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Mineração individual de bitcoin volta a ser oferecida, mas lucro segue incerto

Empresas como GoMining, KuMining e Sazmining vendem acesso a mineração industrial, mas custos altos e o próximo halving pressionam retornos

Mineração individual de bitcoin volta a ser oferecida, mas lucro segue incerto
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Com a aproximação de um novo corte na recompensa de mineração de bitcoin, a atividade para pequenos investidores pode enfrentar dificuldades adicionais, segundo reportagem do CoinDesk.

Serviços como GoMining, KuMining e Sazmining têm oferecido a indivíduos acesso a operações de mineração em padrão industrial, sem a necessidade de comprar e manter equipamentos em casa. Ainda assim, os altos custos de equipamento e operação tornam o lucro difícil de alcançar, segundo a publicação.

A migração de grandes mineradoras para a oferta de capacidade computacional voltada à inteligência artificial não tem reduzido de forma relevante o poder computacional dedicado ao bitcoin, o que limita o potencial benefício para operadores menores, apontou o CoinDesk.

Nos primórdios do bitcoin, em 2009, era possível minerar a criptomoeda em computadores domésticos comuns, recebendo recompensas por ajudar a processar transações na rede de prova de trabalho. Alguns mineradores dos primeiros anos acumularam milhares de moedas antes que equipamentos especializados tornassem a atividade inviável para amadores, relembra a reportagem.

Quase duas décadas depois, empresas tentam atrair de volta o público individual, oferecendo formas de ganhar bitcoin sem a necessidade de adquirir e operar máquinas caras em casa. Mas obter lucro continua sendo um desafio, mesmo com alguns dos maiores mineradores industriais deixando o negócio para focar em data centers de inteligência artificial em busca de retornos melhores.

Ivo Georgiev, fundador e CEO da empresa de carteiras cripto Ambire, que minerou bitcoin em 2011 ainda no ensino médio, afirmou ao CoinDesk que continua difícil ganhar dinheiro como minerador individual e que a situação não deve ficar mais fácil.

De hobby a negócio corporativo

Ao longo dos anos, a mineração se transformou em um negócio dominado por empresas que operam milhares de máquinas em fazendas de dados especializadas, com equipamentos sofisticados, sistemas de resfriamento dedicados e acordos específicos de fornecimento de energia. Para indivíduos, serviços como GoMining, KuMining e Sazmining passaram a oferecer acesso a esse mesmo ambiente profissional, segundo o CoinDesk.

Agora, as maiores mineradoras de bitcoin estão direcionando recursos para computação de inteligência artificial, alugando capacidade de processamento para empresas de tecnologia em vez de depender apenas das recompensas de mineração. Esse movimento alimentou especulações de que uma eventual queda no poder computacional dedicado ao bitcoin poderia tornar a atividade mais rentável para quem permanece nela.

Isso, porém, depende de os equipamentos realmente saírem da rede ou serem simplesmente redirecionados para outros operadores. Segundo dados da Hashrate Index citados pelo CoinDesk, a hashrate — medida do poder computacional total na blockchain — estava recentemente em cerca de 1,09 zetahash por segundo, pouco alterada em relação aos aproximados 1,13 ZH/s registrados um ano antes, com tendência de alta nos últimos dois meses.

Mark Zalan, CEO da GoMining, disse à reportagem que, se o equipamento for vendido para outro operador de mineração, ele pode continuar competindo pelas mesmas recompensas, neutralizando o possível efeito positivo da saída de grandes players.

Custos elevados e retorno incerto

A mineração segue competitiva e deve se tornar menos rentável quando a recompensa concedida por bloco minerado de bitcoin for reduzida pela metade, evento esperado para daqui a cerca de 18 meses, segundo estimativa citada na reportagem. Ainda assim, pode ser mais barato adquirir as moedas dessa forma do que comprá-las aos preços atuais, avaliou Nick Perchey, diretor de receita da Sazmining.

No início deste mês, a Sazmining, fundada em 2018, começou a vender placas de mineração desenvolvidas pela Block (XYZ), empresa de Jack Dorsey. Cada placa custa US$ 4.187. Eletricidade e manutenção somam outros US$ 153 por mês, além de uma taxa de administração equivalente a 15% do bitcoin minerado. A empresa recebeu quase 50 pedidos até o momento, com cerca de metade vindo de mineradores estreantes, segundo Perchey.

A companhia, que afirma ter quase 500 clientes proprietários de cerca de 4.000 equipamentos de mineração, projeta que o bitcoin produzido por eles será pelo menos 20% mais barato do que comprá-lo em uma exchange, ao longo da vida útil mínima de três anos do equipamento.

Perchey destacou ao CoinDesk que os retornos não são garantidos, e que essa ressalva é comunicada a todo comprador antes da aquisição.

Com base na estimativa da Sazmining de produção anual de 0,035 BTC por placa, e considerando um preço de bitcoin de US$ 83.000, a receita bruta seria de aproximadamente US$ 2.905 por ano. Depois de descontados US$ 1.836 em custos operacionais anuais e a taxa de administração de 15%, restariam cerca de US$ 633 para abater o custo inicial do equipamento. Nesse ritmo, seriam necessários mais de seis anos para recuperar integralmente o investimento, assumindo que preço do bitcoin, produção e custos permaneçam estáveis. A reportagem destaca que o próximo corte na recompensa de mineração, que reduzirá o prêmio para 1,5625 BTC, deve estender ainda mais esse prazo.

Zalan, da GoMining, ponderou que receber bitcoin regularmente e recuperar integralmente o investimento são marcos diferentes, que não devem ser confundidos pelos compradores.

Jolie Du, diretora de operações da KuMining, apresentou outro exemplo citado pelo CoinDesk: segundo ela, uma máquina modelo S23 XP Hyd levaria 23 meses para se pagar com eletricidade gratuita, ou 29 meses com energia custando 4 centavos de dólar por quilowatt-hora, antes de considerar outras despesas.

Du afirmou que a renda diária de mineração isoladamente não é uma métrica suficiente para avaliar a rentabilidade do investimento.

O que isso significa para o investidor

Os números levantados pela reportagem do CoinDesk indicam que a mineração individual intermediada por essas plataformas é uma aposta de longo prazo, com retorno condicionado à estabilidade do preço do bitcoin e dos custos operacionais — variáveis que historicamente oscilam bastante no setor. Prazos de recuperação de investimento que passam de seis anos, segundo as próprias projeções da Sazmining, deixam pouca margem de segurança caso o preço da criptomoeda recue ou os custos de energia subam.

Para quem considera essa via como forma de exposição ao bitcoin, vale comparar o custo total do pacote de mineração — equipamento, energia e taxas de administração — com a compra direta do ativo no mercado à vista. Às 12h21 BRT desta sexta-feira (31/10/2026), o bitcoin era cotado em US$ 77.354,44, com alta de 0,23% no dia, segundo o scanner da TradingView, patamar inferior ao preço de US$ 83.000 usado nas projeções da Sazmining — o que por si só já altera a equação de retorno apresentada pela empresa.

Outro ponto de atenção é a eventual redução futura na recompensa por bloco minerado, mencionada na reportagem como fator que deve estender os prazos de retorno já apertados. Investidores que avaliam entrar nesses contratos de mineração devem considerar esse horizonte ao projetar o payback do investimento, e não apenas as condições vigentes no momento da compra.

Por fim, a migração de grandes mineradoras para serviços de inteligência artificial é um movimento a ser acompanhado de perto: como apontado pelas fontes da reportagem, não há garantia de que a saída desses players reduza efetivamente a concorrência pelas recompensas de mineração, já que os equipamentos liberados podem simplesmente ser redirecionados a outros operadores do setor.

Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos