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Nasdaq cai 2% e fecha pior semana desde junho, pressionado por IA e petróleo

Venda de chips, dívida de neoclouds e alta do petróleo elevam volatilidade; VIX supera 22 pela primeira vez em quatro meses

Nasdaq cai 2% e fecha pior semana desde junho, pressionado por IA e petróleo
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Wall Street encerrou a sexta-feira em queda generalizada, fechando uma semana majoritariamente negativa marcada pelo afastamento de investidores de ações de tecnologia e inteligência artificial, além de uma escalada nos preços do petróleo. Segundo a CNBC, o movimento reacendeu o apetite por proteção no mercado e derrubou os principais índices para baixo de suas médias móveis de 50 dias.

O S&P 500 recuou 1,09% e fechou a 7.659,44 pontos, enquanto o Nasdaq Composite cedeu 2,14%, a 26.140,03 pontos — segundo o scanner da TradingView, consultado em 17/10/2026 às 10h01 BRT, essas foram exatamente as variações diárias registradas pelos dois índices. O Dow Jones Industrial Average caiu 175,28 pontos, ou 0,34%, a 52.002,41. A venda generalizada levou o índice de volatilidade Cboe (VIX) a romper o patamar de 22 pela primeira vez em quatro meses.

Fabricantes de chips lideram as perdas

As ações de semicondutores voltaram a cair. O ETF VanEck Semiconductor (SMH) perdeu 3%, puxado por quedas em Micron Technology, Advanced Micro Devices e Sandisk. O setor vem sofrendo ao longo da semana com temores crescentes sobre a concorrência vinda da China. No acumulado semanal, o SMH recuou 10%, configurando seu pior desempenho desde abril de 2025, de acordo com a reportagem.

Essas quedas, somadas a perdas em outras ações ligadas à inteligência artificial, arrastaram o S&P 500 para uma semana negativa, com baixa de cerca de 2%. O Nasdaq, por sua vez, perdeu mais de 4% na semana — a pior desde junho. Já o Dow Jones destoou do grupo e avançou 0,7% no período.

Investidores também demonstraram preocupação com o nível de endividamento das empresas de tecnologia ligadas à construção de infraestrutura de IA. As ações de provedoras de nuvem especializadas em IA, as chamadas 'neoclouds', foram pressionadas: a CoreWeave, cuja dívida total subiu para mais de US$ 51 bilhões, caiu quase 12% no dia, acumulando perda de 25% na semana.

Michael Rosen, diretor de investimentos da Angeles, questionou se o fenômeno representa um risco mais amplo para o sistema. Segundo a CNBC, ele afirmou: "A questão é: isso é um problema sistêmico?" e completou que o aumento da emissão de dívida é algo a ser observado, mas ponderou que o mercado ainda está longe de níveis considerados excessivos.

Petróleo sobe com tensões geopolíticas

Enquanto ações de tecnologia recuavam, o setor de energia registrou ganhos na sexta-feira, com papéis como os da Chevron ajudando a conter as perdas do Dow. Os preços do petróleo subiram em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, e entre Rússia e Ucrânia. Os futuros do West Texas Intermediate avançaram 3,51%, encerrando a sessão a US$ 101,41 o barril, enquanto o Brent subiu 3,72%, para US$ 109,86.

Em um momento anterior do pregão, a reportagem registrou o WTI em alta de 2,9%, a US$ 100,78 o barril, e o Brent em alta de 3,3%, a US$ 109,37 — movimento atribuído à escalada de ataques do Irã no Estreito de Ormuz ao longo da semana e à promessa da Ucrânia de continuar atacando refinarias russas.

Inflação pressiona e Fed sinaliza cautela

Paralelamente, os investidores vêm lidando com dados de inflação acima do esperado, agravados pela elevação dos preços de energia após a guerra entre Estados Unidos e Irã. O índice de preços ao produtor registrou nesta semana seu maior avanço desde 2022, enquanto a inflação ao consumidor permaneceu bem acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve.

O presidente do Fed, Kevin Warsh, discursou em um evento do FMI em Bangcoc durante a madrugada. Embora não tenha comentado se o banco central elevaria juros antes do fim do ano, operadores interpretaram sua fala como sinal de que a autoridade monetária manterá a política estável neste mês. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, há 82% de probabilidade de que o Fed mantenha a taxa básica inalterada na reunião de 27 e 28 de outubro.

Volatilidade atinge o maior nível desde junho

Com a intensificação da venda generalizada na tarde de sexta-feira, o VIX voltou a patamares não vistos em quatro meses. Por volta das 15h10 (horário local), o índice subia a 21,32 pontos, avanço de mais de 4,8 pontos na sessão, caminhando para seu fechamento mais alto desde 10 de junho, quando encerrou em 22,22.

Tradicionalmente, leituras do VIX acima de 20 indicam maior nervosismo no mercado. O índice havia fechado acima desse nível pela última vez em 29 de julho, quando as bolsas recuaram após o Fed manter os juros estáveis em sua reunião daquele mês. No dia seguinte, as ações se recuperaram, movimento que, segundo a reportagem, marcou um fundo para papéis ligados a IA que vinham em queda no mês anterior.

Nasdaq tem pior semana desde abril de 2025

No período da tarde, o Nasdaq Composite chegou a cair cerca de 2,5%, levando sua perda semanal a quase 5%. Com esse movimento, o índice de tecnologia caminhou para seu pior desempenho semanal desde a semana encerrada em 4 de abril de 2025, quando havia registrado queda de cerca de 10%.

