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Temporada de balanços nos EUA chega com fasquia alta para Wall Street sustentar o rali

Bancos abrem a rodada do terceiro trimestre com projeção de alta de quase 30% no lucro, mas analistas alertam que superar estimativas pode não bastar para empurrar as ações para cima

Temporada de balanços nos EUA chega com fasquia alta para Wall Street sustentar o rali
CNBC

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A temporada de resultados do terceiro trimestre nos Estados Unidos começa com expectativas elevadas: o consenso de mercado aponta crescimento de lucro próximo a 30% na comparação anual para as empresas do S&P 500, segundo dados da FactSet citados pela CNBC. A projeção subiu em relação aos cerca de 27% estimados três meses atrás, e o mercado vem superando as previsões por margens consistentes desde meados de 2023, o que torna o patamar de 30% considerado alcançável pelos analistas consultados pela emissora.

JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Citigroup e Wells Fargo abrem a rodada de divulgações na terça-feira, segundo a reportagem. Os resultados dos grandes bancos devem indicar como o ambiente de juros mais altos está afetando o crescimento do crédito, os balanços patrimoniais, as atividades de fusões e aquisições e o fluxo de aberturas de capital. A CNBC destaca que o JPMorgan, maior banco dos Estados Unidos, será observado com atenção especial, assim como os comentários do CEO Jamie Dimon, conhecido por influenciar o humor do mercado com suas declarações.

Tecnologia carrega o peso do otimismo

O setor de tecnologia deve novamente puxar o crescimento de lucros. Analistas projetam avanço de 65% nos resultados das empresas do setor, patamar superior aos 57% estimados três meses antes, segundo a FactSet. Revisões para cima nas projeções de Nvidia, Micron Technology e Dell Technologies estão entre os principais fatores dessa elevação, de acordo com os dados citados pela CNBC.

A reportagem também chama atenção para um sinal considerado positivo: a expansão dos lucros estaria deixando de se concentrar apenas nas chamadas Magnificent 7. As outras 493 companhias do S&P 500 devem registrar alta de 27% no lucro na comparação anual, superando a média das sete gigantes de tecnologia, segundo projeção da Russell Investments citada na matéria. Já o S&P 400 MidCap deve apresentar crescimento operacional de 19% em 2026, conforme estimativa de Ed Yardeni, à frente da Yardeni Research.

Bancos sob pressão técnica

O setor financeiro vive um momento delicado: segundo a CNBC, as ações do setor rondam a média móvel de 200 dias, indicador técnico relevante, após recuo de 5% desde 31 de agosto. Analistas enxergam o aumento das taxas de juros começando a pressionar o crescimento do crédito e os títulos de renda fixa mantidos nos balanços dos bancos.

Julian Emanuel, diretor administrativo sênior da Evercore ISI, avalia que essa fragilidade pode abrir espaço para um alívio nas cotações, mas pondera que os resultados e as projeções podem levar os papéis tanto para cima quanto para baixo. Segundo ele, citado pela CNBC, 'haverá volatilidade enquanto os investidores acompanham cada palavra dos grandes bancos nesta semana'. Apesar disso, Emanuel mantém visão otimista para o mercado em geral e para o setor de tecnologia em particular, posição compartilhada por outros estrategistas ouvidos na reportagem.

Wall Street vê cenário favorável

O Goldman Sachs elevou sua recomendação para ações globais para 'overweight', justificando a mudança pelo que chamou de crescimento ainda favorável à economia. Segundo a nota assinada por Christian Mueller-Glissmann, chefe de alocação de ativos da área de pesquisa do banco, o ambiente macroeconômico seria propício, com baixo risco de recessão, e a inflação deve ceder em 2027 — configurando o que ele descreve como um cenário de tipo 'Goldilocks'. Para posicionamento, Mueller-Glissmann recomenda uma combinação entre beneficiárias de inteligência artificial e ações seletas sensíveis a juros, com dividendos elevados e baixa volatilidade, que poderiam se beneficiar de um eventual alívio monetário.

Lisa Shalett, diretora de investimentos da Morgan Stanley Wealth Management, também vê contexto favorável, destacando que os múltiplos de mercado recuaram: as ações são negociadas a 19 vezes o lucro projetado, ante 21 vezes no verão norte-americano, mesmo com o crescimento de lucros em aceleração. Para ela, a compressão de múltiplos provocada pela alta dos rendimentos dos títulos públicos é típica de uma expansão de meio de ciclo, quando os aumentos de juros ainda não produziram efeitos plenos. Shalett ainda nota que os principais vetores de crescimento do atual ciclo — investimentos em infraestrutura de inteligência artificial e consumo ligado à riqueza — têm se mostrado, até agora, pouco sensíveis à alta de juros.

A UBS também projeta avanço para as ações. Ulrike Hoffmann-Burchardi, diretora de investimentos para as Américas e chefe global de ações do UBS Chief Investment Office, afirmou em nota citada pela CNBC que os investidores devem manter posicionamento para capturar potencial de alta e que o banco projeta o S&P 500 alcançando 8.400 pontos até junho do próximo ano.

Taiwan Semiconductor como termômetro

A reportagem destaca que o setor de tecnologia, que responde por 40% do S&P 500 e cerca de um terço dos aproximadamente US$ 800 bilhões em lucros estimados para o trimestre, pode pesar mais no humor do mercado do que os próprios bancos. Analistas vão buscar sinais de que a demanda por chips e infraestrutura de inteligência artificial continua resistente mesmo diante de um ambiente macroeconômico mais apertado e de preços de energia mais altos, com as ações reagindo principalmente às projeções para 2027.

Os primeiros indícios devem vir com a divulgação da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, prevista para quinta-feira segundo a matéria. As estimativas de lucro por ação da TSM para o terceiro trimestre subiram para US$ 4,45, ante US$ 3,42 em janeiro, de acordo com o consenso da FactSet citado pela CNBC. A empresa superou as expectativas em 19 dos últimos 20 trimestres, incluindo um resultado 10,8% acima do esperado no segundo trimestre — histórico que torna sua orientação sobre demanda por chips um indicador chave para Nvidia e outras fabricantes do setor.

O Nasdaq 100 segue perto de máximas históricas, impulsionado por uma série de empresas de inteligência artificial com resultados e lançamentos de produtos acima do esperado, o que tem aliviado preocupações sobre um possível esgotamento do ciclo, segundo a reportagem. A Micron teria entregado um trimestre considerado excepcional. No lado do consumo, o lançamento do agente Muse pela Meta Platforms teria disparado uma corrida por participação no comércio eletrônico habilitado por inteligência artificial, impulsionando as ações da companhia.

Fragilidades por trás do otimismo

Apesar do otimismo concentrado em tecnologia, a CNBC chama atenção para sinais de fraqueza em outras partes do mercado. Das 504 ações do S&P 500, quase 38% estão 20% ou mais abaixo de suas máximas de 52 semanas — um sinal de amplitude estreita, com os investidores recompensando poucos setores em alta, principalmente tecnologia e energia, enquanto os demais ficam para trás.

As revisões de lucro também pioraram em diversos setores. Segundo a FactSet, oito setores registraram revisões negativas nas estimativas de lucro por ação desde 30 de junho, liderados por materiais básicos (-10,2%), consumo básico (-4%) e saúde (-3,3%).

Os resultados também devem testar o múltiplo do mercado. Embora o P/L do S&P 500 tenha recuado para cerca de 19 vezes, o índice 'parece caro' em 17 das 20 métricas de avaliação acompanhadas pelo Bank of America, que estima retorno anualizado de -3% para a próxima década sob essas condições.

Ainda assim, o BofA projeta cenário positivo para o trimestre, com expectativa de crescimento de 32% nos lucros, superando o consenso em cerca de 3%. Mas o banco pondera que, após dois trimestres seguidos de resultados muito acima do esperado, superar as estimativas se tornou rotina e pode não ser suficiente para sustentar novas altas nas ações, segundo a avaliação reproduzida pela CNBC. O BofA acrescenta que a combinação entre geopolítica, juros e o desempenho do setor de tecnologia pode estar sendo subestimada pelo mercado, já que um custo de capital mais alto e gargalos geopolíticos poderiam atrapalhar o que, até aqui, tem sido uma trajetória relativamente tranquila.

O que isso significa para o investidor

Para quem acompanha ativos americanos a partir do Brasil, a temporada de balanços que se abre funciona como teste de validação para um rali que já avançou bastante e que, segundo analistas citados na reportagem, pode não se sustentar apenas com resultados dentro do esperado. O scanner da TradingView registrava, em consulta realizada em 12/10/2026 às 19h32 BRT, o S&P 500 em 7.807,24 pontos (variação de -0,06% no dia) e o Nasdaq em 27.245,90 pontos (-0,44% no dia) — níveis que mostram um mercado em compasso de espera às vésperas das divulgações dos grandes bancos e, na sequência, da Taiwan Semiconductor.

O cenário descrito pela CNBC sugere que o investidor brasileiro exposto a ações americanas, fundos internacionais ou BDRs ligados a bancos e tecnologia deve observar não apenas se as empresas batem as projeções de lucro, mas principalmente o tom das projeções futuras — em especial de Jamie Dimon e da própria TSM, cujo histórico de superar expectativas já é tratado como padrão pelo mercado. Como alertam fontes ouvidas na reportagem, repetir desempenhos fortes pode já estar precificado, tornando as orientações para os próximos trimestres o fator decisivo para a reação das ações.

A divergência entre o desempenho concentrado em poucos setores — tecnologia e energia — e a fraqueza observada em quase 38% das ações do S&P 500 é outro ponto que merece atenção de quem monta carteiras diversificadas com exposição aos Estados Unidos. Essa amplitude estreita, somada às revisões negativas de lucro em setores como materiais básicos, consumo básico e saúde, indica que a recuperação de resultados não é uniforme, o que pode exigir seletividade adicional na escolha de ativos e maior atenção a relatórios setoriais específicos nas próximas semanas.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos