Tom Lee, chairman da Bitmine e cofundador da Fundstrat, afirmou enxergar uma transferência de riqueza de até US$ 2 trilhões entre 2026 e 2028 como possível motor de demanda por ativos digitais. A declaração foi feita durante participação no Consensus 2026, em Miami, segundo a CoinDesk.
Ao mesmo tempo, a Bitmine informou ter comprado mais 12.532 ETH na semana anterior, operação avaliada em cerca de US$ 32 milhões aos preços atuais. Com essa aquisição, a empresa fica a poucas semanas de atingir sua meta declarada de deter 5% de toda a oferta de ether.
Lee afirmou que a Bitmine deve interromper as compras de ETH assim que alcançar esse patamar, segundo a reportagem da CoinDesk.
Herança como combustível do próximo ciclo
Lee, que também é cofundador e diretor de investimentos da Fundstrat — firma de pesquisa financeira e gestão de ativos fundada em 2014 —, citou estimativas do Internal Revenue Service (IRS, a Receita Federal dos Estados Unidos) e da própria Fundstrat, segundo as quais entre US$ 1,5 trilhão e US$ 2 trilhões em patrimônio poderiam mudar de mãos entre 2026 e 2028.
"The wealth transfer underway is expected to support the upcoming crypto bull market as those inheriting wealth are younger and likely have a higher risk appetite for crypto and equities", disse Lee em comunicado divulgado na segunda-feira, citado pela CoinDesk.
A tese de Lee dialoga com declarações feitas por Vlad Tenev, CEO da corretora digital Robinhood, em entrevista a Jim Cramer, da CNBC, no mês anterior. Na ocasião, Tenev mencionou mais de US$ 100 trilhões em patrimônio que devem passar de gerações mais velhas para mais jovens ao longo das próximas décadas, segundo a matéria.
A lógica por trás dessas projeções é que herdeiros mais jovens tenderiam a alocar parcela maior desses recursos em criptoativos do que gerações anteriores, criando uma fonte adicional de demanda. A própria reportagem pondera, no entanto, que não há clareza sobre quanto desse volume efetivamente chegará a ativos digitais.
Lee também citou, como possíveis catalisadores de um novo ciclo de alta, o uso crescente de blockchain por Wall Street para representar ativos financeiros, a expansão de aplicações de inteligência artificial e a atuação de empresas de tesouraria cripto que mantêm tokens em carteira por prazos longos.
Bitmine perto da meta de 5% do ether
O anúncio de Lee veio acompanhado de atualização da Bitmine sobre suas reservas em criptoativos, mostrando a empresa cada vez mais próxima do objetivo de deter 5% da oferta total de ether.
A Bitmine Immersion Technologies adquiriu mais 12.532 ETH na semana anterior, montante avaliado em aproximadamente US$ 32 milhões ao preço de referência de segunda-feira citado pela CoinDesk.
Com essa compra, as reservas da empresa somaram 6.028.946 ETH, avaliados em cerca de US$ 15,3 bilhões. Isso representa cerca de 4,9% do fornecimento total de 122,1 milhões de tokens de ether, faltando à companhia cerca de 76 mil ETH para completar a meta de 5%.
Mantido o ritmo de compras da semana anterior, a Bitmine poderia atingir esse alvo em cerca de seis semanas, segundo os cálculos apresentados na reportagem.
Lee afirmou, na semana anterior, que a empresa pretende interromper o acúmulo de ETH assim que alcançar a marca de 5%. Desde que adotou, em junho de 2025, uma estratégia voltada ao ether, a firma informou ter realizado compras do token todas as semanas.
A Bitmine também mantém cerca de 5,07 milhões de ETH em staking, equivalente a 84% de suas reservas, e projeta receita anualizada de aproximadamente US$ 336 milhões com staking aos rendimentos atuais, de acordo com os dados divulgados pela empresa.
O que isso significa para o investidor
Para quem acompanha o mercado de criptoativos no Brasil, a movimentação da Bitmine reforça um padrão já conhecido: empresas de tesouraria cripto como fonte estrutural de demanda por ether, independentemente do humor de curto prazo do mercado. Segundo o scanner da TradingView, o ether era cotado a US$ 2.488,24 às 19h32 (horário de Brasília) de 12 de outubro de 2026, com queda de 1,82% no dia — número que contrasta com o tom otimista das declarações de Lee e ilustra a distância entre teses de longo prazo e a volatilidade diária do ativo.
A tese de transferência geracional de riqueza, embora apoiada em estimativas de órgãos como o IRS, é uma projeção, não um fato consumado. Investidores devem tratá-la como cenário possível entre vários, e não como garantia de fluxo automático para criptoativos — a própria reportagem reconhece que não há certeza sobre qual fatia desse patrimônio será de fato direcionada ao setor.
Já o movimento concreto da Bitmine — compras semanais e proximidade da meta de 5% do supply de ether — é um dado objetivo a ser monitorado: a interrupção das compras ao atingir esse patamar pode alterar a dinâmica de demanda marginal pelo token, algo relevante para quem opera posições em ETH ou em ações ligadas a empresas de tesouraria cripto.
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