Setores de comunicação e tecnologia puxam o S&P 500 para baixo

Os setores de serviços de comunicação e tecnologia da informação lideraram as perdas do S&P 500 na sexta-feira, recuando 2,7% e 2,4%, respectivamente — os dois piores desempenhos entre os 11 setores do índice. O setor de consumo discricionário veio na sequência, com queda de 1,5%.

Ainda assim, uma análise mais detalhada mostrou um mercado menos unilateral do que sugeria o desempenho dos índices: em um momento em que o S&P 500 operava com baixa de 1,3%, havia cerca de 280 ações em queda contra 222 em alta. No total, cinco dos 11 setores do índice fecharam em território positivo, liderados pelo setor de energia, com alta de 2,1%, e por utilities, com avanço de 1,2%.

Ações em destaque no pregão

Entre os papéis individuais com maior movimento, a Independent Bank, holding bancária de Michigan, disparou quase 5% após divulgar resultados do terceiro trimestre acima das estimativas. A empresa reportou lucro de US$ 1,90 por ação, superando a projeção de consenso da FactSet de US$ 1,85, enquanto a receita líquida de juros somou US$ 220,7 milhões, acima da estimativa de US$ 218,5 milhões. O banco projeta crescimento de empréstimos com garantia imobiliária em percentual anualizado de um dígito alto no quarto trimestre.

A fabricante de sistemas de controle de motores de precisão Moog subiu mais de 4% após o Morgan Stanley elevar a recomendação das ações de equal weight para overweight, além de elevar o preço-alvo de US$ 405 para US$ 448 — o que, segundo a casa, sugere potencial de alta de cerca de 23% em relação ao fechamento de quinta-feira. As ações da Moog acumulam alta superior a 55% em 2026.

Já a Fox Factory, fabricante de sistemas de suspensão para veículos, despencou 9% depois que o CEO Mike Dennison deixou o cargo. O conselho da empresa nomeou Douglas Grimm como presidente-executivo interino, e a companhia também reduziu sua projeção de receita para o ano completo.

Gestores buscam oportunidades após o tombo dos semicondutores

A correção em ações de tecnologia e semicondutores reacendeu o debate sobre onde buscar valor no setor. Manish Gupta, gestor de portfólio da First Eagle Investments, relatou à CNBC que, no início da chamada 'SaaSpocalypse' que afetou empresas de software neste ano, aumentou sua posição em Workday ao buscar oportunidades em meio às perdas do setor.

A aposta tem se mostrado acertada nos últimos meses: depois de cair cerca de 40% no primeiro trimestre de 2026 — período em que a ação de software corporativo chegou a negociar a menos de três vezes a receita —, o papel disparou mais de 55% no terceiro trimestre. A ação também tem performado melhor que o mercado nesta semana, subindo mais de 2% em meio à venda generalizada de tecnologia, à medida que investidores migram para ativos considerados mais seguros.

Gupta, que participou do encontro de analistas da empresa nesta semana, disse manter confiança em Workday, que segundo ele negocia com desconto em relação a negócios similares no mercado privado. A companhia é uma das dez maiores posições do First Eagle Global Fund (SGENX), fundo que ele cogere e que tinha cerca de US$ 75 bilhões em patrimônio líquido total em 30 de setembro. "O preço subiu, mas o negócio também melhorou", afirmou Gupta à CNBC. "A 'SaaSpocalypse' já deu a volta, mas a ação ainda é atrativa."

A reportagem também mencionou que o Bank of America adotou uma postura de 'risco-off' para o próximo mês, sem detalhar os fundamentos dessa avaliação no trecho disponibilizado.

O que isso significa para o investidor

A combinação de venda em ações de inteligência artificial, alta do petróleo e inflação resistente compõe um quadro de maior cautela para os próximos pregões em Wall Street. O salto do VIX acima de 22 — maior nível em quatro meses, segundo a CNBC, com cotações do S&P 500 e Nasdaq confirmadas pela TradingView às 10h01 BRT de 17/10/2026 — indica que o mercado está precificando mais risco de curto prazo, especialmente em nomes de alta exposição a IA e dívida corporativa associada a esse setor.

Para quem investe no Brasil com exposição a ativos globais, o episódio reforça a necessidade de observar de perto o endividamento das chamadas neoclouds, como CoreWeave, cujo caso ilustra como a expansão da infraestrutura de IA está sendo financiada com alavancagem crescente. Caso esse padrão se espalhe por outras empresas do setor, o impacto sobre fundos e carteiras com posições em tecnologia americana pode ser mais duradouro do que uma correção pontual.

A alta do petróleo, puxada por tensões entre EUA e Irã e entre Rússia e Ucrânia, é outro ponto a monitorar: pressão adicional sobre preços de energia tende a realimentar a inflação americana, justamente em um momento em que o Fed sinaliza preferência por manter os juros estáveis em sua próxima reunião. Essa combinação de inflação pressionada e política monetária cautelosa é um fator relevante para investidores brasileiros que acompanham o custo de capital global e seus efeitos sobre fluxos para mercados emergentes.

Por fim, a divergência de desempenho entre setores — com energia e utilities em alta enquanto tecnologia e comunicação lideravam as perdas — sugere que a rotação setorial, e não uma venda uniforme, é o traço mais relevante do momento. Para investidores atentos a oportunidades, nomes como Workday, destacados por gestores como referência de valor dentro do próprio setor de tecnologia, ilustram que a correção pode abrir espaço seletivo, sem significar necessariamente uma reversão generalizada de tendência.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos