 que as vendas de XRP realizadas em exchanges públicas não configuravam ofertas de valores mobiliários, mas que as vendas feitas a investidores institucionais sim se enquadravam nessa categoria. Em 2024, a Ripple foi condenada a pagar uma multa de US$ 125 milhões. O caso só se encerrou em agosto de 2025, quando as duas partes desistiram de seus recursos.
Carding afirmou à CoinDesk que a incerteza regulatória prolongada ajuda a explicar por que o token não revisitou sua máxima de 2018 durante o ciclo de alta de 2021, período em que a Coinbase chegou a suspender a negociação do ativo. Segundo ele, o caso da SEC explica por que o XRP não retomou o patamar de 2018 em 2021, mas os recursos foram abandonados em agosto de 2025 com o XRP acima de US$ 3. Desde então, afirmou Carding à publicação, o XRP caiu cerca de 59%, contra 32% do bitcoin e 44% do ether no mesmo período, e sua capitalização de mercado em circulação recuou cerca de 56%.
XRP não está sozinho entre os atrasados
A reportagem ressalta que o XRP não é o único ativo ainda abaixo de suas máximas do início de 2018. Carding disse à CoinDesk que, em termos de preço, seis dos outros nove ativos que estavam entre os dez maiores em janeiro de 2018 estão ainda mais distantes de seus níveis daquela semana do que o XRP.
Para quem acompanha o ativo, Carding sugeriu observar o desempenho do XRP frente ao bitcoin, além da distribuição líquida mensal de tokens após o fim dos períodos de escrow e das mudanças nas posições de fundos. Segundo ele, uma fraqueza relativa persistente, mesmo com a desaceleração da distribuição de novos tokens, indicaria demanda de investidores ainda mais fraca. Em outras palavras, Carding está atento a um possível desempenho inferior do XRP frente ao bitcoin mesmo com menos tokens novos entrando no mercado pelas liberações de escrow da Ripple — sinal, segundo ele, de enfraquecimento da demanda pelo ativo.
O que isso significa para o investidor
O caso do XRP ilustra um ponto relevante para quem monta carteira em criptoativos: desempenho de preço nominal pode mascarar dinâmicas de oferta muito distintas entre tokens. Como mostram os dados da Nansen citados na reportagem, boa parte da defasagem do XRP frente a bitcoin e ether decorre do crescimento da oferta circulante, e não apenas de fraqueza de demanda — o que exige do investidor olhar métricas como capitalização de mercado total e não só a cotação unitária antes de comparar ativos.
A cobertura anterior do AAR News mostra que o ambiente recente para o mercado cripto como um todo tem sido de volatilidade elevada: liquidações forçadas somaram quase US$ 1 bilhão em bitcoin, ether e XRP, com o ether concentrando cerca de 60% dos fechamentos entre as duas maiores criptomoedas. Segundo o scanner TradingView, em 16/10/2026 às 20h40 BRT, o bitcoin era cotado a US$ 81.554,76 (−0,70% no dia) e o ether a US$ 2.421,38 (−0,76% no dia) — ambos em queda no pregão, reforçando o cenário de correção generalizada no setor.
Para investidores expostos a tokens de nicho ou com narrativas específicas, como o XRP com foco em pagamentos, o episódio reforça a importância de acompanhar fatores estruturais além do preço: captação líquida em ETFs, volume de negociação, atividade de rede e calendário de liberação de oferta via escrow. A sugestão de Carding de monitorar o desempenho relativo do XRP frente ao bitcoin, combinada à desaceleração da distribuição de tokens, pode servir de referência prática para quem quer avaliar se a fraqueza observada tende a persistir ou a se reverter.
Vale ainda observar o desfecho do processo movido pela SEC contra a Ripple, encerrado em agosto de 2025, como um divisor regulatório para o ativo. A redução da incerteza jurídica pode, em tese, reabrir espaço para fluxos institucionais via ETFs, mas os números de captação mencionados pela CoinDesk — US$ 1,80 bilhão desde o lançamento dos fundos de XRP, ante captações diárias que superam US$ 1 bilhão para fundos de bitcoin — sugerem que essa reprecificação, se ocorrer, ainda não se traduziu em demanda equivalente à de outros grandes criptoativos.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
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