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Setor cripto investe mais de US$ 200 milhões nas eleições de meio de mandato dos EUA

Comitês ligados a Coinbase e Ripple reeditam estratégia de 2024 para eleger aliados no Congresso e destravar regras federais para ativos digitais, segundo a CNBC

Setor cripto investe mais de US$ 200 milhões nas eleições de meio de mandato dos EUA
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A indústria de criptomoedas montou o maior conjunto de super comitês de ação política dedicados a uma única pauta na história dos Estados Unidos, segundo reportagem da CNBC. Organizações ligadas ao setor já direcionaram mais de US$ 200 milhões a campanhas federais no ciclo eleitoral de 2026, superando grupos de apostas online e de data centers em volume de doações corporativas, de acordo com levantamento da entidade de fiscalização Public Citizen.

A movimentação repete a fórmula usada em 2024, quando super PACs do setor gastaram US$ 250 milhões para eleger parlamentares favoráveis a criptoativos e redesenhar a composição do Congresso. A aposta agora é que o mesmo padrão de financiamento produza resultados semelhantes nas eleições de meio de mandato.

Fairshake mira dezenas de cadeiras na Câmara

O Fairshake, maior comitê do setor, e suas organizações afiliadas estão apoiando 33 candidatos à Câmara dos Representantes — 19 republicanos e 14 democratas — considerados aliados estratégicos das prioridades da indústria cripto, segundo a CNBC.

A rede prioriza seis parlamentares já no cargo, com aporte mínimo de US$ 1 milhão para cada um. Entre os republicanos estão Bryan Steil, de Wisconsin, que preside uma subcomissão de ativos digitais na Câmara, além de French Hill, do Arkansas, e Bill Huizenga, de Michigan, respectivamente presidente e vice-presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara. Do lado democrata, o mesmo patamar de doação beneficia parlamentares de Oregon, Califórnia e Nevada apontados pela reportagem como relevantes para a agenda do setor.

Coinbase segue como maior financiador

A corretora Coinbase Global voltou a se consolidar como um dos maiores doadores corporativos da política americana. No ciclo de 2024, a empresa contribuiu com US$ 79 milhões para campanhas federais, segundo dados da OpenSecrets — valor que incluiu doação pessoal de US$ 1 milhão do CEO Brian Armstrong ao Fairshake em 2023.

Para o ciclo de 2026, a Coinbase já destinou US$ 25 milhões ao Fairshake, conforme informado pelo próprio comitê à CNBC. Ryan VanGrack, vice-presidente da Coinbase e ex-assessor sênior da SEC, afirmou à emissora que o objetivo da indústria é modernizar o sistema financeiro americano. Segundo ele, criar formas mais baratas e rápidas de movimentar dinheiro é uma pauta que não deveria dividir democratas e republicanos, especialmente em um momento em que o custo de vida é prioridade para o eleitorado.

O setor enfrentou resistência no Congresso atual ao tentar emplacar uma legislação abrangente sobre ativos digitais. Em setembro, o Clarity Act — conjunto bipartidário de regras de estrutura de mercado para criptoativos — travou no Senado depois que democratas argumentaram que o texto não impedia de forma adequada que autoridades do governo lucrassem com empreendimentos cripto.

Prioridades do eleitorado em mudança

O impasse em torno de regras de ética ocorre em meio a um pessimismo crescente dos americanos quanto à corrupção governamental. Pesquisa do instituto Gallup divulgada em setembro mostrou que 89% dos adultos dos Estados Unidos consideram a corrupção no governo generalizada — recorde da série histórica.

A mudança de prioridades do eleitorado também representa obstáculo para a agenda legislativa do setor cripto. A pesquisa CNBC All-America Economic Survey deste mês mostrou que apenas 20% dos entrevistados avaliam a economia como excelente ou boa, queda em relação aos 27% registrados em julho.

O representante democrata Steven Horsford, de Nevada, um dos parlamentares beneficiados com aporte acima de US$ 1 milhão do Fairshake, disse à CNBC que a crise de poder de compra domina o debate atual. Ele afirmou que o tema cripto ainda aparece nas conversas com eleitores, mas ao lado da incerteza econômica. Horsford, autor de projeto bipartidário apresentado em maio para modernizar as leis tributárias federais sobre ativos digitais, relatou que o assunto surge com frequência em reuniões com pequenos empresários, cada vez mais pressionados por clientes a aceitar pagamentos em bitcoin e outros criptoativos.

Um teste de influência em Ohio

As eleições de novembro vão testar a influência contínua do setor cripto em Washington. A indústria concentra atenção na disputa pelo Senado em Ohio, entre o democrata Sherrod Brown, ex-senador e crítico histórico de criptomoedas, e o republicano Jon Husted, favorável ao setor e atual ocupante da cadeira.

O Fairshake gastou cerca de US$ 40 milhões para derrotar Brown em 2024, período em que ele presidia o Comitê Bancário do Senado e defendia regulação mais rígida para criptoativos, além de travar um projeto de estrutura de mercado já aprovado pela Câmara. Neste ciclo, o comitê informou à CNBC já ter investido US$ 55 milhões contra Brown.

Pesquisa do instituto Marist, realizada entre 15 e 18 de outubro, mostrou Brown com vantagem de quatro pontos percentuais sobre Husted entre eleitores prováveis em todo o estado — margem dentro do erro amostral de 4,5 pontos percentuais. Mason Lynaugh, diretor-executivo do grupo de advocacy Stand With Crypto, lançado pela Coinbase em 2023, disse à CNBC que muitas dessas disputas devem ser decididas por margens estreitas.

Neste ciclo eleitoral, o Stand With Crypto já endossou 45 candidatos, sendo 42 à Câmara dos Representantes e três ao Senado. Segundo Lynaugh, um dos critérios do grupo para apoiar candidaturas é o histórico legislativo dos parlamentares, com o objetivo de mobilizar milhares de apoiadores do setor em distritos específicos para recompensar quem sustenta a agenda cripto.

Retorno sobre o investimento e a janela legislativa

A Ripple, empresa de infraestrutura e ativos digitais, destinou US$ 63,65 milhões em contribuições federais no ciclo eleitoral passado, de acordo com a OpenSecrets, e voltou a investir pesado agora: US$ 25 milhões em 2025, segundo números do próprio Fairshake.

Questionado pela CNBC se o setor obteve um bom retorno sobre esse investimento político, Stu Alderoty, diretor jurídico da Ripple, respondeu que, comparando a situação da indústria há dois anos com a atual, o retorno tem sido positivo. Ele citou como exemplo o GENIUS Act, primeira estrutura federal para stablecoins atreladas ao dólar, sancionada pelo presidente Donald Trump em julho de 2025 — a primeira legislação cripto autônoma da história dos Estados Unidos.

Alderoty também mencionou avanços regulatórios vindos da Securities and Exchange Commission (SEC), da Commodity Futures and Trading Commission (CFTC) e do Office of the Comptroller of the Currency (OCC), destacando que a Ripple recebeu, nesta semana, aprovação final do OCC para constituir o Ripple National Trust Bank, um banco fiduciário nacional sob supervisão federal.

Apesar desses avanços regulatórios, as novas diretrizes dessas agências não substituem uma legislação aprovada pelo Congresso — e a janela para isso pode estar se fechando. O ex-governador de Nova York Andrew Cuomo, hoje membro do conselho da corretora cripto OKX, disse à CNBC que a aprovação de novas leis se torna improvável caso o controle do Congresso mude de mãos em janeiro. Segundo ele, um Congresso democrata supervisionando reguladores indicados pelo governo Trump criaria um cenário de atrito entre Legislativo e Executivo, pouco propício a avanços legislativos.

Horsford reforçou à CNBC que o tempo é um fator crítico e que todas as partes interessadas precisam permanecer engajadas para justificar a necessidade de uma nova legislação. Caso o Clarity Act não avance até o fim do ano, o Congresso terá que recomeçar do zero a elaboração de um novo projeto de estrutura de mercado para ativos digitais — e os super PACs do setor apostam que seus gastos ainda terão poder de influenciar quais parlamentares conduzirão essa próxima rodada de negociações.

VanGrack, da Coinbase, disse à CNBC que, independentemente de quem for eleito, a tendência é de mais clareza regulatória para o setor cripto ao longo do tempo. Para ele, ainda é incerto se a indústria conseguirá aprovar toda a legislação que almeja, mas não há dúvida de que o processo de avanço regulatório vai continuar.

O que isso significa para o investidor

O volume recorde de recursos políticos mobilizado pelo setor cripto nos Estados Unidos reforça um ponto que investidores brasileiros expostos a bitcoin e outros ativos digitais já acompanham de perto: o ambiente regulatório americano segue sendo o principal catalisador — ou obstáculo — para o apreçamento desses ativos no curto e médio prazo. Às 12h21 (horário de Brasília) de 31 de outubro de 2026, o bitcoin era cotado a US$ 77.354,44, com alta de 0,23% no dia, segundo o scanner da TradingView — patamar que reflete, em parte, a expectativa do mercado sobre o rumo da regulação federal.

A disputa pelo Senado em Ohio funciona como termômetro relevante: uma eventual vitória de Sherrod Brown, crítico histórico do setor, sinalizaria resistência política remanescente mesmo após anos de investimento bilionário em campanhas, enquanto uma vitória de Jon Husted reforçaria a narrativa de consolidação do apoio bipartidário observado em legislações como o GENIUS Act.

Para quem acompanha o setor como investidor, o alerta de Andrew Cuomo sobre uma possível paralisia legislativa em caso de mudança no controle do Congresso merece atenção redobrada. Caso o Clarity Act não avance ainda neste ano, a incerteza regulatória pode se prolongar por mais um ciclo completo de negociações, o que tende a manter a volatilidade elevada em ativos digitais sensíveis a notícias regulatórias nos Estados Unidos — cenário que vale monitorar junto a desdobramentos eleitorais e a declarações de reguladores como SEC, CFTC e OCC nos próximos meses.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos