O SWI Group anunciou a captação de 800 milhões de euros, equivalentes a 894 milhões de dólares, junto a investidores institucionais, com o objetivo declarado de expandir projetos de data centers voltados à inteligência artificial na Europa e nos Estados Unidos. Segundo a companhia, o aporte eleva sua avaliação para 6,1 bilhões de euros.
A empresa, listada na bolsa Euronext Amsterdam e dedicada a investimentos em infraestrutura digital, controla a Genesis Digital Assets, antiga mineradora de bitcoin ligada à FTX. Após renomear a unidade para SWI Digital, o plano agora é redirecionar instalações nos Estados Unidos e na Suécia para cargas de trabalho de IA, ao mesmo tempo em que os sites da operação no Cazaquistão serão vendidos.
Como se deu a aquisição da Genesis Digital
O SWI Group informou ter adquirido cerca de 40% da Genesis Digital em junho, por 500 milhões de dólares. A operação foi concluída em agosto, quando o grupo passou a deter 70% dos direitos de voto sobre a mineradora, consolidando o controle que hoje sustenta a reorientação estratégica para inteligência artificial.
Um movimento comum entre mineradores de bitcoin
A trajetória do SWI Group reflete um padrão que vem se repetindo entre empresas do setor de mineração de bitcoin: o ativo mais valioso deixou de ser o maquinário de mineração e passou a ser a conexão de energia e a capacidade de data center, hoje convertidas em contratos voltados a clientes de IA. De acordo com o material original, mineradores de bitcoin já assinaram mais de 70 bilhões de dólares em contratos ligados a inteligência artificial e computação de alto desempenho, buscando fontes de receita mais estáveis do que a mineração de criptomoedas oferece atualmente.
Esse movimento coloca o SWI Digital na mesma disputa de empresas listadas como a TeraWulf, cujas ações (WULF) eram cotadas a 13,36 dólares, e a Core Scientific, com ações (CORZ) a 15,02 dólares — ambas também convertendo acesso a energia e capacidade de data center em negócios de hospedagem para IA.
CEO descarta interesse em mineração
Em entrevista ao Wall Street Journal, o CEO do SWI Group, Max-Hervé George, afirmou ter "zero interesse" em mineração de bitcoin. A declaração reforça a decisão de vender os sites da Genesis Digital Assets no Cazaquistão e concentrar os esforços nas instalações americana e sueca para operações de inteligência artificial.
O rastro da FTX no negócio
O Wall Street Journal também apontou que a Alameda Research, firma de negociação de criptoativos controlada pelo ex-CEO da FTX, Sam Bankman-Fried, havia investido mais de 1 bilhão de dólares na Genesis Digital Assets a partir de 2021, chegando a deter cerca de 20% da mineradora. Com o pedido de falência da FTX em novembro de 2022, essa participação passou a figurar entre os ativos analisados pela massa falida da exchange.
O que isso significa para o investidor
O caso do SWI Group ilustra um fenômeno que o AAR News já vem acompanhando no ecossistema de mineração de criptoativos: a migração de infraestrutura originalmente voltada a bitcoin para contratos de inteligência artificial, movimento que amplia o valor de mercado de empresas como TeraWulf e Core Scientific, citadas no próprio material. Para quem investe em ativos ligados a essa cadeia, a atenção deve recair sobre a capacidade real de conversão dessas instalações — energia, resfriamento e localização — em contratos efetivos de hospedagem de IA, e não apenas em anúncios de reposicionamento estratégico.
Vale notar que o episódio também reaviva discussões sobre o legado da FTX, cuja falência em novembro de 2022 segue gerando desdobramentos em ativos antes vinculados à Alameda Research, como mostra a própria origem da Genesis Digital Assets. Investidores que acompanham processos de recuperação de ativos ligados à exchange devem monitorar se novos desinvestimentos, como a venda anunciada das operações no Cazaquistão, resultam em liquidez adicional para credores ou simplesmente em reorganização societária dentro do SWI Group.
Por fim, o momento do anúncio ocorre em meio a um cenário de volatilidade para o bitcoin, cotado a 82.572,52 dólares, com queda de 1,34% no dia, segundo o scanner da TradingView em 12 de outubro de 2026 às 19h32 (horário de Brasília). Essa oscilação reforça o argumento central do próprio SWI Group: a busca por receitas menos dependentes do preço da criptomoeda, por meio da diversificação para contratos de infraestrutura de inteligência artificial.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
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