A Microsoft desistiu de um projeto de data center de inteligência artificial que seria operado pela Nscale no Reino Unido, depois que a operadora de rede elétrica da região informou que pode não haver capacidade suficiente para alimentar o site até o início ou meio da década de 2030, segundo reportagem da CoinDesk.
O caso expõe os gargalos de energia e financiamento enfrentados por mineradoras de bitcoin que migraram para infraestrutura de IA, justamente quando os pedidos de conexão à rede para data centers no Reino Unido somam cerca de 73 gigawatts, conforme a publicação.
O projeto cancelado
O site ficava em Loughton, Essex, cerca de 6 milhas a nordeste de Londres, e deveria abrigar 23.040 chips da Nvidia, fornecendo 50 megawatts de capacidade computacional para a nuvem Azure da Microsoft até o início de 2027, de acordo com reportagem do Guardian citada pela CoinDesk, que seguiu apuração inicial do Financial Times.
A UK Power Networks, responsável pela rede local, comunicou à Nscale que a capacidade necessária pode não estar disponível antes do início ou meio da década de 2030.
A Nscale havia anunciado o projeto no ano anterior em conjunto com Microsoft, Nvidia e OpenAI. Quando o Guardian visitou o local em fevereiro, o terreno ainda funcionava como pátio de andaimes. Desde então, a Nscale limpou o terreno e avalia outras alternativas para obter energia. A empresa afirmou que seus demais contratos com a Microsoft permanecem em vigor, segundo a CoinDesk.
O recuo da Microsoft ocorre enquanto a Nscale tenta captar até US$ 3 bilhões em uma oferta pública inicial, possivelmente ainda neste mês, conforme cobertura anterior da AAR News.
Da mineração de bitcoin à infraestrutura de IA
A Nscale nasceu da Arkon Energy, companhia que construía sites para mineração de bitcoin. Seu fundador, Josh Payne, aproveitou a experiência em garantir terrenos e energia para montar um negócio de venda de capacidade computacional a empresas de IA — modelo que, segundo a CoinDesk, hoje é seguido por boa parte da indústria de mineração listada em bolsa.
Em levantamento feito em março, a CoinDesk apurou que mineradoras públicas já haviam anunciado mais de US$ 70 bilhões em contratos de IA e computação de alto desempenho. No mesmo período, essas empresas reduziram suas reservas combinadas de bitcoin em mais de 15.000 BTC em relação aos picos, em parte vendendo moedas para financiar a expansão.
A mineração já enfrentava pressão antes disso: o custo médio em caixa para produzir um bitcoin entre as mineradoras listadas ficou próximo de US$ 80.000 no quarto trimestre de 2025, enquanto o bitcoin era negociado perto de US$ 70.000 em março, segundo a reportagem.
O custo de migrar para IA
Contratos de IA garantem pagamentos estáveis por anos, mas os sites exigem investimento muito maior. Estimativas citadas pela CoinDesk apontam custo de US$ 8 milhões a US$ 15 milhões por megawatt para uma instalação pronta para IA, ante cerca de US$ 700 mil a US$ 1 milhão por megawatt na mineração de bitcoin — e os clientes de IA esperam que os servidores operem ininterruptamente.
O retorno financeiro também demora a aparecer. No relatório mais recente da gestora CoinShares, citado pela CoinDesk, o setor somava mais de 4 gigawatts de capacidade de IA sob contrato entre as mineradoras acompanhadas, mas apenas cerca de 550 megawatts já geravam faturamento efetivo. A carteira de contratos ultrapassava US$ 100 bilhões, enquanto a receita anualizada de IA ficava pouco acima de US$ 1 bilhão.
Segundo a CoinDesk, a menos que a Nscale consiga energia própria ou que a rede acelere significativamente, o terreno já limpo em Loughton pode permanecer ocioso por anos.
Fila de conexões no Reino Unido
A fila de projetos aguardando ligação à rede britânica é extensa. O regulador de energia Ofgem afirma que pedidos de conexão para data centers somam cerca de 73 gigawatts de demanda. O órgão avalia regras mais rígidas porque parte dos solicitantes pode nunca concretizar os projetos, o que trava iniciativas prontas para avançar, segundo a reportagem.
O que isso significa para o investidor
O episódio reforça um ponto que a AAR News já vinha sinalizando: a transição de mineradoras de bitcoin para provedoras de infraestrutura de IA não é apenas uma mudança de modelo de receita, mas também uma aposta em capacidade elétrica que nem sempre está sob controle da empresa. A diferença de custo por megawatt entre mineração e data centers de IA — citada pela CoinDesk — ajuda a explicar por que esses contratos pesam tanto no caixa das companhias antes de gerar receita proporcional.
Para quem acompanha ações ligadas a esse setor, o caso Nscale-Microsoft é um lembrete de que contratos anunciados não equivalem a receita garantida: o hiato entre os mais de US$ 100 bilhões em carteira de contratos e o pouco mais de US$ 1 bilhão em receita anualizada, segundo a CoinShares, mostra que a execução — e não apenas o anúncio — é o que deve ser monitorado.
No câmbio cripto, o bitcoin era cotado a US$ 81.911,98 às 17h37 BRT de 19 de outubro de 2026, variação de −0,15% no dia, segundo scanner da TradingView. O ativo segue distante da faixa de US$ 70.000 mencionada no relatório de março da CoinDesk, o que pode aliviar parte da pressão de margem sobre mineradoras que dependem da venda de BTC para financiar a expansão em IA — mas não resolve o gargalo estrutural de energia que travou o projeto da Nscale no Reino Unido.
Vale ainda acompanhar se a oferta pública inicial da Nscale, de até US$ 3 bilhões, avança apesar do cancelamento do contrato com a Microsoft, já que a percepção de risco sobre a capacidade de entrega de infraestrutura energética tende a influenciar diretamente o apetite de investidores pela operação.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos