Mercados · Energia

Petróleo sobe com novos ataques dos houthis à Arábia Saudita

Ofensiva contra aeroporto saudita reacende temores de ruptura no fornecimento global às vésperas de dados de inflação nos EUA

Ler na fonte → InfoMoney

O petróleo iniciou a semana em alta e o dólar teve leve valorização nas primeiras negociações asiáticas desta segunda-feira (12), com investidores reagindo ao recrudescimento dos ataques dos houthis contra território saudita e temendo um alargamento do conflito no Oriente Médio.

O contrato do Brent, referência internacional, avançou 0,4%, cotado a US$ 105,10 por barril. O dólar teve ganhos modestos frente a um conjunto de moedas relevantes, enquanto o dólar australiano, termômetro do apetite por risco entre investidores, ficou praticamente parado. Os futuros do S&P 500 operavam em terreno positivo após o índice encerrar a sexta-feira anterior com valorização de 0,6% em Nova York. O mercado à vista de Treasuries permaneceu fechado em razão de feriados simultâneos nos Estados Unidos e no Japão.

Novo alvo: o aeroporto saudita

Neste domingo, o principal terminal aéreo da Arábia Saudita voltou a sofrer ataque dos houthis, um dia depois de uma ofensiva anterior ter deixado 12 mortos. A sequência de episódios eleva a possibilidade de um envolvimento mais amplo de outros países, incluindo os Estados Unidos, e de novos entraves ao abastecimento energético e ao comércio internacional.

A escalada acontece em paralelo a uma contraofensiva apoiada pelos sauditas nas proximidades do estreito de Bab el-Mandeb, corredor marítimo estratégico que liga rotas comerciais entre Ásia e Europa.

Semana carregada de catalisadores

O agravamento do quadro geopolítico chega em um momento já sensível para os mercados, com a divulgação de índices de inflação nos Estados Unidos e na zona do euro, além de uma série de pronunciamentos de dirigentes de bancos centrais ao longo dos próximos dias. Qualquer nova interrupção no fluxo de energia tende a alimentar pressões sobre os preços e reforçar apostas em juros mais elevados por mais tempo.

Nick Twidale, estrategista-chefe da AT Global Markets, em Sydney, ponderou em nota a clientes que, em fases de menor volatilidade, eventos geopolíticos tendem a provocar reações desproporcionais nos preços dos ativos. Segundo ele, com a publicação dos dados de inflação americana, as falas de autoridades monetárias e o início de mais uma rodada de divulgação de balanços corporativos nos EUA, os investidores terão uma quantidade considerável de informação para processar nesta semana.

Olhos no CPI americano e no Fed

O mercado está atento ao índice de preços ao consumidor referente a setembro nos Estados Unidos e a uma aparição pública do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, em busca de pistas sobre o ritmo das próximas decisões de juros. Uma leitura de inflação acima do esperado tem potencial para reacender a recente onda de vendas de títulos públicos, ao pressionar o Fed a adotar uma postura ainda mais dura.

Na semana anterior, o rendimento dos Treasuries de 10 anos chegou perto de 5,4%, o patamar mais alto desde 2002, enquanto o Brent se manteve acima de US$ 100 por barril — combinação que tem sustentado o temor de que o custo elevado da energia continue alimentando a inflação.

Bolsas resistem à turbulência

As ações americanas, por outro lado, têm mostrado resiliência diante desse cenário mais tenso. O S&P 500 bateu recorde em um dos pregões da semana passada, perdeu fôlego nos dias seguintes em meio a dúvidas sobre a demanda por inteligência artificial, mas recuperou terreno na sexta-feira, em meio à expectativa positiva para os resultados corporativos que começam a ser divulgados. O índice segue perto de suas máximas históricas.

Investidores também vão monitorar se o encarecimento de insumos, sobretudo energia, começa a corroer as margens das companhias, mesmo em um momento descrito como um dos ciclos de lucro mais fortes dos últimos anos para as empresas americanas. As companhias do S&P 500 somam sete trimestres seguidos de crescimento de lucro em dois dígitos, e analistas projetam expansão de cerca de 25% no terceiro trimestre na comparação anual, segundo levantamento da Bloomberg Intelligence.

Dólar e euro sob pressões distintas

Em outras frentes do mercado de câmbio, o dólar operou em intervalo estreito ante as principais divisas, depois de encerrar a quarta semana seguida de valorização — a sequência mais longa de ganhos desde o início de 2025. Os preços elevados do petróleo, somados à tensão envolvendo o Irã, reforçaram a busca por proteção e beneficiaram a moeda americana. Apostas especulativas seguem favoráveis ao dólar, na expectativa de que a economia dos Estados Unidos tenha mais capacidade do que outras regiões de absorver novas altas de juros.

O euro, por sua vez, sofreu com as incertezas fiscais na França e com o custo elevado da energia, tendo recuado na semana passada ao menor nível desde maio de 2025 — movimento que também deu suporte adicional ao dólar.

Estrategistas do Barclays, liderados por Themistoklis Fiotakis, avaliaram em relatório que o argumento para uma ruptura do dólar em relação à faixa de negociação observada nos últimos 15 meses ganha força. Segundo eles, "o desempenho superior da economia americana, o espaço limitado para queda dos rendimentos e as vulnerabilidades fiscais e energéticas da Europa apontam para novas altas", embora reconheçam que "o posicionamento já muito comprado pode interromper essa valorização no curto prazo".

O que isso significa para o investidor

A combinação de petróleo em alta, geopolítica tensa no Oriente Médio e uma semana carregada de dados de inflação e discursos de bancos centrais cria um ambiente de maior sensibilidade para ativos de risco. Como mostrou cobertura recente da AAR News, o Irã já vinha intensificando ataques a navios no Estreito de Ormuz desde o fim de setembro, contribuindo para manter o barril acima de US$ 100 — fator que, somado à escalada contra a Arábia Saudita, reforça o risco de que o componente energético continue pressionando a inflação global por mais tempo do que o previsto.

Para o investidor brasileiro, o cenário externo de dólar fortalecido e juros americanos ainda elevados tende a manter a pressão sobre moedas emergentes e sobre o custo de capital. Segundo dados do scanner TradingView referentes a 11/10/2026, às 21h38 BRT, o dólar era cotado a R$ 4,9913 (−0,51% no dia) e o euro a R$ 5,5957 (+0,09% no dia), enquanto o S&P 500 marcava 7.811,54 pontos (+0,59% no dia) — números que mostram um apetite por risco ainda presente, mas que pode ser testado conforme novos dados de inflação e desdobramentos no Oriente Médio chegarem ao mercado.

Vale acompanhar também o desdobramento de outra frente geopolítica mapeada pela AAR News: a informação do Financial Times de que os Estados Unidos pressionam a Ucrânia a interromper ataques a refinarias russas, sob risco de cortar o repasse de inteligência e o mecanismo de compras militares. Qualquer mudança nesse quadro pode reverberar nos preços de energia e, por consequência, nas expectativas de juros tanto nos EUA quanto no Brasil.

No front doméstico, o resultado do primeiro turno eleitoral de 2026, discutido em artigo de opinião recém-repercutido pela AAR News, já havia gerado reação positiva dos mercados financeiros — movimento que analistas classificaram como uma possível armadilha para governantes caso a euforia inicial não se sustente. Diante de um cenário externo mais instável por conta do petróleo e da geopolítica, essa leitura reforça a necessidade de cautela na interpretação de rallys de curto prazo, tanto em ativos locais quanto em moedas e juros globais.

Agregado por AAR News · fonte: InfoMoney

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos