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Plataformas indianas liberam acesso a ações dos EUA e atraem investidor local

Groww, Zerodha e Angel One abrem caminho para Nvidia, SpaceX e Apple em meio à fraqueza da bolsa indiana e à desvalorização da rupia

Plataformas indianas liberam acesso a ações dos EUA e atraem investidor local
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As principais corretoras digitais da Índia começaram a oferecer a investidores de varejo acesso direto a ações negociadas nos Estados Unidos, um movimento que amplia a diversificação internacional justamente no momento em que o mercado acionário local enfrenta um dos piores desempenhos relativos dos últimos anos, segundo reportagem da CNBC.

Até recentemente, esse tipo de exposição era restrito a investidores mais abastados, que recorriam a bancos globais e gestoras de patrimônio para operar fora do país. Agora, plataformas de massa estão derrubando essa barreira.

Groww lidera a abertura do mercado americano

A Groww, que segundo a CNBC responde por mais de 29% dos 46 milhões de investidores ativos registrados nas corretoras indianas, lançou neste mês a funcionalidade de negociação de ações dos EUA. Harsh Jain, diretor de operações e cofundador da companhia, afirmou à emissora que a empresa já disponibiliza acesso a mais de 10 mil ações e fundos negociados em bolsa (ETFs) americanos, incluindo a possibilidade de compra de frações de ações.

Entre os papéis mais procurados pelos primeiros usuários estão Nvidia, SpaceX, Apple, Alphabet, Amazon, Micron e Meta, de acordo com Jain.

A Zerodha, segunda maior corretora do país em participação de clientes ativos — com 15% de fatia segundo dados da bolsa NSE —, iniciou testes em fase beta para o mesmo tipo de acesso e informou à CNBC que pretende lançar o serviço em poucas semanas. Já a Angel One, que tem 6,7 milhões de clientes ativos, estaria planejando movimento semelhante, segundo a reportagem.

Nitin Jain, executivo-chefe e diretor da Kotak Mahindra Asset Management em Singapura, descreveu à CNBC um "grande interesse" dos indianos por ações americanas, sobretudo de empresas de tecnologia. Ele comparou o momento ao entusiasmo recente de investidores de varejo indianos por criptomoedas, observando que esse público tende a migrar para o que está em alta.

Desempenho fraco da bolsa local impulsiona a fuga

Somnath Mukherjee, vice-presidente de desenvolvimento corporativo da Zerodha, disse à CNBC que sempre existiu uma demanda latente entre os indianos por investir em companhias globais. Segundo ele, o desempenho abaixo do esperado da bolsa indiana nos últimos anos, somado à ausência de empresas locais de inteligência artificial de peso, tem alimentado o apetite por ativos americanos. A desvalorização da rupia frente ao dólar também leva investidores a manter parte do portfólio em outra moeda, afirmou Mukherjee.

Os números reforçam o diagnóstico: o índice de referência Nifty 50 acumula queda de cerca de 13% desde o início do ano, enquanto o S&P 500 avança mais de 12% no mesmo período, segundo a CNBC. Para efeito de comparação, o scanner da TradingView registrava o S&P 500 em 7.722,60 pontos, alta de 0,60% no dia, às 21h34 (horário de Brasília) de 27 de outubro de 2026.

Investidores estrangeiros também estão deixando o mercado indiano: as saídas em ações diretas somam um recorde de US$ 32,5 bilhões desde janeiro, segundo dados do depositário indiano NSDL, pressionando ainda mais a bolsa local. Especialistas citados pela CNBC apontam que, diante da falta de uma grande empresa de IA e de avaliações relativamente elevadas, capitais internacionais têm preferido mercados como Coreia do Sul e Taiwan em detrimento da Índia.

Remessas para o exterior disparam

Em agosto, residentes indianos enviaram mais de US$ 321 milhões ao exterior para investir em ações e dívida, alta de 111% em relação ao mesmo mês do ano anterior, de acordo com dados do banco central da Índia citados pela reportagem. No ano fiscal encerrado em março de 2026, as remessas de saída para investimentos em ações e dívida somaram US$ 2,6 bilhões.

Tanvi Kanchan, diretora associada e responsável por negócios internacionais e estratégia na Anand Rathi Shares & Stock Brokers, disse à CNBC que, embora essas saídas de varejo representem uma fração pequena das reservas cambiais do país, a preocupação é que elas cresçam justamente quando a rupia está fraca e os mercados americanos parecem fortes — o que, em suas palavras, pode ampliar a pressão no pior momento possível.

Segundo Kanchan, os investimentos já respondem por cerca de 11,7% do total de remessas de saída, ante 5,8% um ano antes, um sinal de que os indianos estão trocando gastos no exterior por investimentos no exterior.

A saída de investidores estrangeiros e o aumento das contas de energia por causa da guerra no Irã já pressionaram a moeda indiana, levando o banco central do país a intervir, segundo a CNBC. Nitin Jain, da Kotak, alertou que, à medida que a participação de investidores de varejo cresce, o regulador indiano pode passar a ter "segundos pensamentos" sobre permitir esse acesso ao mercado americano.

O que isso significa para o investidor

O movimento das corretoras indianas ilustra um padrão que se repete em mercados emergentes sob pressão cambial e de desempenho relativo: quando a bolsa doméstica perde terreno frente a Wall Street, a demanda por diversificação internacional tende a crescer com rapidez, especialmente entre investidores de varejo que acompanham de perto os ativos em alta — como mostram os próprios exemplos de Nvidia, SpaceX e Apple entre os papéis mais procurados.

Para quem acompanha o Brasil, o caso indiano funciona como um paralelo relevante. Assim como a Índia viu fluxo recorde de saída de capital estrangeiro e depreciação cambial, mercados emergentes de forma geral tendem a ficar mais vulneráveis quando o diferencial de desempenho entre bolsas locais e o S&P 500 se amplia — o índice americano segue em patamar elevado, como mostrou a cotação da TradingView citada acima.

O alerta de Kotak sobre uma possível reação regulatória também merece atenção: autoridades de mercados emergentes costumam monitorar de perto o ritmo de saída de capital de varejo, e mudanças nas regras de acesso a investimentos no exterior podem surgir rapidamente caso a pressão cambial se intensifique. Investidores brasileiros com exposição a ativos emergentes ou a fundos que replicam esse tipo de fluxo devem observar se movimentos semelhantes de abertura — ou de restrição — aparecem em outras jurisdições, como sinal de como o apetite por diversificação internacional está se comportando globalmente.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos