O conglomerado japonês SoftBank viu sua capitalização de mercado cair pela metade frente ao recorde atingido em 2 de junho, num movimento que reflete a desconfiança crescente dos investidores quanto à capacidade da empresa de sustentar seus investimentos pesados em inteligência artificial em meio a condições de crédito mais apertadas, segundo o InfoMoney.
Nesta quinta-feira (22), os papéis listados em Tóquio recuaram 6,9%, aprofundando o recuo acumulado desde o topo histórico para 50%. Nem a divulgação de resultados positivos de gigantes de tecnologia dos Estados Unidos foi suficiente para conter o movimento de venda, segundo o InfoMoney.
Há cerca de quatro meses, o SoftBank havia ultrapassado brevemente a Toyota como a empresa mais valiosa do Japão. Hoje, segundo o InfoMoney, a companhia está avaliada em aproximadamente ¥24,7 trilhões (US$ 157 bilhões), patamar que a coloca atrás de nomes como Hitachi e Recruit no ranking corporativo japonês.
Contágio vindo da CoreWeave
O InfoMoney relata que o nervosismo em torno dos gastos globais com IA ganhou força depois que títulos de dívida da provedora americana de computação em nuvem CoreWeave recuaram a patamares associados a risco de estresse financeiro, episódio que expôs fragilidades de financiamento em todo o setor ligado à inteligência artificial.
Segundo Kazuyuki Muramatsu, chefe de gestão de investimentos da Nagomi Capital, citado pelo InfoMoney, o SoftBank se tornou um alvo natural desse escrutínio porque opera com um nível elevado de alavancagem justamente num momento em que o custo para captar recursos está subindo. Ele pondera que, caso a confiança do mercado na tese de crescimento da IA se deteriore de forma mais ampla, o Vision Fund — braço de investimentos do grupo — pode registrar perdas de valor, o que tornaria futuras rodadas de captação ainda mais caras para a companhia.
O InfoMoney também destaca que o mercado passou a cobrar mais caro para se proteger contra um eventual não pagamento da dívida do SoftBank: o preço desse tipo de seguro de crédito chegou ao maior patamar em quase quatro anos. A reportagem aponta que, por depender fortemente de capital de terceiros para bancar projetos que vão de infraestrutura e energia a robótica dentro do ecossistema de IA, o grupo ficou mais exposto ao clima de desconfiança que se espalhou a partir dos problemas da CoreWeave — inclusive entre investidores que até então olhavam principalmente para o potencial de retorno das apostas do conglomerado em inteligência artificial.
Pior desempenho do Nikkei
De acordo com o InfoMoney, as ações do SoftBank lideram as perdas dentro do índice Nikkei neste mês, com queda superior a 30% apenas em outubro, movimento que já anulou todo o avanço acumulado em setembro.
Outro elemento citado pela reportagem é o acirramento da disputa entre modelos de inteligência artificial. A OpenAI, empresa na qual o SoftBank já aportou cerca de US$ 65 bilhões segundo o InfoMoney, passou a enfrentar concorrentes chineses que oferecem desempenho comparável a custos mais baixos — fator que também pesa sobre a percepção de risco em torno do grupo japonês.
O InfoMoney lembra ainda que, em setembro, o SoftBank captou US$ 11,1 bilhões por meio da maior emissão de títulos corporativos de alto risco (os chamados junk bonds) já realizada, recursos destinados a financiar os projetos de inteligência artificial conduzidos pelo fundador Masayoshi Son.
O que isso significa para o investidor
O caso do SoftBank ilustra um risco que vinha sendo discutido de forma mais difusa no mercado global de IA: a dependência de financiamento via dívida para sustentar apostas de longo prazo em infraestrutura tecnológica. Quando o custo de captação sobe e a confiança no setor oscila — como mostrou o episódio da CoreWeave —, empresas mais alavancadas tendem a sofrer de forma desproporcional, tanto no valor das ações quanto no preço de proteção contra calote de sua dívida.
Para quem acompanha ativos ligados à cadeia de inteligência artificial, o episódio reforça a importância de monitorar não apenas o apetite por crescimento das empresas do setor, mas também sua estrutura de capital e a sensibilidade dessas estruturas a mudanças no custo do dinheiro. Vale notar que o movimento ocorre num momento em que outros ativos de risco globais mostraram certa resiliência — como destacou cobertura recente do AAR News sobre a recuperação de Wall Street antes de balanços decisivos e sobre a reação rápida do bitcoin após romper a casa dos US$ 80 mil —, o que sugere que o estresse em torno do SoftBank pode ter um componente específico ligado à sua alavancagem, e não necessariamente um sinal generalizado de aversão a risco.
Investidores com exposição a SoftBank, ao Vision Fund ou a fundos que replicam o Nikkei devem acompanhar de perto a evolução do custo de proteção contra calote da dívida do grupo e o apetite do mercado por novas emissões de títulos de alto rendimento ligados a projetos de IA. A concorrência crescente de modelos chineses mais baratos também é um fator a observar, já que pode pressionar ainda mais o valuation de apostas como a da OpenAI, hoje uma das posições mais relevantes do portfólio do SoftBank.
Agregado por AAR News · fonte: InfoMoney
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