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Trump diz que orientou Warsh a votar com o Fed: 'não vai importar'

Presidente mantém apoio público ao chair do Fed, mas insiste que juros deveriam cair para 1% ou menos, um dia após primeira alta em três anos

Trump diz que orientou Warsh a votar com o Fed: 'não vai importar'
CNBC

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que segue confiando no presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, mas voltou a defender que o banco central corte os juros para 1% "ou menos". A declaração, segundo a CNBC, veio horas depois de o Fed anunciar a primeira alta de juros desde 2023.

Warsh, indicado por Trump para comandar o banco central, havia defendido publicamente o aumento de 25 pontos-base aprovado na quarta-feira como uma decisão adequada. Pelo relato da CNBC, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), formado por 12 membros, aprovou por unanimidade elevar a faixa-alvo dos juros básicos para entre 3,75% e 4%.

'Vai importar', mas Trump diz que não influenciou o voto

Questionado por jornalistas, ao chegar em uma viagem de campanha à Carolina do Norte, se ainda confiava em Warsh, Trump respondeu: "Eu confio". Em seguida, o presidente relativizou o comando do Fed sobre o próprio indicado: "Estou confiando no Kevin, mas ele tem, sabe, um conselho muito difícil, um conselho que foi colocado lá por outras pessoas", disse, segundo a CNBC.

Trump acrescentou que conversou diretamente com Warsh antes da decisão: "Eu falei com o Kevin, e disse: 'É melhor você votar com o conselho. Não vai importar'", relatou à imprensa, de acordo com a reportagem. A CNBC observa que a fala pode contradizer as promessas do próprio presidente e de Warsh de que o Fed atua com independência em relação à Casa Branca.

Ainda assim, Trump classificou o colegiado do Fed como hostil à sua gestão. "O conselho é muito hostil. Eles são muito políticos. Estão fazendo a coisa errada", disse, acrescentando que a alta de juros teria como objetivo "fazer Trump ir mal, o pior que puderem", segundo a citação reproduzida pela CNBC, antes de seguir para um evento de campanha do candidato republicano ao Senado Michael Whatley.

Ao ser perguntado diretamente se acreditava que Warsh havia votado com base no que ele próprio lhe disse, Trump negou: "Não, eu não acho isso". E completou: "Eu quero que ele seja independente", segundo o material da CNBC.

Pressão via Truth Social antes da decisão

Mais cedo na quarta-feira, ainda antes da confirmação da alta de juros, Trump já havia cobrado o Fed em publicação na rede Truth Social. "Estamos 'carregando' quase todos os países do mundo, e isso não pode continuar", escreveu, segundo a CNBC. Em seguida, pediu em letras maiúsculas: "BAIXEM OS JUROS PARA OS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, E RÁPIDO!"

O comunicado do FOMC após a decisão afirmou que "a inflação permanece elevada", segundo a CNBC. Projeções atualizadas divulgadas na quarta-feira mostram que a maioria expressiva dos dirigentes do Fed espera uma nova alta de juros adiante.

Mesmo diante desse cenário, Trump insistiu, na publicação, que os juros nos Estados Unidos "deveriam ser 1%, ou menos, porque temos o Melhor Crédito do Mundo — DE LONGE", segundo o texto reproduzido pela CNBC.

Números contestados sobre investimentos e comércio

Trump também voltou a repetir, na mesma publicação, que "nosso país está em Boom com novos investimentos", reiterando a alegação de que os Estados Unidos teriam recebido até US$ 20 trilhões ou mais durante seu segundo mandato. A CNBC aponta que checadores de fatos consideram esse número falso e que a própria Casa Branca, em 9 de setembro, informou que Trump "garantiu mais de US$ 11 trilhões em novos investimentos nos EUA".

Na publicação, Trump ainda afirmou que, "se parássemos de negociar com todo país com o qual temos déficit, o que é a maioria deles, ganharíamos, pelo menos, 1,5 trilhão de dólares por ano", segundo a citação da CNBC.

A reportagem lembra que, menos de duas semanas antes, Trump já havia ameaçado interromper o comércio com países que têm superávit comercial com os Estados Unidos caso o Fed não cortasse os juros — grupo que inclui a maioria dos principais parceiros comerciais do país e dezenas de outras nações. Segundo a CNBC, essa ameaça intensificou a pressão de anos do presidente sobre o Fed, que havia arrefecido temporariamente após Warsh suceder Jerome Powell na presidência do banco central.

Até o momento, no entanto, Trump e seus assessores evitaram atacar Warsh diretamente, segundo a reportagem. O porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, disse à Fox News, ainda na tarde de quarta-feira, que Trump "absolutamente" continua acreditando na independência do Fed. Desai completou que isso "não muda o fato de que o presidente dos Estados Unidos tem o direito, pela Primeira Emenda", de se manifestar "quando as coisas saem dos trilhos", segundo a CNBC.

O que isso significa para o investidor

A fala de Trump chega em um momento em que o mercado já vinha reagindo à primeira alta de juros do Fed em três anos. Segundo cobertura anterior do AAR News, o Treasury de 10 anos voltou a se aproximar de 5% depois da decisão, com Warsh reforçando o alerta de que a inflação segue elevada — um sinal de que o banco central, ao menos publicamente, não está alinhando a política monetária ao discurso da Casa Branca.

O episódio também reforça um padrão observado pelo AAR News na cobertura da decisão: o Fed aprovou a alta por unanimidade e Warsh evitou dar sinalizações sobre os próximos passos, mesmo sob pressão direta do presidente que o indicou. Para o investidor, isso sugere que o mercado deve continuar precificando a trajetória de juros com base nas projeções do próprio FOMC — que, segundo a CNBC, apontam para nova alta adiante — e não nas declarações públicas de Trump.

Vale observar que os mercados acionários já mostraram capacidade de absorver o choque inicial da decisão: conforme registrou o AAR News, os futuros de Wall Street chegaram a subir 400 pontos no dia seguinte ao tombo provocado pelo anúncio do Fed. Isso indica que, por ora, a tensão política em torno da independência do banco central não tem produzido reação de pânico duradoura nos ativos de risco, mas o tema tende a permanecer como fonte de volatilidade enquanto durar o embate entre Trump e a instituição que ele mesmo escolheu para presidir.

Para quem acompanha renda fixa e câmbio, o ponto de atenção segue sendo a trajetória do Treasury de 10 anos perto do patamar de 5% e as próximas atas e comunicados do FOMC, que devem servir de termômetro mais confiável do que declarações de campanha sobre para onde os juros americanos devem caminhar nos próximos meses.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos