Mercados · EUA · Política

Deputado democrata que regula IA compra mais ações do setor

Josh Gottheimer adquiriu papéis da Benchmark Electronics, Applied Materials e AMD meses após votar para proibir operações de congressistas, diz CNBC

Deputado democrata que regula IA compra mais ações do setor
CNBC

Ler na fonte → CNBC

O deputado Josh Gottheimer, democrata de Nova Jersey que ajuda a desenhar a agenda do partido para inteligência artificial, declarou novas compras de ações ligadas ao setor de IA — poucos meses depois de votar a favor de uma proposta que proibiria parlamentares e seus familiares de negociar ações individuais, segundo reportagem da CNBC.

De acordo com um registro divulgado nesta semana, Gottheimer comprou, em 12 de outubro, entre US$ 1.001 e US$ 15 mil em ações da Benchmark Electronics. Sua conta conjunta na Morgan Stanley também adquiriu até US$ 15 mil em papéis da Applied Materials em 26 de outubro, depois de três compras anteriores de ações da Advanced Micro Devices (AMD), fabricante líder de chips de IA.

A CNBC afirma não haver evidência de irregularidade nas transações, mas destaca que elas colocam os investimentos do deputado sob os holofotes num momento em que os democratas se preparam para assumir o controle do Congresso em janeiro, com novos poderes para regular e investigar a indústria de inteligência artificial.

Ex-executivo da Microsoft, Gottheimer integra a subcomissão do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara responsável pela supervisão de IA no setor financeiro, apresentou legislação sobre regulação do tema e copreside uma comissão que desenvolve a agenda democrata mais ampla sobre inteligência artificial.

A defesa do gabinete

O assessor de Gottheimer, Haraden Bottomley, disse à CNBC que o congressista transferiu o controle de seus investimentos a terceiros com "plena discricionariedade de investimento" antes de assumir o cargo, em 2017. Segundo Bottomley, Gottheimer também aguarda a aprovação pelo Congresso de um blind trust e, enquanto isso, criou uma estrutura independente de confiança para gerir seus ativos.

Democratas mirando a indústria de IA

A reportagem lembra que parlamentares democratas já têm mirado o setor de inteligência artificial em outras frentes. As deputadas Maxine Waters e Greg Casar apresentaram uma resolução contrária a resgates com dinheiro público para empresas de IA, encaminhada em parte ao comitê de Gottheimer. Casar também pediu que executivos do setor prestem depoimento sob juramento, enquanto outros democratas defendem restringir ou até suspender a construção de novos data centers.

Contradição com voto anterior

As compras contrastam com o histórico de Gottheimer como defensor de restrições ao comércio de ações por congressistas. Em julho, ele foi um dos apenas 13 democratas que votaram a favor do Stop Insider Trading Act, projeto que proibiria parlamentares e seus familiares de comprar a maioria das ações individuais. A proposta passou na Câmara, mas não virou lei — parte dos democratas rejeitou o texto por conter uma exigência de identificação de eleitores, e outros argumentaram que ele deveria ir além na limitação de compra e manutenção de ações por autoridades eleitas. Quatro anos antes, Gottheimer já havia apoiado legislação que exigia a criação de blind trusts por parlamentares e prometido estabelecer o seu próprio.

Tamanho das posições e perfil das empresas

Segundo a CNBC, as compras de ações de IA representam uma fatia pequena do extenso portfólio de investimentos de Gottheimer. As cinco transações somaram entre US$ 5.005 e US$ 75 mil, ante um patrimônio familiar declarado de US$ 15,1 milhões a US$ 59 milhões, incluindo até US$ 44,5 milhões em ações. De acordo com dados do site Follow the Filings, citado pela reportagem, o núcleo familiar do deputado registrou mais de 1.100 transações com valores mobiliários ao longo de três anos. Gottheimer declara os ativos em conjunto com a esposa, Marla Tusk, que atua como consultora jurídica geral em uma empresa de consultoria política.

A AMD compete com a Nvidia no mercado de chips de IA, enquanto a Applied Materials fornece equipamentos para fabricação de semicondutores. A Benchmark, por sua vez, teve a Applied Materials como sua maior cliente declarada em 2025, respondendo por 14% da receita, segundo registro regulatório citado pela CNBC. De acordo com o relatório de resultados do terceiro trimestre divulgado em 28 de outubro, a Benchmark gerou 30% de sua receita trimestral com equipamentos de semicondutores e outros 16% com computação avançada e comunicações. A reportagem ainda aponta que Gottheimer já havia declarado uma compra de ações da Applied Materials em agosto e uma venda em setembro.

Venda em meio à correção do setor

As compras ocorreram pouco antes de uma forte correção nas ações ligadas a inteligência artificial. Segundo a CNBC, o índice Nasdaq Composite recuou 5,5% em uma quinta-feira, com a Nvidia caindo mais de 9% e a AMD recuando cerca de 17% — ambas integrantes do índice. A Benchmark, por sua vez, caiu quase 17% entre quarta e quinta-feira, fechando a US$ 59,34, patamar cerca de 25% abaixo do preço de fechamento na data em que Gottheimer comprou as ações em outubro, antes de uma recuperação parcial na sexta-feira seguinte.

O que isso significa para o investidor

O episódio reforça um ponto que investidores em ações ligadas a IA já deveriam monitorar: a volatilidade do setor tem sido elevada, e movimentos de parlamentares que participam diretamente da formulação regulatória — mesmo sem indício de irregularidade, como ressalta a CNBC — tendem a atrair escrutínio político e midiático adicional sobre nomes como AMD, Applied Materials e Benchmark Electronics. Para quem acompanha o mercado americano de tecnologia, vale observar se a pressão democrata por regras mais rígidas sobre data centers, resgates e transparência de executivos avança no Congresso a partir de janeiro, o que pode afetar o apetite de risco em ações do setor.

Do ponto de vista de contexto de mercado, o scanner da TradingView mostrava o Nasdaq Composite em 24.579,42 pontos, alta de 1,09% no dia, às 12h17 (BRT) de 7 de novembro de 2026 — um movimento de recuperação que contrasta com o tombo de 5,5% mencionado na reportagem da CNBC, sinalizando que o apetite por ações de tecnologia e IA segue sujeito a oscilações bruscas em curtos intervalos de tempo.

Para investidores brasileiros com exposição a fundos internacionais, BDRs ou ETFs ligados a semicondutores e inteligência artificial, o caso ilustra como fatores regulatórios e políticos nos Estados Unidos podem se somar à volatilidade técnica já observada nesses papéis. Acompanhar o desdobramento das investidas democratas sobre o setor — e eventuais novas declarações de parlamentares com acesso a informações privilegiadas sobre a agenda regulatória — pode ajudar a antecipar períodos de maior nervosismo nas cotações de nomes como Nvidia, AMD e Applied Materials.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos