O bitcoin voltou a superar a marca de US$ 78.000 durante a manhã europeia de sexta-feira, com ganho de 2,1% desde a meia-noite em horário UTC e de 1,9% nas últimas 24 horas, segundo dados do CoinDesk. O nível ainda fica 5% abaixo da máxima mensal registrada em 4 de setembro, de US$ 82.284, após duas semanas de oscilação lateral de preços.
A liderança do movimento, porém, coube aos tokens de finanças descentralizadas (DeFi) e de camada 2 (layer-2), que assumiram o protagonismo depois que ativos ligados a privacidade e proteção contra risco dominaram os ganhos na quinta-feira. Segundo o CoinDesk, essa rotação sinaliza retorno do apetite por risco entre investidores de cripto.
Panorama macroeconômico
Por trás da recuperação está um cenário macro mais favorável. O rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos recuou para abaixo de 5%, enquanto o petróleo Brent caiu para menos de US$ 103, depois de ter chegado a US$ 109 no início da semana — movimento que retirou parte da pressão do susto inflacionário que se seguiu à alta de juros do Federal Reserve, de acordo com o CoinDesk.
Os futuros de índices de ações também mostraram força: os contratos do S&P 500 subiram 0,3% e os do Nasdaq 100 avançaram 0,6%. Ouro e prata acompanharam o movimento de apetite por risco, com altas de 1,1% e 2,8%, respectivamente.
Do total de 100 ativos que compõem o índice CoinDesk 100, apenas dois operavam no vermelho no período, reforçando a amplitude do movimento de alta.
Posicionamento em derivativos
O mercado futuro de criptomoedas sinaliza uma retomada do posicionamento estrutural. O interesse aberto (open interest, ou OI) acumulado expandiu-se em quase 5%, para US$ 141,2 bilhões, mesmo com o volume diário de negociação recuando 3%, para US$ 95 bilhões. A relação entre volume comprador e vendedor por parte dos tomadores de posição (taker buy-sell) permanece equilibrada, o que, segundo o CoinDesk, indica que o capital está entrando de forma estrutural, e não por meio de perseguição agressiva de momentum.
No caso específico do bitcoin, o OI em contratos futuros subiu de 670 mil BTC para 680 mil BTC desde a meia-noite UTC, um incremento pequeno que costuma ser interpretado como acúmulo de posições compradas (long). Ainda assim, o CoinDesk destaca que o total permanece bem abaixo do pico de 800 mil BTC atingido no início do ano, o que sugere posicionamento geral ainda leve.
Os dados da Binance mostram um recuo na proporção de contas de grandes negociadores apostando em alta (long-short accounts ratio), de quase 2 na quarta-feira para 1,52 — ainda em território altista, mas menos intenso. Já a proporção de posições long-short permanece elevada, em 2,36, o que, segundo a plataforma, indica que menos grandes detentores (as chamadas 'whales') estão apostando na alta, mas os que mantêm essa aposta aumentaram substancialmente o tamanho das posições, evidenciando forte convicção institucional.
Entre as altcoins, o interesse aberto em futuros ligados ao token uniswap (UNI) saltou de 76,89 milhões de tokens para 86,61 milhões, próximo de uma máxima histórica. Esse influxo de capital acompanhou uma explosão de 30% no preço à vista do token, segundo o CoinDesk, movimento atribuído ao otimismo crescente do mercado com uma regulação cripto mais amigável e coordenada por parte da SEC e da CFTC americanas.
O clima de otimismo também aparece no indicador de volume delta acumulado nas últimas 24 horas, ajustado pelo interesse aberto, que se mantém positivo para a maioria dos principais tokens, com exceção de GRAM, SHIB, HBAR e BNB. Uma leitura positiva, explica o CoinDesk, indica que os compradores estão sendo mais agressivos, executando ordens a mercado em vez de ordens limitadas passivas.
A volatilidade implícita também recuou. Com eventos de peso — como a votação do chamado Clarity Act e as reuniões de juros do Fed e do Banco do Japão — já superados, o índice de volatilidade implícita anualizada de 30 dias do bitcoin, o BVIV, caiu para 36%, nível que tem funcionado como piso desde maio. A queda aponta para expectativas de calmaria no curto prazo.
Nas opções listadas na Deribit, o viés (skew) de um semana entre puts e calls do bitcoin virou positivo, sinalizando maior valorização relativa das calls — apostas de alta — em relação às puts. Nos vencimentos de um e dois meses, porém, ainda prevalece um leve viés de puts. No caso do ether, o skew de uma semana também mostra viés altista. Já o ranking de volume nas últimas 24 horas apresenta sinal misto, com calls e puts de bitcoin figurando entre os mais negociados.
Destaques por token
O avanço do índice DeFi Select (DFX), de 8,3% desde a meia-noite UTC e de 16% nas últimas 24 horas, apoiou-se principalmente no uniswap (UNI), que subiu 13% no dia e 25% em 24 horas. O ethena (ENA) avançou 9,6% e o token de staking líquido lido (LDO) ganhou 6,6%, segundo o CoinDesk.
Os tokens de camada 2 acompanharam a força do setor DeFi. O starknet (STRK) liderou com alta de 18% no dia e 21% em 24 horas, atingindo o maior nível desde 19 de junho. O arbitrum (ARB) subiu 17% no dia e 25% em 24 horas, chegando a 20,9 centavos de dólar — preço mais alto desde janeiro. O stacks (STX) avançou 9,2% e o optimism (OP), 8,9%.
O solana (SOL) subiu 4,5%, para US$ 106,14, mas o movimento mais expressivo ficou no seu próprio ecossistema: o token da corretora descentralizada raydium (RAY) saltou 16%, para US$ 1,71, enquanto o token de staking líquido jito (JTO) ficou bem atrás, com ganho de apenas 1,6% — uma divergência que, segundo o CoinDesk, aponta para volume concentrado em negociação descentralizada, e não para uma demanda generalizada pela rede.
O líder da véspera perdeu força. O zcash (ZEC) foi negociado a US$ 1.490,10, com alta de apenas 1,6% no dia contra 7,6% em 24 horas — evidência de que praticamente todo o movimento ocorreu na quinta-feira. O rival dash (DASH) foi um dos apenas dois componentes do índice CoinDesk 100 no vermelho, com queda de 0,53%, ao lado do world liberty financial (WLFI), que recuou 0,31%.
O índice de 'Temporada das Altcoins' da CoinMarketCap subiu para 44 pontos em 100, recuperando-se da mínima de 32 pontos registrada na terça-feira — sinal, segundo o CoinDesk, de que a especulação é o tema dominante nesta sexta-feira.
O que isso significa para o investidor
O movimento descrito pelo CoinDesk se encaixa em uma sequência recente de notícias acompanhadas pelo AAR News: o Fed elevou os juros pela primeira vez em três anos, o presidente do Fed alertou que a inflação segue alta demais, e o rendimento do título de 10 anos voltou a rondar o patamar de 5% — justamente o nível que, segundo a reportagem, agora recua e alivia o apetite por risco em ativos digitais. A combinação de juros mais baixos na curva longa e petróleo mais barato parece ter sido suficiente, por ora, para conter o susto inflacionário do início da semana.
Para quem acompanha o mercado no Brasil, o dado mais relevante é a natureza da alta: o crescimento do interesse aberto em derivativos, combinado com volume de negociação em queda, sugere que o movimento é impulsionado por posicionamento estrutural, e não por especulação de curto prazo baseada em momentum. Isso tende a ser interpretado como um sinal mais sustentável do que rallies puramente impulsionados por volume.
Segundo o scanner da TradingView consultado pelo AAR News em 18 de setembro de 2026, às 10h56 no horário de Brasília, o bitcoin era negociado a US$ 79.932,13, com alta de 4,62% no dia, e o ether, a US$ 2.551,55, com ganho de 4,27% — números que mostram continuidade do movimento de alta relatado pelo CoinDesk nesta matéria. No mesmo horário, o ouro operava a US$ 4.350,41 (+0,21%) e o S&P 500 marcava 7.641,92 pontos (+0,05%), configurando um quadro de apetite por risco moderado também nos mercados tradicionais.
O investidor que monitora esse cenário deve ficar atento a dois pontos centrais nas próximas semanas: se a recuperação do rendimento dos treasuries para níveis abaixo de 5% se sustenta diante de novos discursos de dirigentes do Fed, e se o otimismo regulatório citado pelo CoinDesk em torno de SEC e CFTC de fato se traduz em avanços concretos para tokens de DeFi como o uniswap. Enquanto isso não se confirma, a leitura mais prudente é tratar o movimento atual como uma correção de sentimento pós-Fed, e não como mudança estrutural de tendência.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
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