O bitcoin voltou a subir nesta sexta-feira depois de um tombo acentuado na véspera, que levou a criptomoeda a recuar para perto de US$ 75.200 por volta das 23h UTC de quinta-feira. Segundo a CoinDesk, o ativo passou a negociar perto de US$ 76.150, alta de 0,2% desde a meia-noite UTC, enquanto o mercado volta as atenções para o relatório de emprego dos Estados Unidos.
A queda de quinta-feira teve origem fora do universo cripto: o Nasdaq Composite recuou 5,5% em meio ao temor de investidores de que o controle democrata do Congresso atrase a expansão de data centers voltados à inteligência artificial. O movimento contaminou o mercado de criptoativos, onde a CoinGlass registrou mais de US$ 1 bilhão em posições alavancadas liquidadas ao longo de 24 horas. No mesmo período, o bitcoin acumulou queda de 5,3% e o ether, de 7,3%, de acordo com a CoinDesk.
O ether, por sua vez, subia 0,3% nesta sexta-feira, enquanto o índice CoinDesk 80 avançava 0,2% e o CoinDesk Memecoin Index liderava os ganhos, com alta de 4%.
ETFs continuam a sangrar
Os fundos negociados em bolsa de bitcoin à vista nos Estados Unidos registraram novas saídas na quinta-feira. O FBTC, da Fidelity, perdeu cerca de US$ 200 milhões, enquanto o IBIT, da BlackRock, teve saída de US$ 105 milhões — a quinta sessão seguida de resgates para o fundo da gestora, segundo dados da Farside Investors citados pela CoinDesk. O movimento reforça o quadro já descrito pelo AAR News na cobertura de quinta-feira, quando os ETFs à vista de bitcoin haviam registrado saída líquida de US$ 430,2 milhões, revertendo as entradas do dia anterior.
Às 8h30 (horário do leste dos EUA, 13h30 UTC), sai o relatório de empregos americano. Economistas consultados pela FactSet projetam criação de 65 mil vagas no mês, número que deve orientar o apetite por risco nas próximas horas, incluindo o de criptoativos.
Posicionamento em derivativos
O mercado de derivativos de bitcoin mostrou sinais de estresse e reconstrução de posições após a liquidação generalizada. Segundo a CoinDesk, o open interest voltou a subir na esteira da onda de liquidações, mas o movimento reflete mais uma reposição de alavancagem do que necessariamente apetite renovado por risco — ou seja, posições compradas foram zeradas à força e, em parte, recriadas em seguida.
O financiamento (funding rate) oscilou com força, chegando a ficar brevemente negativo na Bybit, em -5% ao ano, antes de se estabilizar entre 0% e 5% em outras exchanges. Já a base de três meses se manteve em 5,7%, segundo a reportagem.
O fluxo de opções também girou para um viés defensivo: a relação entre volume de puts e calls nas últimas 24 horas ficou em cerca de 51 a 48 a favor das puts, e o skew de 25-delta para uma semana subiu para aproximadamente 15%, ante cerca de 11% uma semana antes — sinal de que a proteção contra quedas ficou mais procurada. A estrutura a termo das opções at-the-money seguiu em contango, com o vértice de curto prazo elevado, perto de 50%, refletindo o estresse recente, e níveis entre 38% e 40% no horizonte até o fim de 2027.
No mapa de liquidez da Binance, com o preço próximo a US$ 75.100, a faixa entre US$ 74.000 e US$ 75.000 concentra um volume relevante de liquidez compradora, que pode ser acionado em caso de nova queda. Já para cima, a faixa entre US$ 76.800 e US$ 77.000 é apontada como referência a observar em caso de recuperação.
Movimento nos tokens
A World Liberty Financial, projeto ligado a Donald Trump, subia cerca de 3,5% desde a meia-noite UTC após anunciar planos de novas recompras do token WLFI, parcialmente financiadas por taxas cobradas sobre as reservas que lastreiam sua stablecoin USD1. Mesmo assim, o WLFI segue cerca de 10% abaixo do nível de terça-feira, dia das eleições de meio de mandato nos EUA, e acumula queda de mais de 66% no ano. O token oficial Trump (TRUMP) atingiu mínima recorde nesta semana.
As moedas de privacidade resistiram melhor à venda generalizada: o monero (XMR) caiu 3,2% em 24 horas, variação menor que os 5,3% de queda do bitcoin no mesmo período. Já o zcash (ZEC) ativou no início desta sexta-feira sua atualização NU7, que reduziu o tempo-alvo entre blocos de 75 para 25 segundos, e subia 1% desde a meia-noite UTC.
O hyperliquid (HYPE) segue cerca de 19% abaixo da máxima de US$ 96 atingida na semana passada, quando um acordo entre a ICE e a Trade[XYZ] para levar contratos futuros perpétuos baseados em Hyperliquid a investidores de varejo americanos havia impulsionado o token — otimismo que, segundo a CoinDesk, já perdeu força.
O injective (INJ) subia 14% na semana, período em que a Nasdaq aprovou a listagem do ETF de INJ em staking da Canary Capital, conforme registro apresentado à SEC. Já o índice de temporada de altcoins da CoinMarketCap caiu para 44 em 100 pontos, o menor patamar desde setembro, indicando arrefecimento do apetite especulativo.
O que isso significa para o investidor
A combinação de saídas persistentes nos ETFs à vista — cinco sessões seguidas de resgates no IBIT — com um mercado de opções inclinado para proteção contra quedas sugere que o alívio desta sexta-feira ainda não representa uma mudança de tendência. Segundo cotação da TradingView referenciada pelo AAR News às 12h17 (horário de Brasília) de 7 de novembro de 2026, o bitcoin operava a US$ 75.787,25 (+0,07% no dia) e o ether a US$ 2.240,52 (+0,25%), níveis próximos aos citados na reportagem, o que reforça a leitura de um mercado em compasso de espera.
O dado de emprego americano desta sexta-feira tende a funcionar como gatilho de curto prazo tanto para ações de tecnologia quanto para criptoativos, dada a correlação observada entre a queda do Nasdaq e a liquidação no mercado cripto na véspera — às 12h17 BRT do mesmo dia, o índice Nasdaq era cotado pela TradingView a 24.579,42 pontos, com alta de 1,09% no dia, sinalizando recuperação parcial do tombo de quinta-feira.
Para quem acompanha o setor de pagamentos e empresas expostas a bitcoin, vale lembrar o acordo preliminar da Block com o Departamento de Justiça americano, no valor de US$ 764 milhões, noticiado pelo AAR News em 4 de novembro — montante que supera o lucro trimestral da empresa de Jack Dorsey, em meio a cortes de taxas no Cash App que já vinham pressionando a receita ligada a bitcoin.
No curto prazo, os pontos a monitorar são a reação do mercado ao payroll, o comportamento das faixas de liquidez identificadas no mapa da Binance entre US$ 74.000 e US$ 77.000, e a continuidade — ou não — das saídas nos ETFs à vista, que têm sido o principal termômetro de fluxo institucional nas últimas sessões.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos
