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Strategy e Strive equilibram compra de bitcoin com dividendos de preferenciais

Ações preferenciais já financiaram compra de quase 136 mil bitcoins, mas obrigações de dividendo e recompras pressionam o ritmo de aquisição, segundo a CoinDesk

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Empresas de tesouraria de bitcoin como Strategy (MSTR) e Strive (ASST) enfrentam um dilema operacional: precisam de caixa para sustentar suas compras da criptomoeda, mas também dependem de manter o apetite de investidores por novas emissões de ações preferenciais perpétuas, seu principal instrumento de captação. Quanto mais ações em circulação, maior o volume de dividendos a pagar, segundo reportagem da CoinDesk com base em análise da Fidelity Digital Assets e comentários de analistas de mercado.

As preferenciais, instrumentos híbridos entre dívida e equity comum, com pagamentos regulares e sem direito a voto, financiaram a compra de cerca de 136 mil bitcoins nos 20 meses desde sua introdução, segundo relatório publicado na terça-feira pelo analista da Fidelity Zack Wainwright. O volume representa mais de 0,5% da oferta máxima da criptomoeda. No momento da reportagem, o bitcoin era cotado a US$ 84.459,46, segundo dados citados pela CoinDesk.

A Strategy, maior detentora corporativa de bitcoin, domina esse mercado e mantém cinco classes diferentes de ações preferenciais, o que a torna referência para avaliar a durabilidade do modelo. Sua primeira oferta, a STRK, estreou em fevereiro de 2025. A Fidelity estima o mercado de preferenciais ligadas a bitcoin em cerca de US$ 12 bilhões, ante um mercado global de renda fixa de US$ 150 trilhões — uma diferença que, segundo a análise, sugere espaço para expansão.

Acesso a investidores de renda fixa

Ao vender ações preferenciais com dividendos e sem vencimento definido, essas companhias reduzem a pressão de refinanciamento e atraem investidores que evitam exposição direta ao bitcoin. Mark Palmer, analista sênior de research da StoneX, disse à CoinDesk que esse tipo de instrumento abriu caminho para investidores de renda que os ETFs nunca alcançaram.

Ryan Rasmussen, head de research da Bitwise, também vê os produtos atraindo compradores que evitariam fundos negociados em bolsa de bitcoin, mas segue considerando os ETFs o canal de demanda mais relevante no longo prazo. Segundo ele, as preferenciais perpétuas funcionam como um segundo vetor de demanda, voltado a um público diferente, o investidor em busca de rendimento.

James Butterfill, head de research da CoinShares, afirmou à CoinDesk que a STRC, que paga dividendo variável atualmente próximo de 12%, captou US$ 7,5 bilhões ao longo de 2026 até o final de julho. Essa captação, no entanto, carrega um custo recorrente de dividendos.

Alex Blume, fundador e CEO da gestora institucional de bitcoin Two Prime, destacou que produtos como a STRC e a SATA, da Strive, não oferecem exposição pura ao preço do bitcoin: seu valor também reflete a competência da gestão, as obrigações dos emissores e as condições do mercado de capitais. Ele citou a queda breve da STRC para a faixa de US$ 70 no final de junho como exemplo de volatilidade potencial. Para Blume, o crescimento da emissão cria tensão entre aumentar o bitcoin por ação ordinária, cumprir compromissos de dividendo em dólares e evitar vender bitcoin. A ação preferencial da Strategy era negociada a cerca de US$ 99,40 no momento da reportagem.

Recompras disputam espaço com novas compras

Palmer descreveu a demanda por preferenciais perpétuas como reflexiva: a continuidade das compras financiadas por esses instrumentos depende de as ações serem negociadas perto do valor de face. Butterfill acrescentou que, abaixo desse patamar, novas emissões perdem atratividade e as empresas tendem a priorizar recompras.

Segundo Butterfill, a atualização semanal mais recente da Strategy mostrou gasto de US$ 193 milhões em recompra da STRC, contra a compra de apenas 267 bitcoins no período. A companhia também ampliou sua autorização para recompra de ações preferenciais para US$ 3 bilhões, segundo o analista.

Butterfill observou que as recompras podem reduzir o custo futuro de dividendos, mas competem com as compras de bitcoin pelo mesmo capital no presente. Ele acrescentou que as reservas de caixa funcionam como amortecedor, embora a Strategy já tenha vendido parte de seu bitcoin para custear dividendos de preferenciais.

ETFs seguem como o canal dominante

Os ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos acumulam cerca de US$ 57 bilhões em entradas líquidas desde o lançamento e detêm aproximadamente US$ 106 bilhões em ativos, segundo Butterfill. Criações líquidas nesses fundos aumentam diretamente o volume de bitcoin sob custódia, enquanto a emissão de preferenciais dá à gestão discricionariedade sobre o uso dos recursos captados.

Resgates podem reverter a demanda dos ETFs, mas não deixam compromisso contínuo de dividendos, destacou Butterfill. Para ele, as preferenciais amplificam o ciclo de mercado: sustentam compras quando as condições de financiamento são favoráveis, mas perdem força de apoio quando o sentimento piora.

O que isso significa para o investidor

A reportagem da CoinDesk reforça um ponto já observado pela cobertura do AAR News: a Strategy segue no centro das atenções do mercado cripto corporativo, tendo se aproximado recentemente de um golden cross em suas ações, conforme noticiado em 19 de outubro. O modelo de financiamento via preferenciais perpétuas adiciona uma camada extra de complexidade a essa tese, já que o desempenho da ação passa a depender também da capacidade da empresa de honrar dividendos sem comprometer o ritmo de acumulação de bitcoin.

Para quem acompanha ações ligadas a tesourarias de bitcoin, o dado da Strategy repassando apenas 267 bitcoins comprados contra US$ 193 milhões em recompras na última atualização semanal é um sinal a monitorar: indica que, em momentos de pressão sobre o valor das preferenciais, o capital pode migrar da compra do ativo para a defesa do próprio instrumento financeiro. Isso tende a reduzir, ao menos temporariamente, o ritmo de absorção de oferta de bitcoin por parte dessas empresas.

O contexto de mercado também importa: segundo o scanner da TradingView, o bitcoin era cotado a US$ 80.301,14 em 24 de outubro de 2026, às 15h12 (horário de Brasília), com queda de 0,97% no dia, e a dominância da moeda havia atingido 60% do mercado cripto em 22 de outubro, segundo cobertura do AAR News. Em um cenário de preço mais pressionado, a reflexividade apontada por Palmer — em que a demanda por preferenciais depende de elas serem negociadas perto do par — tende a testar justamente a resiliência desse canal de financiamento.

Para o investidor de renda fixa que avalia essas preferenciais, o alerta dos analistas é claro: o retorno não está atrelado apenas à trajetória do bitcoin, mas também à governança e à disciplina de capital dos emissores. Já para quem prefere exposição via ETFs, os números citados por Butterfill — US$ 57 bilhões em entradas líquidas e US$ 106 bilhões em ativos sob gestão — seguem indicando que esse continua sendo o canal mais líquido e com menor exigência de análise de crédito corporativo.

Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos