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Preço da gasolina nos EUA corrói confiança do consumidor antes das eleições

Pesquisa da Universidade de Michigan mostra sentimento próximo de mínimas históricas, com diesel quase 75% mais caro e petróleo Brent em alta

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Um galão de gasolina comum custa hoje 40% mais do que há um ano nos Estados Unidos, enquanto o diesel acumula alta de quase 75% no mesmo período. Esse cenário de combustíveis caros, somado a anos de inflação persistente, tem pressionado a confiança dos consumidores americanos a níveis historicamente baixos, segundo dados divulgados nesta sexta-feira.

O índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan referente a outubro ficou na segunda posição mais baixa da série histórica, iniciada em 1978. A mínima recorde, de 44,8 pontos, havia sido registrada em maio, mês em que a média nacional do galão de gasolina atingiu US$ 4,56 — maior valor em quatro anos — em meio a choques de oferta de petróleo associados à guerra com o Irã.

Combustíveis seguem pressionando o bolso

Cinco meses depois daquele pico, a situação nos postos de gasolina não melhorou de forma consistente. A média nacional do galão de gasolina comum está em US$ 4,29, valor 40% superior ao de outubro do ano passado. Problemas em refinarias provocaram altas expressivas em estados da região dos Grandes Lagos: em Michigan, o galão chegou a US$ 4,77, alta de 33 centavos só desde quarta-feira; em Ohio, o preço foi a US$ 4,37, salto de 39 centavos em dois dias.

O diesel, por sua vez, é vendido a US$ 6,32 o galão, patamar quase 75% acima do registrado no ano anterior. No mercado internacional, o petróleo Brent fechou a sexta-feira cotado a US$ 116,72 o barril, maior nível em seis meses.

Gregory Brew, analista sênior da consultoria Eurasia Group, afirmou haver um consenso amplo de que uma escalada no conflito está por vir e pode reduzir o fluxo de petróleo que sai do Oriente Médio. Segundo ele, atualmente há volume considerável de petróleo chegando ao mercado, mas a preços elevados, e a confiança de que essa oferta seja sustentável é muito baixa.

Confiança do consumidor cai em todo o espectro político

O levantamento de outubro mostra que a confiança do consumidor está 10% abaixo do nível observado um ano atrás e 15% inferior ao patamar de fevereiro, mês anterior ao início da guerra. Joanne Hsu, economista da Universidade de Michigan e diretora das pesquisas de consumidores da instituição, atribui a frustração à combinação entre poder de compra reduzido e preços em trajetória de alta.

Segundo Hsu, 56% dos entrevistados em outubro mencionaram espontaneamente que os preços mais altos estão afetando negativamente suas finanças pessoais — proporção que vem crescendo há quatro meses consecutivos. Em suas palavras, esse aumento é observado em todo o espectro político, com os eleitores republicanos registrando a maior alta proporcional. Ela destacou ainda que consumidores sem posições em ações, ou com participações muito pequenas no mercado acionário, também relatam preocupação crescente com o impacto dos preços altos em suas finanças ao longo do ano.

Já os consumidores com as maiores carteiras de ações relataram pouca mudança na percepção do peso dos preços altos desde fevereiro, segundo a economista.

Juros mais altos e expectativas de inflação

A recente alta nas taxas de juros também começou a pesar sobre o sentimento dos consumidores, de acordo com Hsu. As condições para compra de imóveis pioraram de forma acentuada, com 85% dos entrevistados afirmando que este é um mau momento para comprar uma casa.

A pesquisa também indicou que os consumidores esperam que a inflação permaneça elevada nos próximos meses e anos. A expectativa de inflação para os próximos 12 meses subiu para 4,7%, ante 4,6% no levantamento anterior, distanciando-se ainda mais do patamar de 3,4% observado em fevereiro, antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. As expectativas de inflação de longo prazo também avançaram, para 3,5%, ante 3,4%.

Essas expectativas sobre o ritmo futuro de reajustes de preços são acompanhadas de perto pelo Federal Reserve. A lógica é que, se as pessoas acreditam que os preços só vão continuar subindo, tendem a antecipar consumo e pressionar por salários maiores, enquanto as empresas repassam esses custos — alimentando a própria inflação. O comitê de política monetária do Fed se reúne na próxima semana, com decisão prevista para quarta-feira, às 14h (horário de Brasília do leste americano), na última movimentação sobre custos de empréstimos antes das eleições de meio de mandato.

O que isso significa para o investidor

O quadro descrito pela Universidade de Michigan reforça um ambiente de inflação pressionada por energia nos Estados Unidos, o que tende a manter o Federal Reserve cauteloso em relação a cortes de juros no curto prazo. Para investidores expostos a ativos americanos, a combinação de petróleo mais caro, expectativas de inflação em alta e juros elevados é um sinal de que a volatilidade em renda fixa e câmbio pode persistir até, pelo menos, a decisão do Fed na próxima semana.

A disparidade entre o impacto sentido por famílias com e sem posições em ações, mencionada por Joanne Hsu, também merece atenção: ela sugere que o aperto no consumo das famílias de menor renda pode não se refletir de imediato em indicadores de mercado dominados por quem detém patrimônio financeiro, criando um descompasso entre sentimento popular e desempenho de ativos.

Para o investidor brasileiro, o episódio reforça a importância de monitorar o preço do petróleo Brent e as falas do Fed como termômetros de risco global. Uma escalada geopolítica que reduza ainda mais a oferta de petróleo, como mencionado pelo analista da Eurasia Group, tende a pressionar moedas emergentes e ativos de risco, inclusive no Brasil, tornando a leitura da reunião do Fed na próxima quarta-feira um ponto de atenção relevante para o curto prazo.

Agregado por AAR News · fonte: CNN

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