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Prefixados do Tesouro recuam após disparada recorde, mas IPCA+ longos voltam a subir

Plataforma abriu às 12h desta terça com taxas prefixadas em queda, enquanto parte dos títulos de inflação longos retoma alta; Tesouro cancela leilão e amplia recompras

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O Tesouro Direto abriu as negociações apenas às 12h desta terça-feira (27), em meio a um dia de forte instabilidade nos mercados, com as taxas dos papéis prefixados cedendo após o salto histórico do pregão anterior.

O movimento marca uma correção parcial diante da maior valorização diária já registrada pelos prefixados, ocorrida na segunda-feira (26), logo após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mesmo com o recuo desta terça, os patamares seguem bem acima dos vistos na sexta-feira (23), quando o Prefixado 2032 remunerava 12,89% ao ano e o Prefixado 2029 pagava 12,76%.

Prefixados devolvem parte do salto

O rendimento do Tesouro Prefixado 2032 encerrou a segunda-feira em 15,50% ao ano e abriu nesta terça a 15,01%, perda de 49 pontos-base na comparação com o fechamento anterior. O Tesouro Prefixado 2029 teve baixa semelhante, saindo de 15,26% para 14,79%, variação negativa de 47 pontos-base. Já o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 passou de 15,19% para 14,81%, recuo de 38 pontos-base.

Papéis atrelados à inflação têm movimento oposto

Entre os títulos indexados ao IPCA, o comportamento foi diferente: boa parte dos vencimentos mais longos retomou a trajetória de alta nesta terça, depois de ter perdido parte do ganho no fechamento de segunda. O Tesouro IPCA+ 2040 liderou as altas, com avanço de 12 pontos-base, saindo de IPCA + 7,29% para IPCA + 7,41%. Logo atrás veio o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060, cuja taxa passou de IPCA + 7,11% para IPCA + 7,21%.

Também tiveram ganho de 5 pontos-base dois outros papéis: o Tesouro IPCA+ 2050, que passou a remunerar IPCA + 7,08%, e o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037, agora em IPCA + 7,66%.

Na direção contrária, o Tesouro IPCA+ 2032, de vencimento mais curto entre os indexados à inflação, recuou 16 pontos-base, de IPCA + 7,80% para IPCA + 7,64%. O Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 teve queda mais modesta, de 3 pontos-base, encerrando a abertura em IPCA + 7,27%.

Tesouro cancela leilão e amplia recompras de títulos

A abertura dos negócios ocorreu em mais um dia de atuação direta do Tesouro Nacional sobre o mercado de dívida pública. Às 9h22, o órgão cancelou o leilão de LFT, papéis atrelados à Selic, que estava previsto para esta terça-feira — era a única oferta de venda que ainda restava na semana, já que as ofertas de NTN-B e de prefixados haviam sido suspensas na véspera.

Na mesma manhã, o Tesouro comunicou uma nova rodada de recompra de NTN-B, os títulos ligados à inflação, abrangendo vencimentos em 2030, 2035, 2040 e 2045. Trata-se da terceira operação do tipo realizada desde o resultado da eleição.

Na segunda-feira, o órgão já havia recomprado 8,4 milhões de NTN-F, os papéis prefixados, em uma operação da ordem de R$ 7,1 bilhões. No período da tarde, adquiriu de volta cerca de 1,76 milhão de NTN-B, em volume que superou R$ 7 bilhões.

Dólar recua e Fazenda fala em sinalização ao mercado

O dólar também perdia força na manhã desta terça, chegando a cair 1,52%, para R$ 5,32, após ter fechado a segunda-feira com alta de 8,25%. Em pronunciamento na mesma manhã, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ter reforçado a Lula a necessidade de enviar um sinal ao mercado e disse que o governo já dispõe de medidas fiscais prontas para serem anunciadas.

Entre as demais taxas divulgadas na abertura, o Tesouro Selic 2031 seguiu remunerando SELIC + 0,10% e o Tesouro Reserva 2036 pagava a própria taxa Selic, sem alteração na metodologia de indexação desses papéis pós-fixados.

O que isso significa para o investidor

O vaivém das taxas prefixadas e dos títulos indexados à inflação escancara a dificuldade do mercado em precificar o cenário fiscal e político no curto prazo. Para quem já tem posição em Tesouro Direto, a lição prática é que marcação a mercado nesses papéis pode seguir oscilando de forma abrupta — como mostrou a sequência de recorde na segunda e correção parcial nesta terça —, o que reforça a importância de observar o prazo de resgate planejado antes de reagir a movimentos de curtíssimo prazo.

A atuação simultânea do Tesouro Nacional, com cancelamento de leilões e sucessivas recompras de NTN-F e NTN-B, sinaliza preocupação do governo em conter a volatilidade e sustentar a demanda por dívida pública num momento de nervosismo. Esse tipo de intervenção tende a ser acompanhado de perto por quem monta ou reequilibra carteiras de renda fixa, já que pode amortecer, mas não elimina, o risco de novas oscilações bruscas nas taxas.

O comportamento do câmbio ajuda a situar o momento: segundo dados do TradingView, o dólar era cotado a R$ 5,3406 às 12h25 (horário de Brasília) desta terça-feira, queda de 0,67% no dia — movimento que acompanha o alívio observado também nos juros prefixados após o salto da véspera. Vale lembrar que, segundo cobertura anterior da AAR News, o pregão seguinte ao primeiro turno já havia trazido a maior alta diária do Ibovespa em seis anos, puxada por fluxo estrangeiro recorde e queda dos juros longos, segundo avaliações de Goldman Sachs e UBS — um pano de fundo que ajuda a explicar por que o mercado reage com tanta intensidade a cada novo sinal político.

Por fim, o investidor que acompanha renda fixa global não deve perder de vista o cenário externo: a mesma semana trouxe o retorno do juro de 10 anos dos Treasuries a patamares acima de 5%, em meio a temores sobre endividamento de empresas de tecnologia e alta do petróleo, segundo reportagem da CNBC. Esse componente externo tende a se somar à volatilidade local, tornando ainda mais relevante monitorar tanto as próximas decisões do Tesouro Nacional quanto o desenrolar da política fiscal no front doméstico.

Agregado por AAR News · fonte: InfoMoney

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos