Geopolítica · Guerra na Ucrânia

Relação entre EUA e Ucrânia se deteriora em meio a ataques, sanções e desconfiança

Divergências sobre ataques a refinarias russas, cortes de inteligência e caminho para a paz aprofundam o atrito entre Trump e Zelensky

Relação entre EUA e Ucrânia se deteriora em meio a ataques, sanções e desconfiança
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A relação entre Ucrânia e Estados Unidos atravessa um momento de tensão crescente, segundo reportagem da CNN. Os atritos envolvem o compartilhamento de inteligência militar, as sanções aplicadas à Rússia, os ataques ucranianos à infraestrutura energética russa e as divergências sobre o caminho para um acordo de paz.

A reportagem aponta também para uma desconfiança mútua cada vez mais evidente entre o presidente americano, Donald Trump, e o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, em um momento considerado o mais delicado desde o episódio tenso ocorrido na Casa Branca há 18 meses.

Ataques a refinarias e pressão sobre preços nos EUA

No fim de semana, Kiev lançou um dos maiores ataques com drones deste ano contra a Rússia, atingindo um terminal petroleiro estratégico, mesmo após Trump ter pedido que a Ucrânia interrompesse os ataques a instalações de refino russas.

Segundo a CNN, a Casa Branca busca aliviar a pressão sobre os preços de petróleo e diesel nos Estados Unidos às vésperas das eleições de meio de mandato, já que os preços do diesel no país estão em patamar recorde.

Na semana anterior, Trump classificou os ataques ucranianos às refinarias russas como uma “desgraça” e afirmou que Zelensky é mais difícil de lidar do que o líder russo, Vladimir Putin.

Em entrevista no domingo, Zelensky respondeu às críticas, afirmando ser “melhor ter parceiros muito abertos e claros do que ter aqueles que são assassinos, mesmo com um sorriso no rosto” — uma referência, segundo a CNN, à relação de Trump com a Rússia.

Trump voltou a criticar Zelensky no mesmo dia, em publicação na rede Truth Social, afirmando que o líder ucraniano “não quer encerrar esta guerra, e provavelmente nunca quis”.

Zelensky reafirma abertura à negociação

Apesar do tom das trocas públicas, Zelensky tem reiterado estar aberto a negociações de paz, desde que a segurança da Ucrânia seja garantida. O presidente ucraniano disse ter conversado no domingo com o enviado americano Steve Witkoff e com Jared Kushner, genro de Trump, como parte de uma “comunicação constante” em busca da paz.

“Estamos fazendo tudo de nossa parte para que isso aconteça, e para garantir que a posição da América seja forte e ajude a aproximar a paz”, escreveu Zelensky no X.

Já na segunda-feira, o líder ucraniano afirmou: “A Ucrânia nunca quis esta guerra, e acolhemos literalmente TODAS as tentativas de nossos parceiros de levar esta guerra a um fim digno.”

Sanções, isenções e temor de concessões a Moscou

Trump defendeu concessões recentes relacionadas a sanções contra a Rússia, incluindo uma isenção que permite exportações de diesel russo e outra que dispensa a Rússia de sanções econômicas amplas determinadas pelo Congresso americano.

“Estou em processo de negociar a Paz na guerra entre Rússia e Ucrânia, e não quero fazer nada que afaste, tolamente, a Rússia da mesa de negociações”, escreveu Trump em sua publicação de domingo.

Em entrevista ao programa “Meet the Press”, da NBC, Zelensky afirmou que as isenções fortaleciam a guerra de Putin contra a Ucrânia justamente em um momento em que Moscou enfrentava dificuldades no campo de batalha.

A reportagem destaca que cresce, em Kiev e na Europa, a preocupação de que o governo Trump faça novas concessões a Moscou na tentativa de levar Putin a aceitar um acordo de paz.

Ao mesmo programa, Zelensky disse que um eventual alinhamento dos EUA com a Rússia seria um “erro histórico”. Ele afirmou querer confiar em Trump e esperar que o presidente americano mude sua postura em relação a Putin. Questionado se via Trump como um aliado da Ucrânia, Zelensky respondeu: “Espero que sim.”

Temor de reunião entre EUA e China sem a Ucrânia

Kiev também demonstrou preocupação com relatos de uma possível reunião trilateral entre Estados Unidos e China no mês que vem para discutir o fim do conflito, sem a participação da Ucrânia.

Smoke rises above the city following an air attack on the oil terminal in Saint Petersburg, Russia, on October 18, 2026
Smoke rises above the city following an air attack on the oil terminal in Saint Petersburg, Russia, on October 18, 2026 · Foto: CNN

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, durante visita ao Uzbequistão nesta segunda-feira, disse: “Acho que houve conversas sobre uma reunião. Não sei se algo foi finalizado.”

O chanceler ucraniano, Andriy Sybiha, afirmou que um encontro desse tipo não ajudaria a paz, mas faria “exatamente o oposto: encorajaria Putin a continuar esta guerra”. Em publicação no X, Sybiha escreveu: “Convidar Putin para tal reunião alimentaria seu apetite por autopromoção e lhe daria um status que ele não merece.”

O Kremlin, por sua vez, declarou nesta segunda-feira que “nenhuma proposta ou acordo concreto — nem sobre a própria reunião, nem sobre sua potencial pauta e conteúdo — foi discutido ou apresentado por ninguém”.

Novos ataques e acusações sobre trégua energética

Desafiando as exigências de Trump, a Ucrânia mantém ataques de longo alcance contra território russo. Um dos alvos do fim de semana foi o Terminal Petroleiro de São Petersburgo, que tem capacidade para movimentar até 12,5 milhões de toneladas por ano. A empresa ucraniana Fire Point, fabricante dos drones usados no ataque, relatou um incêndio no local após o ataque.

Segundo a distribuidora russa Ozon, um centro logístico em São Petersburgo também foi atingido, assim como um data center da plataforma de mídia social russa VKontakte. Autoridades locais informaram que uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas nos ataques, com danos também a casas residenciais.

Há uma semana, Trump havia afirmado que Rússia e Ucrânia tinham concordado em interromper ataques mútuos a infraestrutura energética. Nem Kiev nem Moscou confirmaram formalmente tal acordo. A Ucrânia chegou a suspender brevemente esse tipo de ataque, mas a Rússia nunca deixou de atacar usinas de energia e cidades ucranianas.

“Desde que o presidente americano anunciou o cessar-fogo energético, há uma semana, a Rússia atacou deliberadamente os setores de energia, petróleo e gás da Ucrânia 76 vezes”, escreveu Zelensky no X no domingo.

Cortes de inteligência e acusações cruzadas

Acusações também circularam em torno de cortes no compartilhamento de inteligência via satélite fornecida pelos Estados Unidos às forças ucranianas. Zelensky reiterou no domingo que mudanças no sistema Starlink, de propriedade do bilionário Elon Musk, estariam limitando a velocidade de drones ucranianos de curto alcance e de uso no campo de batalha, descrevendo isso como uma “mensagem do governo americano”.

O governo Trump negou ter ordenado qualquer restrição ao serviço. Da mesma forma, rebateu acusações de Kiev de que informações sobre mísseis balísticos em rota não estariam sendo compartilhadas.

Zelensky afirmou na segunda-feira que a Ucrânia não recebeu nenhum alerta prévio de ataques com mísseis balísticos na noite de domingo — algo que, segundo ele, já ocorreu diversas vezes na última semana. “Outro ataque russo com mísseis balísticos ocorreu em várias ondas durante a noite e, mais uma vez, não houve alerta antecipado de nossos parceiros”, escreveu.

A reportagem destaca que as redes de satélites americanas são fundamentais para fornecer às forças ucranianas alertas sobre mísseis em aproximação, já que os ataques balísticos russos costumam mirar infraestrutura civil essencial.

Rubio rebateu as declarações de Zelensky nesta segunda-feira: “Não sei de onde ele está tirando essas coisas ou por que está dizendo isso à imprensa. Vocês deveriam perguntar a ele. Não houve pausa alguma.”

“O que ele deveria focar, e o que nós queremos que seja o foco, é pôr fim a esta guerra. É nisso que ele deveria estar concentrado”, disse Rubio sobre Zelensky.

A reportagem da CNN conclui destacando que Kiev e Washington enxergam caminhos muito diferentes para alcançar esse objetivo comum — o fim do conflito.

O que isso significa para o investidor

Para quem acompanha mercados globais, o episódio reforça um fator de risco já conhecido: a guerra na Ucrânia segue sendo fonte de volatilidade para o mercado de energia, especialmente diante da pressão sobre preços de diesel nos Estados Unidos mencionada na reportagem. Ataques a terminais e refinarias — tanto por parte da Ucrânia quanto da Rússia — tendem a gerar oscilações pontuais em cotações de petróleo e derivados, e o fato de a Casa Branca estar, segundo a CNN, tentando conter essa pressão às vésperas de eleições de meio de mandato é um sinal de que o tema tem peso político direto nos Estados Unidos.

O desgaste na relação entre Washington e Kiev, somado à possibilidade de uma reunião entre EUA e China sobre o conflito sem a presença ucraniana, adiciona incerteza ao cenário geopolítico que historicamente afeta o apetite por risco em mercados emergentes e commodities. Investidores que monitoram ativos ligados a energia, defesa e câmbio devem acompanhar de perto qualquer sinalização de mudança na política americana de sanções contra a Rússia, já que isenções como as citadas na reportagem — sobre exportação de diesel russo e isenção de penalidades do Congresso — têm potencial de alterar fluxos comerciais no setor energético global.

Por ora, a reportagem não traz dados de mercado específicos associados a essas tensões, mas o quadro descrito — ataques recíprocos a infraestrutura energética, cortes de inteligência e divergências sobre o processo de paz — sugere que o conflito está longe de uma resolução rápida. Para o investidor brasileiro, isso reforça a importância de observar o mercado internacional de petróleo e diesel como termômetro de riscos geopolíticos que podem repercutir em preços de combustíveis e na inflação global.

Agregado por AAR News · fonte: CNN

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos