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Trump retira tarifas sobre alguns produtos canadenses, mas inclui outros na lista

Casa Branca anuncia ajuste nas sobretaxas ao Canadá em meio a disputa eleitoral no Maine, estado que mais depende de importações canadenses nos EUA

Trump retira tarifas sobre alguns produtos canadenses, mas inclui outros na lista
CNBC

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A Casa Branca informou nesta sexta-feira que vai suspender tarifas sobre uma parte dos produtos importados do Canadá, mas, ao mesmo tempo, vai incluir outros itens na lista de bens sobretaxados pelos Estados Unidos. A medida foi revelada horas depois de a senadora republicana Susan Collins, do Maine, reivindicar para si o mérito de ter pressionado o governo Trump a conceder isenções tarifárias em categorias de importações canadenses que, segundo ela, são essenciais para as indústrias do seu estado.

A divulgação feita por Collins, noticiada primeiro pelo Wall Street Journal, não mencionava que, enquanto algumas tarifas seriam removidas, novos produtos passariam a integrar a lista sujeita às sobretaxas pesadas dos EUA. A Casa Branca anunciou essas novas tarifas menos de uma hora depois de a senadora divulgar as isenções, que são impopulares no estado onde ela disputa a reeleição.

O que muda na prática

Mais cedo na sexta-feira, o presidente Donald Trump assinou uma proclamação retirando determinados produtos da lista sobre a qual havia aplicado tarifas de 50% durante o verão americano, com base em uma lei comercial de 96 anos. Segundo um comunicado oficial da Casa Branca detalhando a proclamação, esses produtos estão sendo substituídos por itens como válvulas, carpetes, resíduos industriais e outros.

De acordo com o documento, as alterações têm como objetivo refinar o escopo das tarifas aplicadas a certos produtos canadenses. O texto, no entanto, não faz qualquer referência ao Maine. As inclusões e exclusões na lista de bens sujeitos às tarifas da chamada Seção 338 entram em vigor em 30 de outubro, quatro dias antes das eleições americanas marcadas para 3 de novembro.

A disputa pelo crédito político

Questionada sobre o que exatamente Collins havia negociado em suas conversas com o governo para reduzir tarifas sobre produtos que afetam o Maine, sua porta-voz, Phoebe Keller, disse à CNBC que a senadora "solicitou isenções para produtos importantes para o Maine e continuará a fazê-lo".

Antes da publicação do comunicado oficial, o gabinete de Collins já havia distribuído um release atribuindo à senadora o mérito de ter garantido novas isenções tarifárias em nove categorias de produtos considerados cruciais para o setor agrícola do Maine. O anúncio ocorreu num momento em que eleitores já haviam começado a votar antecipadamente na disputa pelo Senado no estado, corrida na qual as tarifas impopulares de Trump têm sido um dos temas centrais.

O adversário democrata de Collins, Troy Jackson, madeireiro de quinta geração no Maine, reagiu rapidamente, afirmando que a senadora deveria ser responsabilizada, e não elogiada, por ter viabilizado as políticas tarifárias de Trump. "As guerras comerciais de Trump tornaram a vida mais difícil e mais cara para os moradores do Maine. Susan Collins permitiu esse caos, votou para confirmar as pessoas por trás dele, e agora quer crédito por trazer um copo d'água para apagar o incêndio", disse Jackson em comunicado.

O pano de fundo da guerra comercial

Trump impôs tarifas pesadas sobre uma ampla gama de produtos canadenses ao longo de seu segundo mandato, em meio à escalada de uma guerra comercial contra o principal parceiro econômico dos Estados Unidos. Segundo a reportagem, muitas dessas tarifas impuseram pressão considerável sobre empresas do Maine, estado que importa mais produtos do Canadá do que de qualquer outro país.

O porta-voz da Casa Branca Matthew Middleton disse à CNBC, em comunicado na tarde de sexta-feira, que a mais recente proclamação tarifária de Trump faz parte de seus esforços para enfrentar o que o governo descreve como tratamento discriminatório do Canadá contra o comércio americano. "O presidente está tomando medidas em resposta à contínua discriminação do Canadá e às retaliações adicionais direcionadas ao comércio dos Estados Unidos, com o objetivo de proteger agricultores, fabricantes e trabalhadores americanos", afirmou Middleton. "Esta administração continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para restaurar a reciprocidade em nossas relações comerciais bilaterais e salvaguardar a prosperidade econômica e a segurança nacional do povo americano."

Histórico de embates e imprecisões

Collins já havia anteriormente destacado seus esforços para conter as políticas protecionistas do presidente. No primeiro debate televisionado entre ela e Jackson, em 6 de outubro, a senadora republicana reivindicou crédito por ter conseguido a remoção de alguns itens da lista de tarifas sobre produtos canadenses, entre eles o sal usado contra o gelo nas estradas. Jackson rebateu na ocasião: "E o resto? Não podemos comer sal de estrada."

No release distribuído nesta sexta-feira, Collins afirmou ter pedido ao representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e ao secretário de Comércio, Howard Lutnick, alívio tarifário para os produtos ligados ao Maine, destacando o peso dos custos adicionais sobre empresas e famílias do estado. "Continuarei trabalhando diretamente com autoridades do governo para buscar alívio adicional das tarifas e incentivar um acordo comercial mais amplo com o Canadá, nosso vizinho, aliado e maior parceiro comercial", disse a senadora.

A reportagem da CNBC observa, no entanto, que dados do U.S. Census Bureau apontam o México, e não o Canadá, como o maior parceiro comercial dos Estados Unidos — uma contradição em relação à afirmação feita por Collins. Entre os produtos retirados da lista de tarifas da Seção 338, segundo a senadora, estão papel corrugado, caixas e sacolas plásticas de embalagem, equipamentos de refrigeração, diversas formas de maquinário e produtos derivados de algas marinhas.

O que isso significa para o investidor

A alternância entre isenções e novas inclusões tarifárias reforça um padrão já observado na política comercial americana sob Trump: decisões pontuais, muitas vezes atreladas a calendários eleitorais, que tornam o ambiente regulatório para empresas expostas ao comércio EUA-Canadá mais instável do que o desenho formal das tarifas sugere. Para investidores com exposição a cadeias de suprimento que atravessam a fronteira — especialmente em setores como embalagens, refrigeração, maquinário e insumos agrícolas —, o episódio é um lembrete de que o risco tarifário continua sujeito a revisões abruptas, com efeitos que podem ser favoráveis a um segmento e desfavoráveis a outro na mesma proclamação.

Vale notar que o AAR News já havia destacado que as tarifas de 50% aplicadas pela Casa Branca a produtos canadenses são alvo de contestação judicial: em outubro, o Liberty Justice Center entrou com uma ação no tribunal de comércio dos EUA alegando que o governo extrapolou sua autoridade legal ao impor essa sobretaxa. Esse processo segue em curso e é mais um fator de incerteza para quem monitora o fluxo comercial entre os dois países.

No curto prazo, o investidor deve acompanhar o desfecho da eleição no Maine em 3 de novembro, já que o resultado pode influenciar a pressão política sobre o Executivo para ajustes adicionais nas tarifas antes ou depois da data definida para a entrada em vigor das novas regras, 30 de outubro. Empresas listadas com forte dependência de insumos canadenses nas categorias mencionadas — válvulas, carpetes, resíduos industriais, papel corrugado e equipamentos de refrigeração, entre outras — tendem a ser as mais sensíveis a esse tipo de notícia, e merecem atenção redobrada em relatórios de exposição cambial e de cadeia de suprimentos.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos