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Trump cria comitê para avaliar demissão de diretora do Fed

Casa Branca marca audiência para 5 de novembro sobre Lisa Cook; processo pode acabar de novo na Suprema Corte

Trump cria comitê para avaliar demissão de diretora do Fed
CNBC

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O presidente Donald Trump formalizou na sexta-feira a criação de um colegiado interno para examinar se há motivo legal para afastar Lisa Cook do conselho de governadores do Federal Reserve. A medida é um novo capítulo de uma disputa que já passou pela Suprema Corte dos Estados Unidos e que pode voltar a chegar lá.

Trump acusa Cook de fraude em contrato de hipoteca e já havia determinado sua demissão em 2025. A Suprema Corte barrou essa tentativa por razões processuais, mas deixou aberta a possibilidade de o presidente tentar novamente. Em agosto, Trump avisou Cook de que cogitava um novo movimento para removê-la; os advogados dela responderam ainda naquele mês negando as acusações e afirmando que não havia base legal para a demissão.

Como funciona o comitê

Segundo o memorando presidencial, Cook deve comparecer a uma audiência na Casa Branca em 5 de novembro, podendo levar um advogado. O colegiado vai avaliar as evidências apresentadas contra ela e sua defesa, e Cook terá até 10 de novembro para apresentar manifestações complementares após a sessão. Ao final, o grupo fará uma recomendação ao presidente sobre se há causa para a demissão — mas a decisão final cabe a Trump, sem prazo definido para ser tomada.

Quem integra o grupo

Trump nomeou três pessoas para conduzir a apuração: Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional; Keith Sonderling, diretor interino do Escritório de Ética Governamental e secretário do Trabalho; e Andrea R. Lucas, presidente da Comissão de Igualdade de Oportunidades no Emprego (EEOC). Os três foram indicados pelo próprio Trump.

Há precedente para esse tipo de comitê

Sim, ao menos um caso é citado como referência. O voto majoritário da Suprema Corte no caso Trump v. Cook, redigido pelo presidente da corte, John Roberts, menciona que o presidente William Howard Taft convocou, em 1912, um "comitê de inquérito" semelhante para avaliar a remoção de dois integrantes do Conselho Geral de Peritos Alfandegários, precursor do atual Tribunal de Comércio Internacional dos EUA. Na ocasião, o comitê recomendou a remoção dos dois. Roberts descreve o episódio como exemplo da fama de Taft como "o mais judicial dos presidentes" e também "o mais presidencial dos chief justices".

A Suprema Corte, porém, não obrigou Trump a seguir exatamente esse modelo. Segundo a decisão, Cook tinha direito a ser notificada da decisão presidencial, a receber explicação sobre as evidências e a ter oportunidade de apresentar defesa — processo que, segundo Roberts, poderia ocorrer inteiramente por escrito. Um governador do Fed, escreveu ele, não tem direito a "uma audiência com o presidente ou a um julgamento judicial completo".

Cook deve comparecer à audiência

Os advogados de Cook, Abbe Lowell e Norm Eisen, afirmaram em comunicado que ela "recebe de bom grado a oportunidade de apresentar os fatos para limpar seu nome e demonstrar que não há base legal para sua demissão". Ao mesmo tempo, disseram ter "sérias dúvidas de que essa 'audiência' seja legítima" e conforme à lei, reiterando que Cook não cometeu fraude hipotecária.

O comitê não é independente do presidente

O colegiado é formado por indicados do Poder Executivo que respondem diretamente a Trump. Eles têm a obrigação de ouvir a versão de Cook e avaliar as evidências, mas não se trata de um órgão imparcial ligado ao Judiciário.

Não é preciso provar crime

O comitê não precisa demonstrar que Cook cometeu um crime — apenas que há causa suficiente para a demissão. A Suprema Corte não definiu com precisão o que configura essa causa, questão que deve ser objeto de litígios futuros caso Trump decida avançar com a remoção. Roberts escreveu que a constatação de causa depende, em parte, da gravidade da conduta alegada e da relação dela com as funções profissionais da governadora.

Risco de exposição criminal no depoimento

Há uma dúvida relevante sobre o depoimento de Cook perante o comitê. A ordem presidencial exige que ela compareça e permite que funcionários do Departamento de Justiça a questionem, mas não especifica se as respostas poderiam ser usadas contra ela em um processo criminal futuro. A Quinta Emenda da Constituição americana normalmente protege funcionários públicos de terem declarações feitas sob ameaça de perda de emprego usadas contra eles criminalmente, mas ainda não está claro se o depoimento nesse processo se enquadraria como legalmente compelido. Por isso, os advogados de Cook podem buscar garantias sobre o uso do depoimento antes de respostas que a exponham a risco penal — e invocar a Quinta Emenda ou buscar imunidade não equivaleria, do ponto de vista legal, a uma admissão de culpa, ainda que Trump possa tentar explorar isso politicamente.

O comitê não terá a palavra final

É praticamente certo que o colegiado não decidirá sozinho o futuro de Cook no Fed. Ele fará apenas uma recomendação a Trump, e mesmo a decisão presidencial pode não ser definitiva: a própria Suprema Corte já estabeleceu que tem poder de revisar a determinação de causa feita pelo presidente. Caso Trump opte por demitir Cook após a audiência, o caso deve voltar aos tribunais, em um processo que pode levar meses.

Impacto imediato sobre os juros

Não há, por ora, sinal de que o processo afete a próxima decisão de juros do Fed. Cook deve participar normalmente da reunião de política monetária marcada para 28 de outubro, já que, após a Suprema Corte barrar a tentativa anterior de demissão, ela segue como membro em situação regular do colegiado. Trump ainda não fez uma nova tentativa formal de removê-la — isso é justamente o que o comitê foi incumbido de recomendar — e Cook deve continuar no cargo durante eventuais disputas judiciais que se sigam à conclusão do processo do comitê.

E os demais integrantes do Fed

A criação do comitê não tem efeito imediato sobre a posição do ex-presidente do Fed, Jerome Powell, que encerrou seu mandato como presidente da instituição em maio, mas pode permanecer como membro votante do conselho de governadores até janeiro de 2028. Powell havia dito em março que pretendia continuar no cargo até o fim de uma investigação separada contra ele, concluída há duas semanas sem apresentação de acusações criminais — o Departamento de Justiça informou que não daria seguimento ao caso. Powell não se manifestou sobre o episódio de Cook desde a decisão da Suprema Corte. A Casa Branca também criticou outro governador do Fed, Michael Barr, por seu papel como principal regulador bancário da instituição à época da quebra do Silicon Valley Bank em 2023, mas não chegou a pedir sua renúncia.

O que isso significa para o investidor

Como já havia registrado o AAR News em cobertura anterior sobre o tema, a Casa Branca marcou a audiência de 5 de novembro como nova etapa de uma disputa que já colocou em xeque a independência operacional do Fed perante o mercado. Para quem investe em ativos atrelados à política monetária americana, o episódio reforça um fator de incerteza institucional que tende a se arrastar por meses, já que qualquer decisão de Trump após o comitê deve ser contestada judicialmente — e pode acabar, mais uma vez, na Suprema Corte.

No curto prazo, o impacto direto sobre a reunião de juros de 28 de outubro parece limitado, já que Cook segue habilitada a votar enquanto o processo tramita. Mas a percepção de que o Fed pode operar sob pressão política explícita do Executivo é um ingrediente que investidores em renda fixa, câmbio e ativos de risco tendem a monitorar de perto, sobretudo diante de episódios recentes — como destacou o AAR News ao cobrir a resistência do bitcoin após a rejeição do Clarity Act e uma alta de juros do Fed — em que o mercado reage de forma menos previsível a ruídos institucionais envolvendo o banco central americano.

Vale acompanhar três frentes: o desfecho da audiência de 5 de novembro, o teor da recomendação do comitê a Trump e, principalmente, se uma eventual demissão de Cook será levada novamente à Suprema Corte — o que, segundo o próprio precedente citado na decisão anterior da corte, pode definir até onde vai o poder presidencial sobre a composição do Fed.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos