O governo britânico vai exigir que famílias tenham renda inferior a £110.000 para acessar o novo programa de crédito destinado a quem compra o primeiro imóvel, com um limite mais alto, de £140.000, para aquisições em Londres. A informação foi publicada pela BBC, que cita apuração anterior do jornal The Times.
Segundo a reportagem, os tetos de renda devem ser confirmados formalmente no Orçamento da próxima semana. O programa, batizado de Your First Home, oferecerá empréstimos com garantia do governo equivalentes a 20% do valor de imóveis novos na Inglaterra, adquiridos junto a construtoras participantes.
Os empréstimos terão um período inicial sem incidência de juros e foram desenhados para permitir a compra de imóveis com entrada de apenas 2,5% do valor total, segundo a BBC.
Mudança em relação a esquemas anteriores
A BBC observa que programas anteriores de apoio a compradores de primeira viagem não impunham limite de renda para elegibilidade, o que gerou críticas por permitir que famílias relativamente mais ricas tomassem empréstimos maiores, pressionando os preços dos imóveis.
Ao apresentar o Your First Home na conferência do Partido Trabalhista no mês passado, o primeiro-ministro Andy Burnham afirmou que o programa seria direcionado a quem "realmente precisa de apoio", segundo a reportagem.
Ainda conforme o Times, citado pela BBC, os ministros haviam decidido inicialmente fixar os limites em £90.000 fora de Londres e £110.000 na capital, mas recuaram da proposta ao concluir que isso excluiria muitos casais de renda intermediária, como professores e enfermeiros.
Governo aposta em impulso à construção
O governo também argumenta que o esquema ajudará a impulsionar a construção de novas moradias, depois que ministros admitiram que devem descumprir a meta de construir 1,5 milhão de casas na Inglaterra até a próxima eleição, de acordo com a BBC.
O Partido Trabalhista afirmou que o programa será financiado dentro dos orçamentos já existentes do governo, mas ainda não detalhou quais áreas terão gastos reduzidos para viabilizar a medida.
Construtoras que participarem do esquema também serão chamadas a contribuir com os custos de operação do programa, segundo a reportagem.
A Home Builders Federation, entidade que representa as construtoras, recebeu bem o anúncio e pediu que o governo acelere a implementação do esquema, de acordo com a BBC.
Já o Partido Conservador classificou a proposta como uma "admissão colossal de fracasso" do histórico trabalhista em construção habitacional, e manifestou preocupação de que a nova taxa cobrada das construtoras possa elevar o preço dos imóveis novos.
Semelhanças com o Help to Buy
A BBC lembra que, assim como o Help to Buy, lançado sob o governo de coalizão entre conservadores e liberais-democratas, o novo esquema usará empréstimos de equity, vinculados à variação do valor dos imóveis financiados.
Aquele programa, que funcionou inicialmente entre 2013 e 2021, permitia a qualquer comprador dar entrada de 5% em um imóvel novo de até £600.000, com até 20% do custo coberto por um empréstimo de equity compartilhado, isento de juros nos primeiros cinco anos.
Uma segunda versão do Help to Buy, em vigor entre 2021 e 2023, restringiu o acesso a compradores de primeira viagem e passou a aplicar tetos de preço por região aos imóveis elegíveis, segundo a reportagem da BBC.
O que isso significa para o investidor
Para quem acompanha o setor imobiliário e de construção civil britânico, a confirmação dos tetos de renda no Orçamento da próxima semana é o próximo marco a monitorar, já que ela definirá o alcance real do programa e o volume potencial de demanda represada por imóveis novos elegíveis.
O desenho do esquema, com garantia estatal e exigência de contrapartida das construtoras, cria um incentivo direto para empresas do setor habitacional, mas a cobrança adicional sobre as incorporadoras — citada como preocupação pelos conservadores — é um ponto de atenção para quem avalia margens de construtoras expostas ao mercado britânico de baixa e média renda.
Como o financiamento do programa ainda não tem fonte orçamentária detalhada, o investidor deve observar os próximos anúncios fiscais do governo britânico para entender quais cortes de gastos podem acompanhar a medida, o que tem potencial de afetar outras áreas de política econômica e, indiretamente, o apetite de risco sobre ativos ligados ao Reino Unido.
Agregado por AAR News · fonte: BBC
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