A comissão de valores mobiliários da Tailândia abriu um processo criminal contra a operadora da Bitget, acusando a empresa de oferecer serviços de negociação de criptomoedas a usuários tailandeses sem autorização regulatória entre 2022 e 2025. A medida chega em um momento delicado para a exchange, que buscava uma via regulada de entrada no país por meio da aquisição de uma corretora local já licenciada.
Segundo o regulador, a operadora, identificada como BG Limited, cobrava taxas de negociação dos clientes e atraía usuários tailandeses por meio de um site em idioma local, com preços exibidos na moeda do país, o baht, além de manter canais associados em redes sociais.
Bloqueio marcado para dezembro
A autoridade encaminhou o caso à polícia e solicitou ao governo o bloqueio do site e do aplicativo da Bitget a partir de 5 de dezembro. O órgão também recomendou que os usuários organizem a retirada de ativos mantidos na plataforma antes que as restrições entrem em vigor.
Vale notar que os próprios termos de uso da Bitget, atualizados em outubro, já listavam a Tailândia entre os países onde a oferta de seus serviços é proibida — um dado que evidencia certa contradição entre a postura formal da empresa e a atuação identificada pelo regulador no mercado local.
Aquisição de exchange licenciada em jogo
O caso ocorre justamente quando a Bitget tentava obter aprovação para adquirir a GMO-Z, uma exchange e corretora de criptomoedas já licenciada no país, por meio da BTGT Management (Thailand), empresa ligada ao grupo. A operação daria à Bitget uma porta de entrada regulada no mercado cripto tailandês.
A vendedora, GMO Internet, havia adiado a transferência das ações de 31 de outubro para 30 de novembro, citando trâmites ligados às aprovações regulatórias. Essa nova data deixa a conclusão do negócio apenas cinco dias antes do bloqueio programado contra a Bitget. Até o momento, a comissão reguladora não informou se o processo criminal pode afetar o andamento da aquisição.
A ação contra a Bitget não é isolada: a Tailândia já havia tomado medidas semelhantes contra outras exchanges estrangeiras, como Bybit e OKX, dentro de uma política mais ampla de repressão à negociação não licenciada de criptoativos no país.
Procuradas, Bitget, GMO Internet e a comissão reguladora não se manifestaram sobre o caso até a divulgação das informações.
O que isso significa para o investidor
O episódio reforça um padrão que já vinha se desenhando em mercados asiáticos: reguladores locais têm ampliado a fiscalização sobre exchanges globais que operam sem licença, mesmo quando essas plataformas tentam, em paralelo, obter entrada regulada via aquisições. Para quem investe ou mantém ativos em exchanges internacionais, o caso é um lembrete de que a regularização formal em um mercado não blinda automaticamente a operação de ações anteriores sob escrutínio.
A incerteza sobre se o processo criminal pode travar ou atrasar a aquisição da GMO-Z é o ponto central a acompanhar. Caso a operação seja suspensa ou cancelada, a Bitget perderia, pelo menos temporariamente, sua via de acesso legal ao mercado tailandês — um desfecho que pode servir de sinal de alerta para outras exchanges que buscam estratégias semelhantes de expansão via aquisição de players já licenciados.
Para investidores brasileiros expostos a exchanges globais, o caso tailandês ilustra como o risco regulatório segue sendo um fator relevante na avaliação de plataformas cripto, independentemente da jurisdição de origem. Vale observar se o bloqueio anunciado para 5 de dezembro de fato se concretiza e se a aprovação regulatória da aquisição da GMO-Z avança, estagna ou é formalmente negada nas próximas semanas.
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