O senador Richard Blumenthal, democrata mais graduado da Subcomissão Permanente de Investigações do Senado dos Estados Unidos, abriu mais uma frente de apuração envolvendo a Tether. Desta vez, o alvo são pagamentos que a emissora de stablecoins teria feito a uma empresa de consultoria ligada a Bo Hines, ex-assessor de criptoativos da Casa Branca que hoje ocupa a presidência do braço americano da Tether.
Segundo relato do CoinDesk, Blumenthal enviou cartas na quinta-feira tanto à Tether quanto à Nxum Group, firma de consultoria cofundada por Hines junto com o pai e outro sócio. Hines assumiu o cargo de principal executivo da Tether nos Estados Unidos após deixar a função na Casa Branca.
O teor da cobrança ao CEO da Tether
Na carta dirigida a Paolo Ardoino, CEO da Tether, Blumenthal classificou como alarmantes os termos da relação comercial entre a empresa, a Nxum e Hines. Segundo o senador, as condições incomuns do acordo sugerem que a Tether tinha ciência da irregularidade de remunerar um funcionário então em exercício na Casa Branca, com papel direto na formulação de legislação cripto relevante para os negócios da própria empresa.
O gatilho da nova investigação foi uma reportagem do Wall Street Journal publicada na semana anterior, segundo a qual a Nxum recebeu valores elevados por trabalhos de consultoria prestados à Tether justamente no período em que Hines ainda assessorava o presidente Donald Trump e seu governo em temas de política cripto — incluindo questões sobre emissores de stablecoins relevantes para o negócio da própria Tether. Blumenthal pediu detalhes completos sobre esses arranjos comerciais.
A resposta da Tether
Em nota, a Tether afirmou estar ciente das alegações veiculadas pelo Wall Street Journal que fundamentam a carta de Blumenthal. A empresa disse que um escritório de advocacia externo já havia conduzido uma investigação interna aprofundada sobre o tema e que essa apuração não encontrou evidências de irregularidades.
Histórico de reportagens sobre a firma de Hines
O próprio CoinDesk já havia noticiado anteriormente que a empresa de Hines — sem histórico relevante de atuação política — passou a faturar milhões de dólares como principal fornecedora de publicidade de campanha para um comitê de ação política (PAC) associado à Tether.
A reportagem também destaca que a Nxum contratou recentemente outro ex-assessor de criptoativos da Casa Branca, Harry Jung. O cargo que Hines ocupava no governo, responsável por orientar Trump em temas de criptomoedas, está vago desde a saída de Patrick Witt, que havia sucedido Hines na função de diretor-executivo daquele gabinete.
Um padrão de escrutínio sobre cripto
Blumenthal tem dedicado atenção crescente ao setor cripto como um todo. Sua lista de investigações inclui a memecoin de Trump, apoiadores do mundo cripto ligados a projetos do presidente, a empresa cripto da família Trump, World Liberty Financial, atividades da Binance e, de forma mais intensa, a própria Tether. O senador já havia divulgado um relatório sobre conexões financeiras da empresa com o Irã e, mais recentemente, cobrou explicações sobre a relação da Tether com sua parceira financeira nos Estados Unidos, a Cantor Fitzgerald.
Ardoino criticou publicamente a atuação do senador nesta semana, afirmando que Blumenthal teria ignorado informações relevantes e compartilhado seu relatório com a imprensa antes de dar à empresa a chance de avaliar ou responder ao conteúdo.
O fator eleitoral por trás da pressão
O Partido Democrata está atualmente na minoria no Senado durante o mandato de Trump, mas as chances de uma virada nas eleições têm aumentado nas últimas semanas. Caso Blumenthal retorne à presidência da subcomissão de investigações, ele passaria a ter poderes bem mais amplos para emitir intimações e controlar a agenda de apuração — e já deixou claro que o setor cripto estaria entre as prioridades. O mercado de previsões Kalshi atribuía, no momento da reportagem, 69% de probabilidade de vitória democrata nessa disputa pelo controle do Senado.
O que isso significa para o investidor
Para quem acompanha o ecossistema de stablecoins, o episódio reforça um ponto estrutural: a Tether segue sob o radar regulatório mais intenso do Congresso americano, com múltiplas frentes abertas simultaneamente — Irã, Cantor Fitzgerald e agora os pagamentos à Nxum. Essa acumulação de investigações, mesmo sem conclusão de irregularidade comprovada até aqui, tende a manter a empresa sob pressão de transparência e pode influenciar a forma como reguladores tratam emissores de stablecoins de forma mais ampla.
Vale observar que a Tether nega qualquer irregularidade e cita uma investigação interna independente que não encontrou evidências de má conduta — um contraponto relevante que o mercado deve monitorar junto com os próximos desdobramentos das cartas enviadas por Blumenthal.
O calendário eleitoral também é uma variável a acompanhar. Uma eventual virada democrata no Senado, cenário que o mercado de previsão Kalshi via com probabilidade majoritária, ampliaria significativamente o poder de fiscalização de Blumenthal sobre o setor cripto, o que pode se traduzir em maior volatilidade regulatória para emissores de stablecoins e empresas ligadas a projetos cripto da órbita de Trump nos próximos trimestres.
Investidores expostos a ativos ligados à Tether, a projetos cripto associados ao governo Trump ou a empresas do ecossistema de stablecoins devem acompanhar de perto os próximos passos da subcomissão, as respostas formais de Tether e Nxum às cartas enviadas, e o resultado das eleições para o controle do Senado — fatores que, combinados, podem redefinir o ambiente regulatório do setor nos Estados Unidos.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
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